quinta-feira, 31 de março de 2011

Eu


Sou uma ideia, um projecto,
sou uma busca, uma esperança,
sou um zigoto, um embrião, um feto,
sou uma placenta, sou uma criança!
Sou um útero! Sou uma contracção!
Sou aprendiz, sou descendente;
sou intensa, sou dilatação.
Sou um parto! Sou gente!
Sou  tempo ,horas, dias, anos…
Sou uma estrada direita,
sou humana, sou de enganos,
sou uma mulher já feita!
Sou dor, sou ferida, sou cansaço!
Sou geratriz, sou robustez.
Sou a calma, sou a excitação, o abraço,
sou a fonte, o seio, a nudez!
Sou pensamento, sou lágrima, sou alegria!
Sou porto, sou margem, sou céu,
sou uma ruga, uma variz, sou uma estria,
sou real, sou vivida, um verso, sou eu!




segunda-feira, 28 de março de 2011

Adeus

O sol que brilha lá no alto
Traz o gosto de verão,
espalha calor no asfalto,
incendeia – me o coração!

Meu coração incendiado
como uma bola de neve,
que absorve o que lhe é dado
ainda que gigante é sempre leve!

Leve brisa nos cabelos meus
que escondem lágrimas que caem
são como mãos dizendo adeus
àqueles que da nossa vida saem!

Saem, seguindo outro trilho,
outro filme, outra cena
deixando na nossa vida um filho,
que nos lembra, que ainda assim valeu a pena!


domingo, 27 de março de 2011

Onde?


Passo dias… Passo horas,
a ver quanto demoras
para chegares a meu lado.            

Vou contando lentamente,
cada segundo… Cada momento,
até ver – te a mim abraçado.

Pareço cumprir um castigo,
priva – me a vida de estar contigo,
traz – te … Leva – te sem fim…

Enquanto meu corpo definha;
não sinto a tua boca na minha;
não sinto teu corpo em mim…

Amor? Onde estás, querido?
Não respondes ao meu pedido,
não ouves o meu chamado.

Onde andas, amor meu?
Por onde anda o olhar teu?
Que não vê meu rosto molhado!

Não me ouves? Estou bem perto,
bem junto da tua mão,
colhe – me com carinho e jeito.

Vêm amor, leva – me do deserto,
deposita – me no teu coração
e tranca à chave o teu peito.


sábado, 26 de março de 2011

Se há… amor


Se há tristeza em meus olhos infinitos
vem do profundo interior,
que pede socorro a celsos gritos,
rogando, mendigando amor.

Amor não se mendiga,
deve ser oferecido com vontade,
quem amor em seu peito abriga
não deverá deixá – lo cair em enfermidade.

Se há amor…. Se há sentimento,
guardá –lo mudo não se deve,
porque amor precisa de reconhecimento,
precisa de uma mão, um gesto que o leve!

O amor não é de viver calado,
é para ser quadro, carta, poema,
é para andar no corpo, na boca, ser cantado,
da vida do homem ser o lema!

Se há dentro de ti magia
reconhecida como sendo o amor,
faz dela um Jardim de alegria,
regando a cada dia essa flor!

O amor! Sim! O amor!
Que agita a calma mais quieta.
É ele que ouvimos na voz do cantor!
É ele que lemos no verso do poeta!

terça-feira, 22 de março de 2011

Silêncio

Não é hábito sentir
essa vontade de fugir,
uma busca em desespero.
Mas hoje, o que me limita
é essa voz sufocada que grita,
esse silêncio austero.

Engoli o meu sofrimento,
para que não o levasse o vento,
por aí, de boca em boca.
Queria a voz sair da garganta,
mas fica presa, pela dor ser tanta,
não se mostra, ficou rouca!

E os olhos caminham colados ao chão,
tentando esconder abraços de paixão,
fumo do fogo da fogueira em chama;
Passando ao lado e ignorando cruelmente,
quem vive por vezes dentro da gente,
aquele alguém que tanto se ama!


segunda-feira, 21 de março de 2011

Março


Perfumada, sou uma flor,
desperta na madrugada.
na lembrança o amor,
no corpo a geada!

