terça-feira, 31 de maio de 2011

Novo dia



Eu vi o dia a despontar;
a escuridão dando lugar à claridade.
pela fresta da cortina pude notar
que este dia é já uma realidade!

Embora dorida pelas tortuosas caminhadas
e sentindo que entrei na vida em contra mão,
tento desvalorizar todas as pisadas
que me diminuem e me afugentam.

Tenho dias que não quero ver a luz ;
preferia que noite fosse, eternamente,
pois, nem sempre o novo dia me seduz,
nem sempre quero que o sol me acalente…

Tenho  um frio resistente, que não passa,
acordou-me rindo, de mim desdenhando;
lembrou-me cruelmente que não me abraça
ninguém !É vazio o leito, onde eu ando!

Não sei mais, quanto tempo vou resistir,
é difícil viver de migalhas, de sonhos, de hesitações…
Minhas forças começam a diminuir
e os ruins pensamentos, em mim, são campeões…

A vida grita comigo, para me recordar,
que cada momento que passa, não mais regressa,
que eu posso ser pássaro. Que posso voar,
em meu mundo de sonhos… sem pressa!

Mas eu queria ser apenas, como um novo dia,
sem nada escrito nas minhas páginas, para que pudesse
escrever a meu gosto uma história de fantasia
e as personagens fossem elas, quem eu quisesse!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Receios

 
Fez -  se noite no meu olhar
quando me pus a imaginar,
que era possível desviar meu caminho,
para longe do teu,
onde tantas vezes, o rosto meu
foi inundado por manifestações de carinho…

Cheguei a pensar dizer – te que afinal
o que sentia por ti, não era especial,
havia sido a consequência,
de um mal entendido,
de um coração bandido
ou de algum momento de carência…

Fechei – me no quarto
de onde tantas vezes parto,
para uma dimensão, que ninguém conhece;
deixando cair minhas lágrimas na almofada,
por me doer a alma magoada;
por tanto querer quem não me esquece…

Também tenho meus receios,
também já tive dias feios;
a arte da vida está em continuar,
escolhendo o amor que nos inunda,
ou então uma situação que nos afunda,
enquanto vemos nossa vida a passar!

Ninguém nos bate á porta sem razão,
a vida tem caminhos que nós não
deciframos então, imediatamente.
Todo aquele que cruza nossa vida,
trás uma missão a ser cumprida,
grava nossa vida definitivamente.

Eu quero adormecer sem pensar
e pela manhã, conseguir acordar,
como quem acorda numa manhã de frio;
erguer – me das mágoas sem desdém,
certa de que não amo ninguém,
de que trago o coração vazio…

Porque é bem mais fácil não amar,
podemos levar a vida sem pensar…
Como seria tudo tão diferente?!
Se o coração, esse desgraçado,
não vivesse sempre apaixonado,
tão entregue… tão carente…

domingo, 29 de maio de 2011

Poço fundo

 
Dentro de mim gerou - se a confusão;
a procura incessante da tua companhia;
a necessidade do toque da tua mão;
o som da tua voz, me desejando “ Bom dia”!

O calor do teu corpo colado no meu;
o gosto dos teus lábios molhados e quentes,
perdidos no meu corpo, que queres só teu;
a força dos teus beijos carinhosos … ardentes…

Eu recordo tudo… cada momento nosso;
relembro a alegria, que me faz chorar,
pois desci muito fundo, sozinha, num poço,
e agora percebi, que não me irás buscar!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Fénix


Nunca havia estado, tanto tempo perdida,
dentro do infinito de um olhar,
como se eu fosse uma Fénix renascida
envolta em intenso fogo e em mar!

Entrei um pouco para perceber,
qual a intensidade da magia,
o  que me agarrava com prazer;
o que me envolvia em alegria…

Após entrar, jamais saí…
fui colhida com amor e jeito,
e desde então, ao olhar para dentro de ti
vejo – me aninhada em teu peito!

Descanso nele minha cabeça e tenho paz;
deixo me embalar por batimentos de força e vida,
ganhando  novo alento, tornando – me capaz
de te dar a mão firmemente e seguir destemida.

