quinta-feira, 30 de junho de 2011

Minha alma(tua)


O dia que me olhaste
Não olhaste meus olhos,
Olhaste meu eu…
O dia que te mostraste
Não mostraste teu ser,
Mostraste – me o céu…

O dia que me tocaste
Não tocaste minha pele,
Tocaste minha essência…
O dia que me faltaste
Não aumentaste meu orgulho,
Aumentaste minha carência…

O dia que me beijaste
Não beijaste minha boca,
Beijaste meu sentimento…
O dia que me abraçaste
Não abraçaste meu peito,
Abraçaste – me por dentro…

O dia que sofreste
Não sofreste sozinho,
Sofreste e eu por ti…
O dia que me perdeste
Não perdeste o teu caminho,
Perdeste tudo o que perdi…

O dia que te declaraste
Não declaraste teu desejo,
Declaraste em mim a calma…
O dia que me amaste
Não amaste meu corpo,
Amaste a minha alma…

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Carta de despedida


Estou de partida!
Novamente; é minha vida!
Levo nas mãos calejadas
tantas águas passadas!
Levo no meu peito,
o orgulho desfeito!
Nos ombros meus,
o peso do adeus!
Dentro da mala
a voz que já não fala!
De rumo ao berço
quase desvaneço!

Estou de partida;
engolindo a lágrima da ferida!
Levo o peso da solidão
e a urna do coração!
Levo em mim tudo o que sei,
levo os que amo e os que amei!
Aos ombros grosseiros
carregos os herdeiros!
Dentro da mala
uma dor que me estala!
Sem norte nem rumo
desfaço – me como fumo!

Estou de partida
voltando ainda mais corroída!
Levo sonhos sem validade
arruinados pela saudade!
Levo nos olhos olhares,
sorrisos, abraços, lugares!
Sobre os ombros
edificações e escombros!
Dentro da mala ,vão partidos ossos,
dor ,tristeza e os meus destroços!
Extraviada parto em fracasso,
levando o cheiro, o beijo, o abraço!

Estou de partida,
não vendo ninguém na saída!
Levo algo que nunca pude ter,
e sabores, que não consigo descrever!
Levo noites e alegrias ao acordar
que apenas, possuí, por as sonhar!
Na carga, aos ombros
levo fantasmas e seus assombros!
Dentro da mala levo dores,
raivas , culpados , estupores!
Sumindo, levo quadros antigos,
pinturas dos verídicos amigos!

Estou de partida!
Mais, muito mais destruída!
Levo na ilha da alma
a ansiedade pela calma!
Levo o reflexo da lua no mar
e o amor cheio de vontade de amar!
A bagagem posta nos ombros cansados
são os momentos vividos e os sonhados!
Dentro da mala vão inseguros, heróis e medrosos,
honestos, traidores e os mentirosos!
Desorientada, olhar para trás, não quero!
Vou! Partindo da estaca zero!

terça-feira, 28 de junho de 2011

Velhice


Sou um livro quase escrito
em papel de experiência.
Sou um poço infinito
entre a gratidão e a carência!

Sou de vida , uma história,
gravada em mar de lembrança.
Sou mais valia, sou a memória,
de novo, sou uma criança!

Sou um todo neste mundo,
que ainda tudo , não disse.
Sou o inicio de um amor profundo,
a lembrança da tua velhice!

Sou ruga do tempo que passou,
que permanece no presente.
Sou o futuro que sonho… aqui estou!
Vivo! Idoso! Mas gente!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Tolo!Tolo!Mil vezes tolo!



Quando nasceste alguém te disse,
que amar intensamente era tolice?
Se o fizeram,foram bocas malfazejas,
que não foram felizes e não querem que tu sejas!

Quando partes com o coração dilacerado,
de gritares que me amas, mas não dormes a meu lado,
dói - te a alma , que revoltada, te morre em segredo...
tudo fruto de uma caminhada feita de fraqueza e de medo!

Quando nasceste, por acaso, vinhas fadado
a viver  de aparências , tão infeliz e acorrentado?
Se assim te deixas viver em perfeito dolo,
é porque és tolo! Tolo! Mil vezes tolo!




domingo, 26 de junho de 2011

Louca



Sou louca! É o amor!
Sou louca! É a alegria!
Sou louca! Recuso a dor!
Quero continuar louca a cada dia!

