domingo, 31 de julho de 2011

Sempre

Sonhaste com a hora da minha chegada,
Com o olhar que nos prendia;
Sonhaste com o ruído da porta de entrada,
Com o contemplar da tua alegria.

Sonhaste com o abraço assassino de saudades,
Com a intensa respiração de desejo;
Sonhaste com todas as nossas vontades,
Expressas nas salivas dos nossos beijos.

Sonhaste com o meu aroma corporal,
Que te tira do sério e te fascina,
Sonhaste com a sobremesa carnal
Confeccionada com teu pénis em minha vagina…

Sonhaste possuir - me  como antes,
Com a mesma força e o mesmo amor;
Sonhaste que ainda éramos amantes,
Desnudos, entregues, sem pudor!

Sonhaste com meus gritos de prazer,
Onde viajas loucamente e hibernas;
Sonhaste que ainda me podes ter
Fazendo escorrer teu sémen em minhas pernas…

Sonhaste com a paz depois dos corpos em luta,
Deitados nus, abraçados num olhar;
Sonhaste com a voz que teu coração escuta,
A voz da mulher, que sabes tão bem amar!

Sonhaste ter - me mais uma vez em teu abraço,
Para comprovares se o amor que sentias era real,
Sonhaste comigo a provar o suor do teu cansaço,
Cansaço impossível nos sonhos afinal…

Sonhaste comigo tantas madrugadas,
Acordando agitado e meu nome chamando.
Sonhaste com as linhas do meu corpo desenhadas,
Nas tuas mãos sequiosas, me desbravando…

Sonhaste com nossos momentos, noite após noite,
Esses, que acordado, te fazem sonhar
Sonharás sempre que teu corpo pernoite,
Sempre! Jamais me poderás em ti apagar!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Deixa a vida viver


Deixa a noite te envolver;
Deixa a vida ganhar cor;
Sente a força do mar percorrer
Todas as formas de fazer amor.

Deixa a estrela cadente voar.
Entrega-lhe o teu sonho em pedido;
Deseja intensamente o forte abraçar,
Do distante desconhecido…

Deixa cada onda agitada
Penetrar – te como anéis de Saturno,
Sacia tua vida em pequenos nada,
Transforma – te em faminto nocturno.

Deixa a vida viver… bem viva.
Grita ao mar; prende – te à areia;
Empenha toda a tua saliva,
Como se agarrasses toda a luz da lua cheia.

Deixa a tristeza partir destruída,
Deixa a alegria te destilar em alambique;
Degusta intensamente o sabor da vida
Como às iguarias de um piquenique.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A praia

A praia traz – me mãos dadas
Traz - me sorrisos
Abraços
Pegadas.
Traz – me olhares
Luar
Traz – me promessas
O mar…
Traz – me momentos
Desejos
Juramentos
Os beijos.
A praia traz – me a madrugada
O horizonte distante
A caminhada
O amante!
A praia traz – me areia
A música da voz
A alma cheia
Nós…
A praia traz – me o vento
A lágrima salgada
O sentimento
A face gelada.
A praia traz – me o frio
As lembranças
O rodopio
Das nossas danças.
A praia traz – me o cheiro
O toque das peles macias
O amor verdadeiro
As alegrias.
A praia traz – me quem se foi…
A dor
Como dói
Tudo… sem ti, amor…
A praia traz – me teu rosto
O bater do coração
O sol-posto
A minha solidão…

domingo, 17 de julho de 2011

Madrugada



Regressei a casa de pés no chão,
sentindo nos pés o frio da madrugada,
trazendo tudo da minha vida,no coração
gelado pela força da brisa da geada.

Entrei devagar no palácio sombrio,
abri – lhe a porta como quem não quer entrar,
arrastando a dor que me gelava,como o frio
dos pólos do ter de partir querendo ficar.

Caminhei em silêncio em cada passo,
deixando pegadas de passados e de sorrisos.
Despi do corpo a roupa em compasso
mantendo apenas a pele e os cabelos lisos.

Subi a escada ,quase sem respirar
pois me impregnava o cansaço e a dor,
da tristeza e da força do amar
e a constância das forças do rio do teu suor.

Abri lentamente a janela do meu espaço...
Uma brisa revoltada agrediu me com o cortinado,
e brevemente transportou – me para dentro do abraço
que inesquecivelmente repousou a meu lado.

Instantaneamente saltaram aguçadas lágrimas de desgosto,
fazendo lembrar as palavras do olhar e dos corpos,o envolver,
caíram vertiginosamente mordendo as maçãs do meu rosto
como se fossem lobos ferozes e sem nada para comer.

Desfaleci entre a companheira almofada e o lençol,
arrasada pelo paradoxo que a vida me ofertava...
Sem sono desejei o rápido nascer do sol
pois a dor da saudade, que me sequestrou, já me gelava.







sábado, 16 de julho de 2011

Ainda estou aqui… em ti



Ainda estou aqui
a olhar por ti,
a dar – te tudo de mim,
a viver com o teu sorriso
a ver em ti o paraíso,
a pousar em teu jardim.
Ainda estou por perto…
Sendo tua água no deserto,
a dar – te a sombra no calor.
A viver com tua alegria,
a ver em ti  magia,
a mergulhar – te no meu amor.
Ainda estou aqui ,sedenta
do teu mimo que me alimenta,
a dar – me por inteiro.
A viver constantemente
com tua presença tão ausente,
sendo meu ar o teu cheiro.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Sabes amor



Sabes o sabor da minha boca;
Da minha língua, sabes os desvarios;
Sabes o toque e o tamanho da minha roupa,
do meu corpo, sabes todos os arrepios…

Sabes o veludo da pele, do corpo meu;
Da minha anca, sabes o agitar;
Sabes que em minhas curvas visitas o céu;
Das minhas mãos não te queres soltar.