Maior fortuna


Jóias? Não! Não as preciso,
minha maior fortuna está no coração;
quem me amar ,que me ofereça o paraíso
construído com carinho e com paixão!

Flores? Feitas de perfume e cetim?!
Prefiro vê–las na terra a crescer,
pois eu mereço um infinito jardim,
onde borboleta,eu possa ser!

Riqueza? Nunca,na vida te persegui!
P’rá minha vida,sonho outras alegrias,
pois nada trazia nas mãos, quando nasci,
e sei que morro e parto de mãos vazias.

Não!Sei bem,não tenho preço!
Sou grão de areia em praia iluminada;
Sei o que sou e tudo o que mereço,
e  sei que mereço ser muito amada.


terça-feira, 24 de maio de 2011

O grito do meu silêncio


A Solidão grita louca já sem parar,
é como se fosse rio de meandros cheio,
que anseia entregar – se ao mar,
sem qualquer reserva nem receio.

Demonstra intensamente sua aflição
no demorado arregalar dos olhos, em busca,
sufocando friamente a voz do coração
que lhe grita, incomoda e ofusca!

Seres do mundo, não sabem que este foi criado,
para ser do amor o nobre reinado,
vivem carregando nas almas um coração vazio!

Cerro então minha boca, para não deixar fugir,
tentando desesperadamente, esta dor engolir,
calando – a, com o grito do meu silêncio!


domingo, 22 de maio de 2011

Sentir - te em mim



O dia todo, viveu em mim um arrepio,
companheiro de um apaixonante odor sagaz,
trouxe á mente minha, em desafio,
lembranças de um momento tão fugaz!

O odor do teu corpo quente, em exaltação,
misturado com sentimento, desejo e suor,
vive em minha pele provocando inundação;
Inconscientemente sou toda feita de tremor…

Respirando todo o ar, bem fortemente,
como se necessário uma inalação permanente,
consigo sentir todos os cheiros, que eu sei reais.

Deixo então que me penetrem… me inundem,
como se eu fosse um óvulo… pois, que me fecundem!
Já que sentir – te em mim, nunca é demais…

sábado, 21 de maio de 2011

Perto do fim



Correm boatos que o mundo estará
perto do fim, que acabará;
que Deus destruirá a Terra!
Que se inicia uma grande guerra…

A guerra é a que temos nos interiores
estas, onde nós matamos os amores;
nas que cortamos os ternos laços;
onde nos agredimos ao invés dos abraços…

E o fogo que nos incendiará,
pena não ser o da paixão, mas será
o da ganância, do egoísmo e do poder.

Pois iremos perceber, embora já tarde,
que a vida é o fogo intenso, que em nós arde,
E que muitas vezes nos esquecemos de viver!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Mar de memórias



Hoje novamente, me encontrei sem direcção;
dirigi sem rumo, até mesmo sem pensar,
fui na busca de um caminho, que nós ainda não
tivéssemos andado a percorrer e a desbravar.

Só ouvia, constantemente o teu chamar,
deixando minha mente de lembranças tão cheia!
A dança sincronizada das ondas do mar…
O borbulhar do silêncio nos grãos de areia…

E alimento compulsivamente, a esperança minha,
mantendo desta forma vivo o amor
que me surgiu inesperado na vida, e se aninha,
trazendo vida nova, alegria, mas também dor!

Dor porque a ausência não se contorna.
Quem amamos povoa-nos todo o ser…
Mas o coração é exigente, não se conforma;
os olhos têm de sentir, as mãos têm de ver!

Chorei! Chorei! Aumentei as águas…
Deixei – me levar nas ondas, para atingir a calma…
Aliviei um pouco essas minhas mágoas,
sosseguei um pouco a minha alma.

Sei que ainda me restam as memórias
e as fotografias que te tirei com o olhar;
ainda poderei ler ao espelho, nos olhos, as histórias
que escrevi junto contigo , ao te amar!

Mas só esse mar que está à minha frente
sabe a grandeza deste sentimento que vivi…
Só ele conhece a vontade permanente
que tenho de continuar dentro de ti.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Esse doer no coração



À tua espera
e esquecida de mim,
tem sido minha vida…
… tenho vivido assim!

