terça-feira, 16 de agosto de 2016

O teu livro não tinha miolo





O teu livro era uma capa
de fachada
azeda, mal acabada.
Era feito de um material
duro
e usado
com um papel vazio
escrito num doloroso passado
sufocante
e sem futuro…

O teu livro não tinha miolo
não era cativante
misterioso
apaixonante
era escrito por um interior sombrio
mentiroso
com fastio …

O teu livro não tinha miolo
parecia um catálogo de carros velhos
despedaçados
sem motor
o teu livro tinha tanto, mas tanto bolor
era um livro desinteressante
stressante
sem vestígios saudáveis do amor…

O teu livro parecia uma montagem de encomenda
e tu sem rumo
num desgastante consumo
corrias perdido nesta senda
às cegas
pelo mundo…

Arranquei-te da tua prateleira
tirei-te a venda
e transformei o teu livro
num livro novo de poesia
que transbordava inovação
magia
emoção
um livro romântico
cheio de prazer
um livro com vontade de viver,
de construir novas histórias.

O teu livro não tinha miolo
era um verdadeiro desconsolo…

Hoje a história mudou
o teu olhar brotou
e nas páginas do teu livro
há agora cor
alegria
amor
poesia…

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Todo meu


Não te roubei,
apenas te encantei.
Quem não fica interessado
num ser tão raro e inspirado?

Não te roubei.
Te apaixonei!
Levei-te à morada da felicidade
mostrei-te o amor de verdade.

Não te roubei,
apenas te ressuscitei.
Havias adormecido
vivias sem sentido.

Não te roubei,
apenas te amei.
Levei-te em viagem ao céu
e agora és todo meu!

terça-feira, 9 de agosto de 2016

O meu vestido de renda


Vesti para ti o meu vestido de renda
com janelas para a minha pele hidratada
fazia de mim uma prenda
pronta a ser desembrulhada…

Vesti para que os teus olhos olhassem
as minhas curvas corporais
e os teus pensamentos te levassem
a recantos meus: vivos, carnais…

Vesti o meu vestido e calcei o sapato de salto
maquilhei o rosto, e os lábios decorei , 
e elegantemente percorri o asfalto
segura pela tua mão, que com a minha entrelacei…

O meu vestido de renda despertou a tua ambição,
desejaste ser renda e vestir a minha cútis
e cobrires de elegância o meu coração
pulsando em mim a cada segundo, sendo feliz.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Lonjura


E a cada segundo que passa
aumenta minha amargura
meu coração tolo estilhaça
com a realidade desta lonjura
pois quem longe está, não nos abraça
nem nos enche de ternura…

Sigo minhas obrigações
alimento as minhas vidas inquietas
e guardo as minhas emoções
nas minhas inacessíveis gavetas
e aos poucos matam-me as ilusões
que vou tornando secretas…

E a cada segundo que passa
sinto ainda mais solidão
sinto ser a eterna traça
à espera de transformação
sendo quem a todos abraça
sem receber consolação…

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Distimia


Uma dor sem rosto
uma tristeza constante
que levava o calor de agosto
deixando a luz da  noite distante…

Era uma dor fria, cascata de choro
um desistir persistente
uma ave de mau agoiro
um organismo doente…

Fazia as asas arrastarem-se pelo chão,
voar era algo impensável
os músculos perderam a capacidade de ação;
tudo era detestável…

Só lágrimas e gemidos
só escuro e dor
jardim mortos e destruídos
ansiedade, insegurança e pavor…

Era triste e denso
o nascer de cada dia,
um sofrimento imenso:
distimia…


quarta-feira, 27 de julho de 2016

FOI MESMO NO SOFÁ


Foi mesmo no sofá
que te desarmei…
Atirei-me para os teus braços
e suspirei.
Não tive forma de me conter
e apressei-me para te derreter…
Foi mesmo no sofá
que te prendi,
ocupei o teu colo
e renasci…
Lá tive tempo de aguardar
por melhores condições,
abracei-te
e despi-te de ilusões.