Sou louca! Sinto a vida!
Sou louca! Pois, quero viver!
Sou louca! Perdida!
Quero ser louca até morrer!

Sou louca! Sorrio!  
Sou louca! É de sonhar!
Sou louca! É o cio!
Quero ser louca e amar!

Sou louca! Sou! Então?
Sou louca! Quero o céu!
Sou louca, na alma, no coração!
Quero sempre ser louca, para ser eu!

terça-feira, 21 de junho de 2011

Uma árvore qualquer



Nasci como nasce uma árvore qualquer,
mas em torneada silhueta de mulher,
onde o vento brinca, entre a anca e os seios!
Minha folhagem tem o mistério das cavernas;
possuem a força dos troncos, as minhas pernas,
e os meus ramos, são de ninhos de sonhos, tão cheios.

Vou – me desfolhando, como se Outono fosse…
em cada folha, deposito a minha parte mais doce,
deixando em cada campo um rasto da minha raiz.
Sigo, adiante numa busca incessante e dolorosa,
buscando uma alma que me seja honrosa,
que não me traia, me regue e me faça feliz!

Nasci uma árvore carregada de sensibilidade,
onde as palavras, tanto me prendem como dão liberdade,
resultando da minha vida um poema, como fruto!
Sou uma árvore transformada em folhas de papel desnudo;
escrevo –me!Escrevo nestas vazias folhas de papel,tudo
o que me ressuscita; o que me mata; o que me traz luto…

Na minha copa sobrevoam pássaros em corrupio,
saciando a sede nas minhas lágrimas, que formam rio,
e que vão desenhando meandros, à passagem no meu leito.
Sinto - me desaguar, devagar , em mim, novamente
e toda a aragem que  me agita docemente
vai assim escrevendo versos, nas páginas do meu peito.

Vou crescendo a cada tempestade que me destrói,
Dando a minha vida, como sombra, a quem me mói
corroendo meu íntimo, como se de vida sedento.
Nasci como árvore, só, num deserto extenso
Onde distribuo meu sentir poético num sentimento imenso,
permitindo que rasgue as folhas do meu livro, o vento…

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Assassinada



Eu ainda não sei
Se foste um caso ou o acaso,
Se foste o mar ou o amar,
Se foste um deus ou o adeus…
Eu ainda não sei
se foste fera ou esfera,
se foste ouro ou tesouro,
se foste canto ou desencanto…

Sei ainda, que dentro de mim,
és  o aroma do jardim
que me transporta!
Sei que eras a vida que procurava,
o futuro que desejava,
eras o não me sentir mais morta…


Eu ainda não sei
se foste felicidade ou infelicidade,
se foste feito os desfeito,
se foste arma ou carma…
Eu ainda não sei
se foste humano ou desumano,
se foste linho ou desalinho,
se foste água ou mágoa …

Sei ainda que dentro do meu ser
uma parte quer – te querer,
sem se importar com nada…
Sei ainda ouvir gritos marcantes,
me alertando, para que fuja antes,
do que pelo que és, seja assassinada…

Quarto vazio


Sou um quarto vazio
sem portas nem janelas,
onde não circula o ar e mora o frio,
de onde foram levadas as coisas belas…

Sou um quarto bolorento,
desabitado,abandonado pelo proprietário…
sou vazia,sem ornamentos,
levaram meu mobiliário…

Sou um quarto fechado,
perdido,esquecido,qual alçapão;
negro,sufocante,não pintado…
Vazio!Assustador!Sem iluminação…

Sou um quarto,um quarto só…
Sem nada!De memórias carregado.
Memórias,que desejo,se transformem,em pó,
e sob este pó encontrem meu corpo… enterrado…

Sou um quarto vazio…
Sou vazia… sem ornamento…
Perdida… onde mora um frio,
que só não me enregela  o sofrimento…

domingo, 19 de junho de 2011

Voz calada




Calada, escutei teus temores!
Senti teu olhar fugir…
Denunciaste tua revolta nos tremores,
como se o gelo te tivesse a possuir…

Eu tentei iluminar teu caminho,
com a luz do amor, em meu olhar,
dizendo–te que não estavas sozinho,
que iria a teu lado caminhar…

O desconhecido assustou-te, como a tantos de nós,
que desistimos de erguer, bem alto a nossa voz
em forma de luta pelo que acreditamos.