Entre lembranças e saudades
tantas vezes adormeci,
cansada do cair da lágrima,
me sentindo abraçada a ti…

Procuro um sinal teu!
Um cruzar do olhar antigo;
o teu abraço… e o beijo…
o meu porto de abrigo…

Eu tento… fugir…
até tento não lembrar;
mas tua imagem vive a surgir,
volta em mim, sempre, ao acordar…

Desejo não mais respirar!
Queria ser cinzas de uma lembrança , no mundo…
é que quando respiro, não pára de gritar
esse doer no coração… tão fundo…

terça-feira, 17 de maio de 2011

Tu


 
Tu, não és uma pedra dura,
nem feito és do mais frio gelo,
apenas escondes teus sonhos e tua ternura
pintando na tua vida um pesadelo…

Tu, não és de maldade tecido!
Eu vejo no teu olhar esconderijos de papel,
onde teimas ficar escondido,
limpando as gotas, que te escorrem, de mel.

Tu não és uma alma vazia
que caminhe adiante sem olhar.
Apenas temes o amor e a alegria,
assim… desistes de lutar…

Tu não és um ser insensato
achas  só ,que tua vida não vale nada,
e então anulas – te , és ingrato,
deixas tão vazia a tua estrada…

Tu não sonhas com receio
e se sonhas não te aventuras,
deixas teus projectos ficar a meio
desfrutas  sozinho  tuas amarguras…

Tu não vives! Vais vivendo!
Acomodas – te na tua tradicional teia,
não te apercebes que vais morrendo
de cabeça soterrada na areia …

Tu , esqueceste de seguir , sem temer,
sem largar a mão de quem dizias amar tanto,
e agora passas teus dias a ver morrer
o amor , sem forma de renascer… em pranto…

Tu não entendes que amor não se planta,
nasce sem semente e cheio de zelos…
que embora o mates , ainda assim não adianta
lembrarás sempre que vires o branquear dos teus cabelos!

Tu não fazes as viagens que idealizas.
Teu barco dos sonhos não sai do porto.
Não deixas que te aqueçam o rosto, as brisas…
Não notas? Que vives por aí, já morto?!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Jardim inteiro


Passaste suave num jardim
onde sentiste meu perfume no ar,
e desde então que sou assim,
como se fosse o teu respirar.

Sou a tua rosa em botão,
que se alimenta no teu abraço,
perfumo–te a vida,o coração,
embelezo  teu regaço.

Regas–me com beijos e guarida,
misturando com o meu, o teu cheiro,
colhes com jeito minha pétala caída,
regas de amor meu jardim inteiro.

Cuidas de mim,és sol e rega,
és chama ardente do meu lume;
és todo corpo em entrega,
o louco aroma do meu perfume.

domingo, 8 de maio de 2011

Menina Poesia



Do cheiro da terra colhi a inquietante inspiração,
a intensidade  das palavras, é fruto  da maresia;
junto – as assim, perfeitas, neste meu coração,
carregado de sensibilidade e terna poesia.

Nasci cedo, no mês das mais belas flores,
sou toda Maio, sou um pássaro, sou andor;
sou as verdes lagoas das ilhas dos Açores
compondo e declamando poemas de amor!

Em minha Angra atracam pensamentos,
trazidos em botes baleeiros de sentimentos,
resgatados na linha do horizonte,tão fina…

Nasci, minha querida mãe! Desejada e forte,
lutando, construindo pilares sólidos p’rá sorte,
sendo sempre eu, em versos, mãe. Eu! A tua menina.









sábado, 7 de maio de 2011

Dança das línguas



A minha língua era como terra de ninguém,
deixada por cultivar e ao abandono,
povoada por corvos em harém,
em queda,como as folhas no Outono!

A tua língua,trazia o gosto da resiliência,
trazia papilas,em séquito degradado,
que procuravam uma razão de existência,
ansiando uma terra,onde ser arado.