Foi mesmo no sofá
que tornei real
o meu fetiche de simples mortal…
Saltei para o teu colo
como quem mergulha para se banhar,
prendi me aos teus lábios
para te beijar
e encontrei na tua pele
o Sol e o mar
e ondas frescas de abraços imparáveis,
e salpicos escaldantes de palavras inigualáveis …
Lá tive tempo de medir a temperatura
atirei-me do mais alto penhasco da minha loucura
e aterrada no teu aconchego
tornei-me lava,
desfiz-me de ser rochedo.
Perdi a conta das vezes que repetimos os beijos
e perdi a conta dos desmaios…
foram tantas as repetições
tantos os ensaios,
concretizações…
Foi verão
com ondas de calor
e foi arrepiante nevão
com estrelas de amor…


Foi mesmo no sofá
que adormeci no teu abraço
e sonhei que viajava pelo espaço…


Foi mesmo no sofá
Que os nossos corpos se aninharam
como se fossem uma concha quando se fecha para repousar;
que sorte é esta que nos traçaram
viver um sonho
sabendo que afinal não estamos a sonhar…

segunda-feira, 25 de julho de 2016

O amor faz amor


O amor faz-nos bem
E quando encontramos alguém
Que sonha com a nossa realidade
A vida sorri
E a alegria contagia
Cresce em nós a vontade
De viver
De crescer
De sonhar
Tem magia…
O amor nos liberta
Povoa a nossa alma, quando deserta
Semeia em nós a capacidade de amar!
O amor faz-nos bem
E até o orvalho da manhã
Sabe-nos a panquecas com mel
As lutas são apenas desafios
E as tempestades, tornam-se suaves frios
É fácil amar e ao amor ser fiel.
O amor faz amor
Cura as feridas
Anula a dor
Traz vida aos nossos dias
O amor dividido
Reciproco e sentido
É tudo o que tem valor.
Quando amamos somos do bem
E até o orvalho da manhã
Nos alenta o viver
Quem ama de verdade
Não abriga em si maldade
Ama
É amado
Cresce
E deixa crescer.
O amor faz-nos bem
Quando amamos
Fazemos amor  (nascer) também
E amar é um refrigério.
O amor é energia
Pássaro com asas de poesia
Ninho de aconchego e mistério…



segunda-feira, 18 de julho de 2016

Lábios salgados




Trouxe o mar na boca
para aos poucos o provar
o sol veio na roupa
que despi à beira mar.
Trouxe-te no pensamento
e a cada respirar
degustei o momento
que o mar me veio salgar…
Trouxe o mar na boca, trouxe  sal
que a minha pele temperou,
trouxe o teu sorriso especial
que a minha memória captou.
Trouxe-te, como quem traz uma preciosidade
e guardei-te com os valores mais desejados;
trouxe o mar da felicidade
com ondas refrescantes dos teus lábios salgados.

terça-feira, 5 de julho de 2016

O encaixe do abraço perfeito


Aproxime-se
mais
mais
até não dar mais…
Abra os braços
estique
estique,
enrole ao redor
envolva
prenda
e fique...
E com jeito
aproxime-se do peito
que vai abraçar
com ímpeto
mas com delicadeza;
aperte entre os braços
aperte
anulando os cansaços
as tristezas
as fraquezas
os espaços…
Entregue-se demoradamente
envolva-se intensamente
torne as suas imperfeições
o encaixe perfeito
e acolha junto ao seu peito
o ser que vive dentro do seu coração
com delicadeza
com firmeza
com emoção…
Aproxime-se
mais
mais
até que leves sussurros animais
se soltem do interior…
Com jeito
sinta bater no seu peito
o coração de quem abraça
e permita-se sentir
viver
permitir
transferindo a energia que passa,
que renova
quem é abraçado
e quem abraça,
fazendo deste encaixe imperfeito
o tesouro eleito
dos tesouros do mundo.
Aproxime-se
e deixe-se silenciar
deixe-se abraçar
até que toda a imperfeição se encaixe
e faça desta diferença união
encontro
abraço
exaltação
regaço
embale profundo…

segunda-feira, 7 de março de 2016

Eu fui a única culpada


Tudo foi culpa minha.
Eu fui a única culpada. 