Fomos todos severamente enganados!
Ensinaram-nos que estamos cruelmente errados
quando lutamos, sem hesitar, pelo que amamos!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Tão presente no meu futuro


 

Ouço o bater do meu coração!
Ouço a tua ofegante respiração!
Ouço o teu animal gemido…
Ouço tuas palavras profanas!
Ouço tuas vontades insanas!
Ouço desejares – me… ao ouvido…

Sinto anjos e demónios em coros!
Sinto teu deleite saltar – te dos poros!
Sinto a tua língua num percurso sem nexo!
Sinto a intensidade do teu querer…
Sinto o calor e o furor do teu prazer …
sinto – me sentindo – te  no meu sexo!

Vejo o amor no teu olhar!
Vejo – te parado… tentando entrar.
Vejo o quanto me abraças com jeito!
Vejo o caminho da tua mão!
Vejo a vontade e a química do teu coração!
Vejo – me a preencher – te, com a voz, o peito…

Ouço a música que me dedicas…
Sinto que quando sais, ainda ficas…
Vejo sempre tua luz no meu escuro…
Ouço tuas palavras dizendo que me amas!
Sinto – te, e mesmo à distância, meu corpo inflamas …
Vejo – te como no passado, tão presente no meu futuro...

Aura



Todo o mar não tem conseguido afogar
em mim este sentimento que me raptou;
levou–me num repente a viajar,
numa viagem que nunca mais acabou!

Meu coração parou de funcionar.
Não são mais certas suas pulsações.
Vive constantemente a disparar,
anda louco,com tantas sensações!

Esse sentimento que eu queria gritar
vive sufocado,camuflado,envolto em magia…
É o pensamento derradeiro ao me deitar;
é o primeiro a cada raiar do novo dia.

Vivo a ser invadida por tudo o que me rodeia.
Tudo o que existe,traz-te,causando em mim um arrepio…
Há momentos que tornam a minha vida tão cheia,
outros, tão cheios,de um triste vazio…

É este amor então,a força matinal que me desperta!
É a letra da música que ao tocar me restaura.
Mantém–me viva,quando a dor da saudade aperta!
Ilumina de inspiração,o meu ser e a minha aura...

domingo, 12 de junho de 2011

Já não te amo mais




Deixaste que eu morresse dentro de ti,
por não saberes cultivar e fazer florir
em mim, o amor que um dia senti,
e que me levou a deixar tudo e partir.

Muitas vezes, rodeada pela multidão
te alertei que o sentimento que em mim se mantinha,
era o da incansável e imensa solidão,
que me levava arrastada por desertos … sozinha!

Nem te deste conta, porque não te importa;
recebi desprezo após ter perseguido valores e lutado,
tantas vezes gritei que me sentia morta
quando te empurrava na vida e nem seguias a meu lado…

Que mais posso dizer, que não tenha gosto a fel?!
Palavras suaves, serão agora sempre  tão mortais,
posso apenas dizer que enquanto te amei, fui-te fiel,
mas que agora… já não te amo mais!

sábado, 11 de junho de 2011

Tudo ... e nada!


Quando o dia me deixa só comigo,
corro o tempo e  desarrumo as lembranças,
aí viajo e por fim, encontro-me contigo,
entro nas nossas risadas, que nos tornaram crianças.

Quando o dia me proporciona um espaço,
e todas as recordações ficam eminentes,
eu relembro a veloz corrida para o abraço,
o amor feito, como o dos adolescentes…

Quando o dia se cansa da luz e quer a lua,
testemunha e confidente de tudo o que foi nosso,
eu fico mais longe de mim, mais perto de ser tua…
recordações, é o que tenho; lembrar–me,só isso posso…

Quando o dia termina,não termina então meu pensar;
continuo revivendo momentos, que compõem minha estrada,
continuo a sentir intensamente o amor e a desejar,
não ser, nem deixar de ser, o que fui na tua vida:tudo… e nada!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Boca


Esfomeada, a boca, que me prende,
como se fosse eu, prisioneira numa gruta,
é ela, que tanto me ataca como me defende,
que dita as regras, impõe a luta...

Comparável a um misterioso cofre,
que ao abrirem – se todos os cadeados de ouro,
alivia – se a ansiedade e a dor de quem sofre,
através da partilha do beijo, tornado tesouro.