Juntas,entre bocas que as ostentam,
tanto saem agitadas,como entram,
mostrando,do amor,toda a pujança;

Procurando na húmida boca desejada
a tão almejada porta de entrada,
onde as línguas se entregam em dança!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Eu contei…

 
Eu contei a toda a gente
sobre o amor que a gente sente,
dos olhares, dos sorrisos, dos desejos.
Eu contei da nossa paixão,
do toque da tua mão,
do veludo dos teus beijos.

Eu contei que fazes – me feliz;
que és alguém que sempre quis,
quem me conforta na dor;
contei que contigo o tempo pára;
que a teu lado sou jóia rara;
contei que és o meu amor!

Eu contei que alegria és,
que me iluminas da cabeça aos pés,
quando meus cabelos acaricias.
contei que com o abraço nosso
ou com o teu beijo no meu pescoço,
Toda eu, tu arrepias…

Contei que mesmo longe, estamos perto;
que és a certeza no incerto;
que sou o nome por qual chamas.
Contei que teus olhos ao verem – me chegar,
sorriem e brilham sem parar,
pois, sou a mulher que tu amas!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Aroma


A intensidade de um olhar,
levou – te a buscar – me na distância,
correndo por instinto… sem pensar,
ansiando inalar minha fragrância…


Uma vez impregnada em tua tez
fui como um vício imparável,
que buscavas em cada nova vez
repleto de uma sede insaciável.


E na humidade quente da boca tua
a minha, já sedenta e seca de excitação,
pedia – te calada que me deixasses... nua
que libertasses teu corpo em erecção…


Em silêncio os corpos falaram... gemendo…
Entregues… distantes… suados,
livres de olhares, aparências e querendo
eternamente ficar encaixados...


Uma vez entregue, em teus braços resistentes
e na totalidade de teus músculos possantes,
meus seios foram fonte de água… quentes…
Minha anca oceano de movimentos incessantes…


E se foi sexo… amor…entusiasmo,
carência… paixão ou desatino…
Sei lá… ainda sinto a intensidade do teu orgasmo
despertando meu aroma natural feminino!

terça-feira, 3 de maio de 2011

Soneto Verdade

 
A alma também envelhece
à medida que o tempo corre,
a  força diminui, o corpo morre,
só a memória não esquece!

Os dias contados tornam – se meses;
os meses traduzem – se em anos;
e  apercebemo – nos que somos humanos,
e erramos tantas vezes…

Embora haja quem diga ser pecado
amar intensamente e ser amado,
caso pudesse ,não corrigia minha imprudência…

Pois o amor teu, foi a luz do meu dia…
A razão de vida, a minha alegria…
O amor maior da minha existência!

domingo, 1 de maio de 2011

Pedaços de uma Mulher


Estas palavras que aqui deposito
são como as lanças que me agoniam,
que destroem o meu peito aflito,
me esfaqueiam,me esvaziam…

São palavras sentimentos que me esvoaçam
que eu temi tantas vezes exprimir,
por saber que ao dizê–las,já não me abraçam
os braços, que tantas vezes,loucamente,pude sentir.

E vou eu, como outras vezes no passado,
percorrer,entre lágrimas e tristeza,o corredor,
tentando recuperar meu coração despedaçado
por procurar e acreditar tanto no amor!

Embora devagar,passo a passo,
sentindo uma imensa vontade de ruir,
tentarei colher para o meu regaço
os pedaços de mim para me reconstruir.

Irei no amanhã olhar com prudente calma,
esconderei o meu olhar,a minha essência…
Não deixarei ninguém encontrar neles a minha alma
viverei guardando bem guardada  minha carência…

E sentada a escrever,tanto que rastejo…
Pois é assim que me sinto,no poço, no fundo…
Apagaste em mim o futuro,o desejo,
foi como se me expulsasses do mundo.

Deposito com dor e amargura abundante
este poema,que encerra na minha vida um capítulo,
como se eu fosse um livro preso numa estante
e tu deste livro fosses o título…

Sem dúvida,deixaste–te escrito… ferrado
nas páginas da minha vida,que não posso reescrever,
mudando a história do meu olhar,que sabias,já tão marcado,
criando mais em mim pedaços de uma Mulher!