Fui em quem provocou o seu despertar para a vida e para felicidade. 
Fui eu, 
com esta minha mania tola 
de temperar a vida com colheradas e colheradas de amor e sorrisos, 
que causei tanta vontade de mudança e de reviravolta. 
Sim, fui eu.
O meu acordar era feliz e ousado. 
O meu anoitecer era inovador e aventureiro. 
Eu criava regras e fazia com que as cumprissem. 
Eu investia em brincadeiras e provocava gargalhadas. 
Eu assumia a minha vontade, 
proclamava os meus sonhos e não escondia os meus medos, 
as minhas verdades e as minhas dúvidas. 
Sou a única culpada de tudo. 
Assumo. 
Chorei muitas noites e sorri muitos dias. 
Falei sempre o que pensava, mas acima de tudo sempre falei o que sentia. 
Usei sempre da verdade, mesmo quando tive a mentira à minha disposição. 
Eu fui sempre a única culpada. 
Culpada por ter nascido assim e viver o que nasci, 
culpada por querer e assumir o que queria, 
culpada por saber que,
 embora nem todos estivessem preparados para viver coisas verdadeiras, 
ter apenas promovido coisas reais. 

Eu fui a única culpada. 

Porque eu não procurei culpados para os meus erros 
nem culpados para os meus fracassos. 
A culpa foi minha por acreditar. 
Foi minha por me deixar enganar. 
Foi minha por voltar a amar!

Tudo foi culpa minha. 

E sempre será. 
Porque sou eu a dona da minha vida, 
sou eu a “dona deste meu nariz”, 
sou a responsável pelas minhas dores. 
Dores que só vão doer até eu querer. 
Dores que só eu terei de as terminar. 
Dores que só me acompanharão até onde eu quiser…

Eu fui a única culpada. 

Eu fui a única fracassada. 
Ninguém tem culpa de nada.

E quando o meu mundo se desmorona, 

eu sou sempre a única culpada, 
porque eu escolhi caminhos errados, 
porque eu apostei em cavalos parados, 
porque eu plantei árvores secas e sem vontade de crescer.

Felicidades a todos aqueles outros culpados 

que infelizmente não sabem sequer o que é ser!
Felicidades a todos aqueles outros culpados 

que não se mexem com medo do que os outros vão dizer. 
Faço votos de que consigam gerir em si 
a incapacidade de assumirem a sua culpa de fracasso 
e como resultado vivam a saborear o triste sabor da experiência do perder!

Ainda assim, foi tudo culpa minha…

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

História



A nossa história de amor tinha de ser diferente de todas as outras. 
A nossa tinha mesmo de ser original!
Não haveria um pegar na mão, 
um convite para tomar café ou um simples quero conhecer-te melhor.

Na nossa história, 
o mínimo que seria permitido fazer, seria, 
um arrepiante deslizar da mão pelo teu pescoço, 
provocando um arrepio até ao mais tímido poro…

Na nossa história, 
a cafeína era insuficiente 
perto de toda a adrenalina libertada pelo olhar 
que cruzamos no primeiro instante do segundo que nos vimos…


Na nossa história, 
conhecermo-nos melhor não chegava. 
Queríamos conhecer-nos todos: 
o exterior, 
o interior, 
os segredos, 
os medos, 
os desejos, 
as calmas, 
as inseguranças, 
as almas…


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Meu amigo


Esta carta que te escrevo
leva tudo o que sinto por ti:
a admiração,
a amizade,
o bem-querer
e o amor.

Ela é escrita com carinho,
com linhas de ternura
com muita dedicação
e muitas letras de doçura.

