terça-feira, 22 de Abril de 2014

Abril livre


 

Se Abril não tivesse acontecido

eu talvez nem teria nascido;

talvez o meu pai que lutava no ultramar

tivesse regressado em tábuas deitado, sem respirar.



Se Abril fosse só mais um mês de primavera

e não tivessem gritado liberdade,

a liberdade seria hoje uma quimera

não seria livre a nossa sociedade.



Se Abril fosse como Abris de antes

nem todas as palavras seriam ditas nem impressas,

seriamos meros figurantes

num mundo feito às pressas.



Se Abril fosse apenas resignação,

censura e obediência

eu seria um poema de frustração,

uma voz calada sem essência.

quinta-feira, 27 de Março de 2014

Bruma

Eu desejei ser céu e chão
barco a vapor,avião
maré,espuma,areia;
desejei ser página,livro de poemas,biblioteca,
nuvem calma,o sol que seca,
desejei ser a lua cheia…

Eu desejei ser magma, vulcão,
rocha,cordilheira,carvão,
lagoa,água e gota harmoniosa .
Desejei ser hortência,
camélia,essência
uma rosa…

Eu desejei ser o mar,
um cachalote,um açor a voar,
uma montanha taciturna;
desejei ser colo e amparo,
pedra preciosa,tesouro raro,
fazer dos meus braços berço e urna…

Eu desejei ser uma ilha,
do arquipélago filha,
negra,basalto forte.
Desejei ser pluma,
mistério,bruma
morte…

quarta-feira, 12 de Março de 2014

Acostar

Nem sempre conseguimos explicar o que sentimos
por vezes a tristeza toma conta da nossa voz
e não gostamos do que vemos,nem do que ouvimos
mas sabemos que o vazio está em nós…
É um desânimo,um cansaço,
um desatino,um desalinho…
Desespera-se por um abraço
uma luz certa no caminho…
E só um silêncio,um aconchego,
sem pressa…
Faz com que a nossa alma tenha paz…
Regressa…
Nem sempre conseguimos entregar-nos
(se nos sentimos perdidos)
mas precisamos d’um porto onde acostar
onde nos sabemos protegidos…
Mas se sou porto
se sou abrigo,
não posso ser abrigado?
Porque o porto que abraça o barco
abraça mas não é abraçado…
E só um silêncio,um aconchego,
sem pressa…
Faz com que a nossa alma tenha paz…
Regressa…

segunda-feira, 10 de Março de 2014

Em mim


Trago em mim tantas mulheres
muitas delas não sou eu
mas que entraram na minha vida
para terem o que a vida me deu.
Sou um livro de poesia,
sou um regaço de flores perfumadas,
inspiração, música e magia,
maçãs do rosto alagadas...
Trago em mim tantos sonhos
e com eles bordo a minha estrada
semeio sorrisos e abraços,
sinto-me abençoada.
Trago em mim tantas mulheres,
crianças que cuido, que chamo;
levo nas mãos um mundo de afazeres,
carrego no coração os que amo!

domingo, 23 de Fevereiro de 2014

Por aí



Eu vim por aí fora,andando,nesta vida
cambaleando entre sonhos e deveres;
Caí,
chorei,
sofri…
Eu vim andando por aí…
Do negro dos meus dias fiz luxo
e das ondas revoltas fiz energia
que me renovou)
e andando,eu vim por aí
erguendo castelos numa estrada vazia.

Estou tão triste...


 
Estou tão triste
dentro de mim há uma dor
que me agonia, insiste
em lembrar-me do horror...
Estou a chorar por dentro
chora meu coração de mãe
lamento tanto, lamento
não quero viver sem...

Imagino que nem quero imaginar
que ao deixarmos crescer nossos filhos à sua sorte
um dia a vida leva-os sem que possam voltar
da dolorosa estrada da morte...
Estou tão triste, estou nervosa
e escrevo para tentar me acalmar
mas esta dor horrorosa
não para de me amedrontar...
Deve esta dor de perda enlouquecer
aqueles que são verdadeiros pais
sabendo que não irão ver
um filho que se ama , nunca mais...

terça-feira, 11 de Fevereiro de 2014

Energia



O vento que nos derruba
é também o que nos limpa.
A onda que nos arrasta
é também a que nos movimenta.
Quando o vento passa, estamos varridos, 
podados, 
mais excitados
quando a onda se desfaz deixa-nos a espuma, 
o sal, 
ficamos lavados…
Cada ventania
cada onda na nossa vida
é parte da viagem.
Resta-nos saber colher a onda
e aproveitar a energia da aragem…

segunda-feira, 20 de Janeiro de 2014

Ser



 
É urgente
ser decente!
É necessário
ser solidário!
É impreterível
ser sensível!
É essencial
ser especial!
É inevitável
ser amável!
É importante
ser confiante!
É forçoso
ser amoroso!
É fundamental
ser real!

terça-feira, 14 de Janeiro de 2014

De dentro para fora



 
Estou em urgência
estou em défice de paciência.
Só me apetece uma manta e um chá 

e a companhia do meu sofá.
Preciso da viagem de um livro apaixonante
do calor do chá numa caneca
do abraço macio do amante
tudo antes de uma soneca.
Estou tão cansada,
olho para tudo e já não vejo nada…
Só me apetece dizer que nada me apetece
apenas o chá,a manta,e o amante(que me aquece) …
Observo os segundos a passar. Não vejo a hora!
Quero me teletransportar.Ir–me embora.
E enquanto isso não acontece

a minha contratura grita e a minha coluna padece!
É do frio,do cansaço,da posição,
mas é mais ainda por falta de motivação…
Estou em urgência
estou em défice de paciência!
Não vejo a hora!
então escrevo-me de dentro para fora.