segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O sabor da pele


Doce como o açúcar torrado,
quente leite-creme adocicado
é a pele do corpo que me abraça.
Vicia no gosto, satisfaz a fome
enquanto devagar me consome,
embriaga - me como cachaça…

Tem sabor das flores de Agosto;
é inesquecível a cor do gosto;
prende - me na boca, p’ra que eu me revele,
sacia meu incontrolável apetite,
numa  viagem de língua sem limite
navegando em meus lábios o sabor da sua pele.

domingo, 23 de outubro de 2011

Amor contigo


Sem fórmula; sem definido padrão
deixamos correr o amor no coração.
Inundados por olhares e ternuras
fomos levados por tão sãs loucuras…

Entre braços, pernas e bocas
vivemos cenas impensáveis e loucas;
misturamos sem fim nossas limitações,
fizemos um de nossos dois corações,

Que batem sintonizados ,
desenfreados,
numa única respiração;
dizendo baixo ao ouvido
qual o sentido
qual a direcção;
Que longe do teu regaço
eu sou poeira no espaço
correndo gelada , do perigo,
e grito alto sem constrangimento
que tu és meu alimento
e preciso amor contigo.

sábado, 22 de outubro de 2011

Noite de dia de chuva


Caí num solitário momento
onde ouvi a chuva reler palavras em mim,
e saiu do meu eu um rebento
de rosas decorando um morto jardim.

Parei a ouvir a voz de ninguém;
só soluços e lágrimas de aço,
frias, maldosas, ricas em desdém
caindo em sequência, sobre meu braço.

Teimosa a chuva continua lá fora
caindo agitada, lavando a rua,
apaga a esperança que persistiu a cada hora
de enxergar um rosto nas caras da lua…

Caí num momento, sem nada
onde o pensamento cansado da espera pensou,
que esperar a chuva que jamais pára
é como esperar alguém que nos deixou.

Virada para dentro, vi um vazio
que apenas eu tentava preencher
com flores, alegria e brio
e a mágica força de viver.

Que chova então, tudo em mim
para que com meu rosto encharcado deste chover,
eu possa tão triste, lamentar o meu fim,
chorando compulsivamente ,sem ninguém ver.


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Abraço teu


Quando por teus braços sou engolida
sou inundada por fresco e puro ar,
ganha um novo sentido a minha vida
sou de novo tulipa a desabrochar.

Contemplar - me no reflexo desse olhar,
ver – me estrela rara e cintilante,
impulsiona - me para um recomeçar
cheia de garra, de cicatrizes, mas confiante.

Engolida por teus braços só sinto,
que a entrega é genuína e sincera,
e por ela deixei minha razão , segui meu instinto
para abraçar  fortemente quem ansioso me espera.

domingo, 16 de outubro de 2011

Ouve…

 
Nem medos,
nem dúvidas,
nem mentiras,
nem dificuldades,
me farão desviar meu rumo,
mudar minhas lutas,
apagar minhas convicções.
É que sou feita de sentimento
que nasce no meu fundo
e profundo lá dentro,
decorando- me toda,
guiando minha vida e minha vontade.
Sou feita de emoções e vibrações,
sentimentos e alegria
e o amor é a minha verdade!

A tua sede

 
Sequioso do meu gosto
e dos meus seios copiosos ,
amparas com tuas mãos o meu rosto,
abraças – me  para sentires todos meus ossos;
tornas–te meu  sol de Agosto
queimando louco,os corpos nossos.

Sem pressas  desnudas meu corpo inteiro,
gravas em mim juras de amor,
e já ardendo como braseiro
amas- me sem nenhum pudor;
e fazes de meus seios travesseiro
onde repousas  e és rei e senhor.

E da leve carícia, pois que te faça,
desperto em ti tua vontade
e novamente teu corpo me abraça…
Voltamos a ser  os dois intimidade,
tornando a noite, que por nós passa
apenas o inicio da eternidade.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Beijada pelo sol

 
Hoje desafiei o sol que brilhava no céu,
convidei - o a beijar – me a pele clara de inverno,
penetrou – me inteira, como quando és meu
e te entregas nos meus braços, num apertar eterno!

Depois de chegar radiante, o sol do meu dia,
caminhando cuidadoso em minha direcção,
inundou – me o olhar de sal e alegria,
aqueceu - me o sangue; ressuscitou - me o coração…

… e beijou – me diante do mar e da multidão
deixando no meu rosto o rasto de amor,
mostrando que sou eu a dona do seu coração,
que sou eu quem lhe causa excitação e fervor…

Sentou - se calmamente a meu lado,
como se fosse um cavalheiro das histórias encantadas,
e me olhando firmemente com seu olhar parado,
Apertou - me meigamente as minhas mãos, nas suas depositadas.