domingo, 13 de novembro de 2011

Viagem ao centro da alma

 
Apanhados sem saber,
sem tão pouco perceber
quando fomos embarcados…
Quando demos conta, já íamos a caminho,
por estradas de entrega e de carinho,
carentes…  juntos felizes e apaixonados.

Paramos em várias estações,
obrigados pelas indecisões
e por saltimbancos deprimentes,
mas reiniciamos com mais força e vontade,
certos da nossa verdade
e dos nossos sentimentos.

O mundo gira e voa o pensamento;
sabemos que agarramos cada momento
com ambas as mãos e com vigor,
pois cada contratempo no trajecto ,
só nos mostra que estamos sempre perto
lutando pela vida deste amor!

E visitamos com delicadeza e calma
o centro do nosso ser ,da nossa alma,
Entrando pelo acesso mais invulgar;
quando abraçados somos corpo ausente,
que serve apenas, para deixar que invada a mente
a força que nos une  … incomparável força do olhar.




Metade de mim…

Já sem a luz das velas aromáticas,
apenas com o eco das palavras ditas,
regressaram ao meu lar vazio, as lágrimas
azedas, constantes … malditas…

Juntei – lhes sabão e fiz espuma
e com elas lavei, por tino, as louças,
e através da janela só havia uma bruma
Que rindo, cruel, me levava as forças…

Guardei no armário do meu peito
os talheres, junto aos momentos vividos,
e regressei às imagens do teu deleite
entre as iguarias e os abraços servidos.

E a cada passo, nesta viagem ,
mais me desfazia, mais ficava degradada,
pois eu fui animal selvagem,
presa perseguida em bárbara caçada.

Fui todo o dia lume e calor;
dei – me inteira do inicio ao fim;
investi todos os meus ingredientes de amor,
mas fiquei apenas mais despida … metade de mim…

O dia avisou – me que a noite partia…
As horas haviam passado caladas…
Regressei quieta para a cama vazia
ouvindo partir, teus passos nas escadas…

Pela janela, vejo o dia nascer,
morrendo por não estares por perto…
e adormeço de tristeza… e sem querer
ser o teu oásis e tu o meu deserto.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Meu corpo


Meu corpo está ainda como o deixaste ,

despido de tecidos mas coberto das mãos tuas;


deitado na nossa cama onde me amaste,

ardendo de prazer, queimando as peles nuas.


Meu corpo é teu terreno húmido e fecundo

onde semeias o teu corpo suavemente,

deixando tuas sementes no meu eu mais fundo

que germinam em mim, ninho seguro e quente…



Meu corpo é teu divã relaxante

depois do auge da entrega carnal e do prazer,

onde ficamos entregues a cada instante

abraçados sem força que nos possa desprender!


Meu corpo é teu refúgio, é teu abrigo,

parte de mim, tua pertença, tua mina,

onde entras para fazer amor … comigo

e seres feliz como ninguém te imagina…


Meu corpo completa o teu corpo, que sedento

procura em meus olhos a firmeza

de te esperar e querer a cada momento

amenizando tuas dúvidas e momentos de tristeza .


Meu corpo é só de mim um pedaço,

todo o resto que tu amas é alma e coração,

e toda eu ouço o teu grito no teu abraço

me pedindo : “ Não me deixes! Não..."

Gélidas gotas

Chove agora tanto em mim
que me sinto encharcada,
são gélidas gotas de tristeza
de vazio carregadas;
sinto- me só numa rua,
onde não encontro a saída
e sou de novo menina forte e com garra
abandonada nesta vida...

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Espelho

Em frente ao espelho rasgas sonhos ;
Olhas palavras de mel e beijos de lume;
Desmaquilhas os olhos risonhos;
Quebras promessas e paladares de ciúme.

Despes das vestes a vontade,
dos cabelos desprendes a magia
e regas todo o teu ser com saudade,
afogas em lágrimas sangrentas, tua agonia.

Vês que foste viagem e aventura,
fonte de luxúria, parque de diversões,
cavalo de apostas e loucura,
depósito de mentiras e ilusões.

Assumes ter sido carne saciando prazer,
desfeita em sumo de uma qualquer fruta ;
Olhas o espelho, que te mostra teu doer
por não seres amada como mulher mas como puta.


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Lembranças

Nas almofadas e nos lençóis da minha cama,
ainda posso encontrar teu doce cheiro, que se passeia
por entre as gotas de suor do teu corpo em chama
e os fios do meu cabelo que tua mão penteia…

Ainda ouço as risadas e as alegres picardias
que provocamos para ver sorrir e atiçar ;
ouço nas horas de solidão as alegrias
e a força dos olhos entregues a se abraçar.

Leva - me longe meu pensamento infinito;
busca – te nas memórias que a vida escreveu,
e só, sufocada pela dor do meu grito,
sou a lembrança de alguém que me teve e me perdeu.