Escrevo para dizer-te
que és uma prenda que a vida me deu
que quanto mais te quero mais sei querer-te
e cada vez mais és meu amigo, só meu…

Amo-te com amizade
e esta amizade infinita e cheia de cor
é selada com verdade

nossa amizade é amor.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016


Mortes da vida



A vida é feita de mortes
 A nossa vida é feita de mortes. Das nossas mortes. 
De mortes alheias. Mortes estupidas, cruéis e feias…
Quando nascemos, morre-nos a possibilidade de vivermos para sempre. 
Quando alguém nos morre, morremos também. 
Morremos um pouco, morremos dolorosamente.
Cada vez mais, sinto que a morte nos espreita. 
Morremos quando damos mais valor a um lugar de destaque na sociedade, 
do que a um lugar aconchegante num coração. 
Morremos quando nos atropelamos para termos poder, morremos para ter,ter,ter…
Hoje sinto-me um pouco morta. 
Sinto-me assim porque vejo que ao meu redor, 
apesar do lamento e da dor, há gente que vive morta. 
Gente que simplesmente não entende, 
que viver, por viver, 
de nada importa…
Quantas lágrimas mais teremos de chorar,
 para estarmos preparados, para a despedida definitiva? 
Quantas?
Sei que, ainda que chorássemos todos os oceanos, 
jamais estaríamos preparados para morrer ou para ver morrer… 
Só sei isso…

Quando os outros morrem, morremos também. 
Porque vemos nas lágrimas alheias a nossa dor, 
o sofrimento de um pai, 
de um irmão, 
de um amigo, 
de uma mãe…
Olhamos para dentro de nós e dizemos egoistamente: 
passa-me ao lado morte. 
Não me toques. 
Não toques os meus…
Mas quando os outros morrem, morremos também… 
Cada pá de terra fria ou cada labareda ardente, 
que acontece, 
também nos arrefece, 
também nos carboniza…
Hoje sinto-me um pouco morta, por saber certa esta fatalidade, 
por saber que todos os que amo têm um prazo de validade, 
tal como eu…
Sinto- me um pouco morta de saudade, 
choro quem para mim já morreu…

Sinto frio e desconforto. 
Tenho medo e revolta. 
Sinto a maior ingratidão da vida… 
Hoje sinto-me um pouco morta…

E vivemos assim, 
tentando continuar a vida após as mortes que nos vão vivendo…
Tentando levar a vida adiante, 
para lá na frente sermos apenas um instante…
Um instante, em que tudo termina. 
Uma impossibilidade de não mais sentir, olhar, ver sorrir… 
Um instante, silencioso e dilacerante…

Hoje sinto-me um pouco morta… 
E ainda assim tento agarrar-me à vida. 
Rebusco forças que se encontram misturadas com as dores, 
as incertezas, 
os problemas e o prazo de validade incerto e secreto…

Quem disse que um jardim de flores é sempre belo?
Que beleza pode ter uma coroa de flores, 
quando as lágrimas de tristeza regam a nossa alma?

Hoje sinto-me um pouco morta… Ainda que viva…

A nossa vida é feita de mortes. 
Das nossas mortes. 
De mortes alheias. 
Mortes estupidas, cruéis e feias…

Quem disse que um jardim de flores é sempre belo?





O Amor...