Acordei, era uma fera
mordendo a vida com o pensamento.
Nasceu em mim a primavera,
brotaram – me flores por dentro!

Renovado foi o sonho, em mim tecido
com fios de Março e de linho.
Sou hoje o pássaro outrora ferido,
batendo asas, deixando o ninho!


sábado, 19 de março de 2011

A dor da Mãe minha

Mãe feita de tantos sofrimentos…
Quanta dor meu Deus!
Deixou de viver seus momentos
para que eu pudesse viver os meus.

Ao abrigo da dor vive percorrendo
a mais dura caminhada descalça
e na valeta da vida sofrendo
com a mentira… uma alegria falsa!

Dedicou toda uma vida … única,
a um ser, que ser seu pensou,
se escondendo por debaixo de negra túnica
tecida por quem a maltratou.

Escapa de lado para lado,
sobrevivendo á dor que se confessa
pedindo a Deus em seu brado,
felicidade cheia de pressa!

Matou - te este ser sem piedade,
com o desprezo, dia após dia…
Por ser doente,  um abismo de insanidade
semeador de discórdia e ironia.

Por entre lágrimas e lamentos
muitos dias adormeci,
deitada em raiva e juramentos
de que jamais seria igual a ti!

Triste mulher foste, mãe triste o eras,
perdeste o brilho do azul olhar,
escapou – te a vida sem primaveras,
cresci a ver – te chorar…

Queria tanto poder mostrar – te,
que deves agarrar bem o que te resta,
e a antes de qualquer ser deves amar – te
pois de vida, só tens esta!

sexta-feira, 18 de março de 2011

Ao meu filho

No canto do quarto lá está,
o berço castanho de madeira,
e nele repousa o amor que em mim há,
a dedicação, a loucura, a força inteira.
Sonha talvez com estrelas e brinquedos.
Faz me imaginar o futuro que espreita
e se esguia para meus braços, apertando seus medos,
da noite que o aterroriza; em minha calma se deita…
E aqueles que não abriram seu ser e seu ventre,
para dar vida e ser parte do mundo cá de fora,
tentam roubar um segundo de vida inocente.
Jamais! Dói demais ter de vê – lo um dia ir embora…
É de todos os sonhos, o mais real,
o ar do meu dia, que enche meu pulmão.
É a graça de Deus mais querida e divinal,
que preenche a falta que há em meu coração!
Amo te acima da luz e da lua,
encaro Satanás para ver – te a meu lado…
A alma de mãe, desta mãe tua
só tem olhos para ti, meu filho adorado.
Enquanto dormes no canto do quarto
viajo numa busca em corda pendente,
e entre lágrimas regresso e parto,
fazendo de tudo, para sempre ter – te,

meu descendente.
Procuro então uma razão para tomar,
um rumo contrário, outro sul,
me erguendo, na esperança de me tornar
A mãe mais amada, por meu filho… Raúl…

quarta-feira, 16 de março de 2011

Desconhecido



Vens vestido de mar
Com acessórios de luar
E o cabelo macio,
trazes nas mãos experiências
no peito dores e carências
No coração, um vazio.

Vais – te desabotoando … despindo,
ao mesmo tempo, que sentindo,
um frio quente de sedução…
Tiras a roupa, das costas, o medo
Entregas – te , contas teu segredo
Ficas no meu espaço… constelação…

E não és mais do que um miúdo,
à procura do seu conteúdo,
que acredita estar perdido.
Sem roupas. Sem vida. Sem norte,
entregas – te nas mãos da sorte,
embrenhas – te em mim, no desconhecido.

Os olhares que te vêem, perceber não te sabem
não decifram, em ti, onde cabem
tantos sorrisos e alegrias.
És pedra camuflada. Desconhecido mistério.
És o inesperado. O amor a sério,
tornado a luz dos meus dias!


domingo, 13 de março de 2011

Mergulho



Só tu decifras minhas codificações,

fazes–me tomografia com o olhar,

descobres e sacias minhas pretensões,

olhas não para ver mas para apanhar!




São como redes camufladas,aos folhos,

atraindo como isco,como teia;

enrolas–me com o arpão dos teus olhos,

descobrindo meu esconderijo de sereia.