O abrir dos lábios suaves, em procura,
dos lábios que mesmo calados tanto falam,
transforma momentos… pára o tempo com ternura,
deixando falar os olhos, que não se calam .

Esfomeada, a boca , que me prende,
já colada a meus lábios, como se imortal,
conquista territórios na minha boca, que se rende
deixando vitoriosa e saciada essa fera carnal.

Lábios… língua! Saliva … numa mistura louca,
são parte de um sentir. São a forma de grito!
Deixa – me entrar em ti, pela tua boca,
e habitar – te ferozmente num beijo infinito…


segunda-feira, 6 de junho de 2011

Ecdise


Quero despir esta minha pele, esta  minha imagem
que me impuseram quando nasci e eu nem queria!
Quero ser  livre ,leve brisa, uma suave aragem,
cansei – me de ser sempre  a força da ventania.

Preciso ser eu a provar toda a maciez,
do conforto de um colo aconchegante !
Suplico, nem que seja por uma única vez,
quero ser guardada e querida como um diamante.

Quero dormir em leito de pétalas de calma e harmonia,
embalada por sussurros cálidos , como xailes de lã,
e ao acordar, ver despontar quente, tão sonhado dia,
no qual, teus olhos, são raios de sol anunciando a manhã.

Preciso deixar entrar em mim, com urgência, novo alento.
Encontrar – me nesta selva de pensamentos obstinados.
Deixar para trás, sepultando bem fundo, o meu lamento,
reiniciar a vida, sem sentimentos em mim gravados…

Quero ser fio de água fresca, correndo como quem desliza
sobre as pedras dum riacho,de destruição ainda casto.
Preciso ser serpente, despojada da pele que não precisa,
admitindo como humana que sou, que estou só, e não me basto.

sábado, 4 de junho de 2011

Cegos



Teu olhar está a partir de agora impedido de ver o meu.
Consequência das escolhas que a vida nos apresenta;
ao cruzares comigo na rua, levanta teus olhos para o céu,
os meus estarão no chão, enquanto o coração se lamenta…

Não me olhes! Não te atrevas jamais, a ser ousado!
Despreza – me friamente, como se eu lixo fosse,
estás proibido de lembrar qualquer réstia do passado,
de recordar qualquer momento de um momento doce…

Meu olhar jamais poderá voltar a ver o teu,
pois desfez – se em pedaços ,que rolaram pelo rosto meu
na lágrima fácil e carregada de desumana dor..

Sem olhos, não podem ler neles, o que o olhar nega…
escondo assim dolorosamente  tudo na minha alma cega
e posso mentir , afirmando cegamente, que já não te tenho amor…


Já tarde...


Quem sabe, o dia que tentares atravessar a ponte,
para vires colher as flores, desabrochadas em minha margem,
eu não serei já como a imaginária linha do horizonte
cada vez mais distante e inatingível,como uma miragem.

Há viagens que fazemos das quais já não se regressa,
por ser de único sentido o trilho, onde as pudemos desfrutar,
comparáveis a um gigante carrossel,girando depressa,
onde sabemos como começa mas jamais,quando irá acabar!

E se o fumo deixar de desenhar a nossa atmosfera,
será a hora de perceber que a fogueira já não arde,
que o fogo já se apagou,já não tens ninguém à espera
Chegaste finalmente,mas foi já tarde…


quarta-feira, 1 de junho de 2011

Junho Criança

 
Junho traz–nos à lembrança
que se instaurou, universalmente,
um dia para se comemorar o ser criança,
vivendo este dia intensamente.

Pena é que não seja assim tão universal,
e que muitos destes seres que menciono,
não sintam nas suas vidas um carnaval
e que vivam, com os olhos em  triste Outono…

Ingrato, que em abastadas regiões na terra,
alimentos se percam pela demasia,
enquanto milhares de crianças de guerra
morram à fome ; que ironia!

E são os homens, que redigiram a declaração,
que fazem guerra e destroem o planeta;
e que à custa de santos interesses, negam o pão  
e  permitem que tão grave crime se cometa.

Fazer sofrer um inocente… uma criança
gerado  no ventre fértil da mãe sua,
sujeitando– o a  que viva sem esperança,
dormindo na valeta … morrendo na rua!

E todos nós irónicos, continuamos,
fingindo que nada de mal se passa,
camuflando que cruelmente nos matamos;
racionalmente destruímos nossa raça!