sábado, 16 de janeiro de 2016

POEMA DO MUNDO QUE FAZEMOS

A pouco e pouco
o mundo vai ficando mais louco.
Morrem os grandes seres
perdem-se os verdadeiros prazeres,
já são escassos os que dão valor
à educação, à amizade, ao amor…
À medida que a vida passa
cruzamo-nos com gente sem graça
com projetos de gente
seres desumanos, que nos fazem frente,
desonrando a pureza da alma e da raça,
seres que vivem da mentira e da trapaça…
E o tempo não para…
E cada vez mais, o carácter é qualidade rara.
Hoje em dia quanto mais sacana, melhor
vivemos num clima de morte e horror;
aplaude-se o diplomata que se diz homem
enquanto inocentes, à fome, morrem…
A pouco e pouco
o mundo vai ficando mais louco…
Morrem os grandes seres
perdem-se os verdadeiros prazeres,
já são escassos os que dão valor
à educação, à amizade, ao amor…
E anda o mundo num corrupio
elas desfilam em peles de animais
e os animais, coitados, morrem de frio…
Num lado do mundo catam migalhas do chão
para matar a fome,
do outro lado
desmaiam de fraqueza
porque não podem engordar
e ninguém come…
Temos um padrão,
um modelo
um guião
um corte de cabelo…
Temos de ter o peito do tamanho certo,
o nariz tem de ser corrigido
o rabo tem de estar empinado
e o decote mais aberto…
Namoramos com data marcada
brindamos à amizade quando o calendário aponta
e após muitos séculos de evolução,
ainda há uma guerra sagrada
e o Homem mata sem contemplação...
O mundo parece uma barata tonta…
À medida que a vida passa
cruzamo-nos com gente sem graça
com projetos de gente
seres desumanos, que nos fazem frente,
desonrando a pureza da alma e da raça,
seres que vivem da mentira e da trapaça…
Parecemos bonecas de pano
e ano após ano
vamos sendo formatados,
ora com cabelos lisos, curtos ou ondulados,
roupas todas da cor da tendência…
Haja santa paciência!
Eles, deixam a barba crescer ou aparam,
usam as calças quase a cair,
usam pós para se transformarem
e deixarem a vida fluir…
Matam-se modernamente
por ser atual
e criam uma sociedade doente
uma bomba-relógio social.
A nossa água está contaminada.
A nossa terra poluída.
Mas nada disto importa,
em Marte deve haver água sagrada
em Marte deve haver mais vida…
A pouco e pouco
O mundo vai ficando mais louco…
A ganância dilata
o homem faz a festa quando mata
joga à batalha naval, com a vida dos semelhantes.
O Homem nasce em guerra,
depois dizem ser racionais
quando nunca viram, nenhum dos outros animais
matar por prazer
até fazer desaparecer
espécies à face da Terra.
A pouco e pouco
o mundo vai ficando mais louco!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Noite de Natal





Não se esqueçam do bacalhau
Do peru ,do bolo-rei e do Vinho do Porto;
Não se esqueçam das prendas e dos laços,
Das mesas decoradas com muito requinte e cor.

Já agora,
não se esqueçam de dizer a alguém o quanto vos é especial,
de darem a mão a quem precisa de conforto
de se envolverem, esta noite, em abraços

e fazerem da noite de  Natal, 
uma verdadeira noite de AMOR!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

À janela


À janela de casa
Posso ver árvores a dançar
E chuvas arrastadas
Casas quietas
Ruas molhadas…

À janela de casa,
Por dentro das vidraças decoradas,
Vejo a rua deserta,
O vento cheio de força,
A relva molhada,
Uma mente aberta,
Folhas mortas que vão dançando
Quando o vento as vai soprando
E depois solta-as, como se fossem pássaros mortos,
Que vão caindo sem ação
Inertes
Pelo chão…

À janela vou revivendo
Tempestades passadas
Quando o tempo ainda era interminável,
E vão chegando pensamentos
E vão chegando (pre) visões
De dias incertos
Jardins desertos
Novas tempestades,
Furacões...

À janela vejo o gato
Que se abrigou em cima do tapete,
Enrolado no seu pelo, aquece-se,
E nem dá pela tempestade que passa;
Dorme, descansado, sem reparar que o olho
Da janela…

À janela posso ver
A revolta da natureza
E esperar quieta que tudo passe…
À janela
Espero que o tempo se adiante
E que logo chegue o meu amante,
E com toda a força do vento,
erga-me em seus braços,
E me abrace…

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Tempestades


Por aqui o céu prepara-se para chorar
Lágrimas atrasadas e lágrimas futuras
As árvores agitam-se, tentando aliviar
O peso triste dos olhos das nuvens escuras.
As flores da buganvília dispersam-se pelo chão
Deitam-se sobre a verde relva molhada,
Enquanto as palmeiras do vizinho se agarram bem ao chão,
O vento dança comemorando a partida de uma árvore arrancada…
O vento traz sempre novas visões, novas aragens
Para quem se sente sem ar, sufocado,
Quando chegar a bonança haverá espaço para novas viagens
Para tomar um rumo novo ou um regresso ao passado…
A vida é feita de tempestades
Muitas inesperadas
Outras anunciadas,
Mas todas com fim!
E como na natureza tudo tem o seu tempo de findar
Nem com toda a sua força, o vento, há-de arrancar
Todas as raízes que trago em mim.


quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Sempre é Natal



    
É Natal sempre que há esperança
E em nós habita o espírito de criança!