Sabes que o meu pensamento te pertence;
Do meu corpo, sabes o prazer…
Sabes que o amor que me tens te vence,
da minha vida não te queres perder.

Sabes da minha voz a calma imensa,
Da minha palavra, sabes o conforto;
Sabes que somos um do outro, pertença...
Do teu barco sou o teu porto…

Sabes o cheiro do meu cabelo fino;
Do meu olhar, sabes as histórias e os receios;
Sabes o medo que tens do destino,
te privar do adormecer em meus seios!


sábado, 9 de julho de 2011

Sê feliz



Deixar - te partir
é como jogar fora os segundo que te dediquei,
os beijos que dei,
as carícias que provei.
Deixar - te partir
é rejeitar os segundos que virão,
é não sentir mais o toque da tua mão,
é viver a vida sem verão!
Deixar  - te partir é
dar - te liberdade,
é mudar o rumo da vontade,
é negar a minha verdade!
Deixar - te partir
é minha penitência,
é aumentar  a minha carência, 
é mostrar toda a minha benevolência.
Deixar - te partir
é chorar calada,
é como ser uma vela apagada,
é como ser flor arrancada.
Deixar - te partir
é fazer o que jamais quis,
é contrariar o que o coração diz,
é gritar tão alto : Vai! Vai, mas sê feliz!

Veneno



Entraste em mim,para provar do meu amor,
criando em mim um feto de esperança,
e agora partes,arrancando–te à força…e deixas dor,
e o meu mundo estagnou no tempo,já não avança!

Entraste em mim,para saciares tua sede de felicidade!
Alimentaste–te, renovando tuas forças,no meu mel,
e agora,na hora de amares,com toda a intensidade
deixas meu mundo,poluído de veneno com intenso sabor a fel.

Entraste em mim,me encantando e iludindo…
Criando em mim um espaço de harmonia e mistério,
e agora partes vitorioso,indiferente e sorrindo,
deixas meu coração cheio de sepulturas, qual cemitério…

Para quê?



Amar para quê? Me pergunto vezes tantas…
Se amar magoa, destrói, traz amargura…
Nos lábios a devastação… a secura,
a dor presa nas gargantas!

Quem inventou tal sentimento
não teve a oportunidade,afinal
de ver como o amor nos causa mal
é mais que morte,é um tormento!

E a caminho da morte,compadecida,
fica a sofrer a pobre vida,
solitária … dolorida… viúva…

Por lhe terem prometido amor,
deixando tristeza e dor
que a seus olhos sempre traz chuva…


segunda-feira, 4 de julho de 2011

Eu sou a noite


A noite traz–te e leva–te…
Ficas e vais…
Entras e sais…
Foges e chegas…
A noite dá–te e tira–te…
Confraternizas e brigas…
Beija-te e morde–te…
Choras e ris!
A noite prende – te e solta – te…
Rasga-te  e junta-te…
Ama-te e odeia-te…
Abraça–te e empurra-te!
A noite acha – te e perde – te…
Olha–te e cega–te…
Come–te e regurgita–te…
Mata–te e ressuscita–te….
Socorro!
Ajuda–me!
Eu sou a noite!

Varanda



Da varanda vejo a lua,
ouço o mar que está revolto,
está tão vazia a minha rua
só a enfeita meu cabelo solto.

Da varanda saio em viagem,
percorro longos trilhos onde passei
e encontro realidades em minha passagem,
dos corações que já amei.

Da varanda não atinjo
as paisagens que procuro
e olhando o horizonte finjo
acreditar que existe futuro.

Da varanda contemplo a noite amena
onde aromas da noite me recordam o que vivi.
Aqui ficarei ansiosamente serena
aguardando, como outrora, por ti…

domingo, 3 de julho de 2011

Castelo desfeito



Era nublada a manhã que nascia.
Cantavam – me pássaros à janela.
Mas em mim, minha alma, não via
a alegria que sonhei e era bela!

Apedrejada por pensamentos deprimidos,
acordei, como se um terramoto me demolisse.
Assustavam – me meus gritos contidos…
Pena foi , não haver quem os ouvisse!

Ergui-me em sobressalto do leito oco,
esperançada que fosse um pesadelo afinal…
Mas não! Eu fui percebendo pouco a pouco,
que não era ilusão. Era Real!

Havia se desmoronado o castelo que construí,
Erguido com sonhos, meu amor e muito jeito.
Lamento – me agora, em dor, pois percebi
que a minha vida, esse castelo, está desfeito!


sábado, 2 de julho de 2011

Gravado em mim



Vejo um olhar

e é o teu!
Vejo o luar
e sei – te meu!
Vejo a chuva a cair
e és o abrigo!
Vejo um sorrir
fico contigo!
Vejo o sol brilhar
e é teu calor!
Vejo as ondas do mar
é o teu amor!
Vejo a melodia
e é tua voz!
Vejo alegria
e somos a sós!
Vejo a madrugada
e é teu encanto!
Vejo a geada
e és quem amo tanto!
Vejo uma flor
e és jardim!
Vejo – te amor
gravado em mim!