quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Jamais foi meu

 

Eu tenho guardado em mim o segredo
dos projectos da minha vida atribulada,
onde muitos dias eu sou arvoredo
noutros solo árido sem nada.

Eu tenho lutado em batalhas interiores,
escondida em sorrisos e gestos carinhosos,
de onde regresso cheia de feridas e de dores
vendo partir seres vazios vitoriosos.

Eu tenho tentado arrancar de mim os desejos;
apagar as lembranças e a vontade,
suspender do mau paladar o gosto dos beijos,
negando muitas vezes não ver a verdade…

Eu tenho tentado não ver, me iludindo,
sabendo muito bem deste filme qual o fim!
Cada dia que chegas é como se tivesses partindo
pois jamais serei tanto para ti quanto foste p’ra mim.

Eu tenho contado a mim mesma mentiras no escuro,
pois a estrada que me mostraste, terminará em breve,
onde eu serei um passado sem futuro
lavando meu rosto triste com derretida neve…

Eu tenho calada, gritado como lamento
(sem direcção meu olhar já se perdeu).
Tento aniquilar o que me corrói por dentro
Que pensava possuir mas que jamais foi meu.

domingo, 18 de setembro de 2011

Matei um amor

 
Hoje matei um amor
que se abrigava em mim,
sufoquei a sua dor,
matei - me , foi meu fim…

Hoje matei uma esperança,
minha candeia, minha chama;
sepultei – a calma e mansa
e bem funda na lama…

Hoje matei um habitante
que povoava minhas entranhas;
seu velório foi constante…
Caíam gotas estranhas…

Hoje matei um sorriso,
esfaqueei-o sem piedade,
tornei meu rosto liso
sem alegria , sem vaidade…

Hoje metei – me (ser bruto),
sacudi meus membros, libertei - me !
Vivo no escuro, num luto,
Tirei – te de mim… matei – me…

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Quente vermelho



Queria tanto dar dentadinhas na lua

como faço nas bochechas da cara tua;

queria tanto sentir o aroma de cada flor

como faço com o cheiro do teu amor;

queria tanto nas costas de uma águia voar

como faço quando flutuo ao te amar;

queria tanto ser uma chama infinita

como sou quando teu corpo me grita;

queria tanto ser o mar da tua vida


povoado por baleias...

Queria mesmo, era na verdade,

ser o quente vermelho sangue percorrendo tuas veias!

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Não posso...




Eu não posso sentir nada;

eu não posso tão pouco gritar,

deixar falar esta voz que me grita cá dentro;

eu não posso dizer nem medir o tamanho deste sentimento,

deste querer, desta necessidade;

não posso apregoar esta minha verdade cheia de vida e vontade;

eu não posso ser nada,

tenho de sufocar- me,

ficar quieta e calada;

eu não tenho o direito de perguntar nem esperar respostas;

só posso guardar para mim este amor grandioso e forte,

cheio de bem-querer e alegria,

que nasceu em mim por magia;

eu não o posso apagar nem esquecer por mais que tente;

posso apenas ficar ausente e só,

tentando mostrar não mais existir e querer,

mentindo -me dolorosamente e sem dó,

mentindo convictamente que consigo te esquecer,

mesmo que por dentro, em mim,

vivas constantemente a renascer!

sábado, 3 de setembro de 2011

Velho sonho



Ai se eu pudesse
correr p’los campos das artérias,
tornada sangue quente e galopante,
regando flores, nos olhos das primaveras,
dos seres que morrem vivos a cada instante;
para tornar lágrimas, que de veneno, são feitas
em sementes germinando em fértil terra,
sepultando ruim ganância, que rega com enganos
os corações gélidos destes humanos,
que matam o amor e renascem com a guerra!

Ai se eu pudesse,
abraçar todo aquele
que se nega entender que a vida sua
é pedra viva e valiosa,
e ao caminhar a desfolha e a degrada;
fazer sentir que todos somos
detentores da luz da lua,
iluminados, qual rara rosa
em florida sacada!

Ai se eu pudesse,
degustar um verso
e beber poesia,
devagar e leve o seu sabor;
concretizava meu velho sonho
de provar alegria,
digerindo com as entranhas da alma,
em movimentos leves de calma
todo o paladar do amor!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Incerto


Assombram - nos  dúvidas e incertezas
neste caminho que vamos diariamente trilhando;
enfrentamos desafios, uns com fabulosas destrezas,
outros porém, vamos falhando.

Mas sabemos que erramos, após termos tentado,
pois, só assim sabemos o errado do certo distinguir;
só sendo válida, como experiência, o que é experimentado
e caso, seja errado, saberemos como não repetir!

É estranho mas é incerto então saber
se realmente o amanhã irá existir;
se o sol voltará a nascer;
se no jardim, alguma flor irá florir!

Teremos um ombro onde repousar?
Ou o amor que se declara é um erro mortal?
Quem nos poderá auxiliar?
Tudo é incerto afinal…

Caminhemos firmes e adiante,
uns certos do incerto,
outros com a incerteza do que é certo,
deixando o amor tão distante,
afastando, o que se desejava que ficasse tão perto…

Se um dia o amor, rodeado de culpa e saudade,
vier certo de querer me encontrar,
hei - de estar ,certamente olhando, como sempre
o vai vem das estrelas nas ondas do mar!

Tudo é incerto afinal…
O início…
O destino…
O final…