Sempre que fazemos o bem, é Natal,
Tornamos o mundo, um lugar especial!

É Natal sempre que ajudamos o nosso irmão
Enchemos com amizade e amor o nosso coração!

Sempre que enchemos a vida de alguém com luz
É Natal, nasce Jesus!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Aposto que há gente que nunca provou um poema


Aposto que há gente que nunca provou um poema;
Que nunca sequer descascou um verso;
Nunca polvilhou com canela uma rima,
Sequer tocou de leve os lábios
Para lhe sentir o gosto.

Aposto que há gente que faz poemas a metro
Que acredita que basta juntar água,
Mexer, e já está: POESIA.
É gente desta que engorda do vazio e da mesquinhez,
Gente que nunca provou um poema…
Aposto que há ainda gente assim
Distante dos melhores sabores e aromas requintados.
Coitados!
Aposto que ainda há gente que devora uma história falsa e ruim
Ao invés de degustar versos e versos apaixonados.
Sei que ainda se escrevem romances inventados,
Que se copiam poemas, mas com alguns versos trocados…

Aposto que há ainda gente que nunca provou um poema,
Um verso,
Uma quadra,
Poesia…
Gente desta invejosa
Gente horrorosa
Projetos de gente… vazia…
Aposto que ainda há quem não se arrepie
Quando de uma garganta,
Poemas se libertam melodiosos
Aposto, sim!

Ainda há gente assim,
Que caminha entre os verdadeiros poetas
São Projetos de gente,
Mentiras vivas
Disfarçando  maldades, com sorrisos e historietas.
Inventando histórias de dó, dor e piedade,
São castelos de cartas temporários
Que há menor brisa do vento,
Os desfará, soprando para o ar a verdade…

Aposto que há gente (ainda) que nunca provou um poema,
Gente que julga ser livro
Por se esconder numa capa...

Ai! Ser tolo!
Ainda há gente que acredita
Que um livro de poesia
Pode ser feito num dia
Fácil e imediato,
Como é o fazer de um bolo…
Aposto que há gente que nunca provou um poema,
Gente pequena,
Sem miolo…

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Beijo tácito


Do outro lado da rua
Dum outro lado da vida
Vislumbraste uma mulher,
Encheste a tua visão que era nua
Encontraste uma saída
Desististe de morrer…

Do outro lado, do lado de dentro
Despertou em ti um viver
Reanimou-te o teu pulmão
Percebeste que és morada de sentimento
E que aquela mulher
Ressuscitou o teu coração…

Do outro lado, do lado da felicidade
A vida sorriu para ti confiante
Livrou-te de um destino aflito…
Encontraste, por inteiro, a tua metade
Segues, do seu lado, adiante
Trocando com o olhar um beijo tácito.


segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Amor logo cedo


Logo cedo elas acordam, e abrem a porta do guarda-roupa
Perdem-se na escolha imensa de uns trapos para vestirem o corpo,
Tropeçam em caixinhas cheias de sombras e base
E tentam dar cor ao rosto
Que tantas vezes veste olheiras de desgosto…
Logo cedo eles cobrem o rosto de espuma branca
Raspam os pelos, embelezam-se,
Banham-se, perfumam-se
Olham-se ao espelho,
Para verem se os outros vão gostar…
Enquanto isso, elas esticam os cabelos encaracolados
Ou enrolam os cabelos esticados,
Depressa,
Que o tempo está a passar…

Logo cedo tudo corre
E ninguém olha o céu
Ninguém se digna dizer o quão lindo está o dia,
Que bom é estar vivo,
que truque este de magia
Que fez a mãe natureza,
Que ergueu o Sol no céu,
Depois de tanta escureza …

Depressa que o dia já nasceu
Mas ninguém viu…

Logo cedo a cozinha cheira a café
Cheira a pão com manteiga
E leite com chocolate.
Logo cedo, eles vêem o email
E elas já não os  beijam
Para não borrarem o batom escarlate…

Já é dia, e logo cedo há atropelos nos corredores
E não se ouviram vozes,
nem “Bons dias, meus amores!”