E sou eu uma caravela naufragada

em calmas águas mergulhada,

como se vivesse num pedestal.




Ansiando levemente sem barulho

a tua loucura em mergulho,

a tua conquista em meu coral!

sábado, 12 de março de 2011

Irmã de vida



Sem a força do sangue, quis a vida
que minha estrada destinada, erigida,
se cruzasse às linhas do teu caminhar,
fazendo da convivência saudável,
a amizade, a irmandade inigualável,
a baía , onde os remos descansar.

Muito embora as palavras me habitem,
tantas que eu diga não transmitem,
tudo o que sinto em mim, cá dentro.
Para tal decidi em papel gravar...
escrever - te! És ser alegre ... de confiar,
seja qual for o momento.

Tecemos linhas de confiança e compreensão,
onde se respeita a convicção
defendida por cada personalidade.
És como um poço, um cofre, um regaço
que ampara meu desabafo sem cansaço,
ouvindo sem julgar... é tua amizade!

Tomara que tais caminhos permaneçam
intocáveis, em conjunto... não se esqueçam,
seguindo lado a lado, como quem abraça.
És pássaro que canta na manhã
a saudar - me, és quem escolhi na vida para irmã,
minha amiga... mulher linda... uma Graça!

terça-feira, 8 de março de 2011

Mulher


O corpo de uma mulher
é como uma verdejante planície,
é como uma nuvem, um malmequer,
é da montanha a superfície!

O corpo de uma mulher

é uma ilha deserta,
rodeada de prazer...
... porta entreaberta...

O corpo de uma mulher

é uma caixa de Pandora,
é como uma boca que sem querer
mastiga, degusta...devora!

O corpo de uma mulher

é uma nau a partir,
é a terra a estremecer...
é um continente a descobrir!

O corpo de uma mulher

é musicado, como um acordeão,
dividido entre a força do saber
e o poder do coração!

O corpo desta mulher

é um diário com  intensos segredos,
que delicadamente poderás ler
apenas com as pontas dos dedos...

segunda-feira, 7 de março de 2011

Desabafo


Tenho saudades.

Tenho frio.

Tenho verdades.

Tenho um vazio.

Sinto tua ausência.

Sinto teu cheiro.

Sinto carência.

Sinto teu corpo inteiro.

Quero teu beijo.

Quero teu ser.

Quero teu desejo.

Quero teu prazer.

Preciso de ar.

Preciso da lua.

Preciso te abraçar.

Preciso ser tua!

quinta-feira, 3 de março de 2011

Valiosa



Na tua boca sedenta de saliva
transformas - me num pedaço de mar,
inundando meu corpo de forma explosiva
deixas minha praia a transbordar!

Na tua boca sou uma lagoa
carregada de nenúfares e magia,
visitada por um pássaro que entoa
cânticos de amor e de alegria!

Na tua boca, perdida entre  os lábios,
que me acham de forma repetida,
não fazem ideia os mais sábios
que sabor dá tua boca à minha vida!

A tua boca, que faz mapas da minha calada,
que me chama de mulher valiosa,
mostra - me que o mundo passou a ser nada
se longe estou da tua boca gostosa!

Na tua boca... ai nessa boca,
onde tantas vezes renasci,
que faz de mim uma louca,
louca, tão louca por ti!

terça-feira, 1 de março de 2011

Renascer

De olhos fechados , ainda consigo sentir
a maciez da tua pele suada
num vai vêm de chegar e de partir,
do teu corpo em alvorada!

De olhos fechados ainda vejo,
a força do amor que há em ti,
que me acolhe e me enche de desejo
desde o momento que te descobri...

De olhos fechados, estás por perto
qual chuva intensa num dilúvio,
enches - me como a areia no deserto,
és a erupção do meu Vesúvio!!!

De olhos fechados ... és tão real...
encurto assim a  distância e a saudade louca,
revivendo cada momento especial
a força do abraço, o sabor da boca!

De olhos fechados não vejo um fim,
sinto mais fé... mais força... há mais lua,
e tenho a certeza que serás para mim
pleno,da mesma forma que já sou tua!