Cada qual prepara a sua marmita
cada um metido no seu mundo
e quando ninguém se  grita
paira na casa um silêncio profundo…

E ouve-se uma porta pesada de madeira
Bater
Que faz as paredes da casa vizinha estremecer,
E lá vão eles no carro top de gama,
apressados
Juntos,
em mundos separados…

Amor logo cedo
Senti a tua mão deslizar
no interior da minha camisa de noite
e senti-me a acordar…
Abraçaste-me, quente
Beijaste-me a orelha com uma dentada
Enquanto a tua mão caminhava,
Desenfreada…

Amor logo cedo
Fomos um abraço sem pressa
Fomos geólogos corporais
Fomos forno
Grão de café
E o teu corpo doce e morno
Arrepiou-me até à ponta do pé,
Arrepiou-me (toda) até não mais…

Amor logo cedo
Vimos a luz solar
O vento
E o luar…

Amor, logo cedo, tomamos banho de meiguices
Contamos histórias arrepiantes (aos ouvidos)
Rimos de tolices,

Acordamos o dia com gemidos…
E as minhas bochechas ficaram coradas
E as nossas sombras mais juntas e apressadas
Receberam o novo dia.
E a minha pele rejuvenesceu
E o teu sorriso que é todo meu
Brilhou mais do que uma estrela guia…

Amor, logo cedo, fomos amor
Pão quente
Sumo de frutos
Mel,
Fomos (pele) torrada,
Calor…
Fomos amor, logo cedo,
Fomos bandeja de sabores saciantes,
Semeamos pelos corpos beijos
Abraços,
Aromas…

E amor, logo cedo,
Enquanto me tomas
Fazendo do amor
Pequeno-almoço,
Beijo-te
Agarro-te o pescoço
Fundindo mais as nossas vidas
Qual diário e seu segredo.
E no escuro, amor, por debaixo do cobertor,
Fomos amor,
Amor logo cedo…




domingo, 6 de dezembro de 2015

Teoria


 

O amor: a teoria mais sensual,
Vestido de papel,
Pintado com todas as cores,
É tela,
Poema,
Vital
É cartilha,
Carta apaixonada,
Listagem de odores.

Têm milhões de páginas escritas,
Expressões ruidosas,
Palavras bonitas…
Há lágrimas impressas,
Gritos aflitos,
Pernas abertas,
Corpos suados,
Caixas de chocolates,
Rosas,
Muitos gritos (calados) …

O amor é pele aquecida pelo Sol,
É casaco de lá
Girassol
Um frasco de perfume.
Então o amor é tudo o que foi desejado
É o futuro presente,
Caminho traçado,
Jardim de flores calcetado com ciúme.

Esta é a teoria mais prática do eixo da Terra
É remédio (santo) para as dores da alma,
Remédio para os que sem alma fazem guerra,
Arma e luz dos mistérios do coração…
O amor é o rei,
É o mágico,
O Papão,
O sapo,
A abóbora,
Aurora celestial.
O amor é o “era uma vez”
É o “ viveram felizes para sempre”,
É o misterioso sapatinho de cristal…

Tem milhões de páginas escritas
É sal,
Tempero,
Que não pode faltar…
Se és pelo amor, porquê não gritas?
Só o amor não pode faltar…
Tudo na teoria do amor é resumo,
Tudo no amor é consumo

E quem não o traz para a vida?
Precisa de o trazer…
Porque o amor é o sal,
O tempero,
O gosto,
E quando a vida não tem gosto
Quem a consegue comer?

sábado, 5 de dezembro de 2015

Não


Não é poesia quem quer, 
mas quem nasce poesia.

Não é pássaro quem voa,

mas quem nasceu com asas para voar.

Não é semente quem é lançado à terra,

mas quem germina depois de sepultado.

Não é amor quem obriga amar, 

mas quem liberta, 
deixando os braços abertos,
para quem parte, 
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