quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Em amor

 
Enchi meu peito de simples gestos que colhi,
da luz dos teus olhos e do teu carinho,
e toda a vida que corre em mim senti
dar - me a força, para construir o meu caminho.

Eu sou feita de quase nada e coisas diminutas;
solto sorrisos com raios de sol dourado
e venço com amor as minhas lutas,
ganho o céu nas muralhas do teu abraço apertado.

Percorro os trilhos desta vida ímpar
que me coube em sorte e agradeço,
pois nasci com a missão de amar
e fazer de cada fim um recomeço.

Quero do mundo os sorrisos e a alegria;
das gentes a sensibilidade e o fervor;
dos que amo quero o empenho e a magia
de acreditarem e viverem intensamente em amor.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Noite fria


És fria noite, não por ser inverno
mas, por estares cheia do cansaço
das dores que ferem, criam inferno,
sem que te encontre tal abraço.

Gelas – me por dentro, destemida,
quebras meus sonhos, minha emoção,
vives empurrando minha vida
por entre estilhaços sangrentos de coração.

Noite longa onde o encanto
de passados desfeitos e sem esperança
devolvem aos meus olhos o pranto
como outrora em criança.

És a minha companhia, noite escura,
sem alimento para minha alma que chora,
traz - me a alegria e a esperança futura,
leva esta amargura embora.

Sou toda gelo, que me consome devagar…
Sinto cristais de frio no meu interior
com os quais luto… vivo a lutar,
para que não gelem meu coração  cheio de amor!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Sonho de Natal


Quando achava ser criança
parava a olhar fixamente luzes e fios,
e repetia em silêncio que tinha esperança,
que um dia se acabariam meus vazios…

Anos passaram e sempre fui guardando
o gosto amargo da insatisfação e nostalgia,
e o amor que ao partir ia ficando,
sempre incerto, com o passar de cada dia…

Por mais decorada que a árvore fosse,
rica em cores e vistosos brilhantes,
nunca me deliciei com o doce
dos meus sonhos em inesquecíveis instantes.

Quando achava ser criança, sem o ser,
eu, criança adulta, feita de pressas,
desejei muitas vezes apenas ser
a realidade de todas as minhas promessas…

Sou como um presépio inacabado,
uma estrela cadente já apagada
incenso sem aroma, ouro roubado,
vestígios de mirra em lágrima chorada…

Junto aos enfeites coloridos irei guardar
meu sonho de Natal um ano mais, novamente,
Pois meu grande sonho era apenas … amar,
viver e dar vida a esse amor,que sinto intensamente!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Quando dormes em mim


Quando dormes em mim eu sou um divã de paz,
uma rede de aconchego,
um lençol de carícias.
Quando dormes em mim eu sou uma lagoa de estrelas,
um rio de sonhos, um oceano de alegria.
Quando dormes em mim eu sou a tua casa segura,
o teu lar de calor,
o teu palácio do amor.
Quando dormes em mim eu sou um céu de planetas,
uma lua de luz,
um raio de sol quente.
Quando dormes em mim eu sou como a chuva calma,
sou o cofre da tua alma,
sou uma nuvem de abraços.
Quando dormes em mim eu sou mais um pouco do que sou,
sou a tua força e o teu caminho,
sou eu te acolhendo e lendo o olhar;
sou a força de acreditar,
a luta constante sem deixar a tua mão se soltar.
Quando dormes em mim eu sinto a vida
correr – me nas artérias
e o coração pular cheio de vida e vontade de viver,
sinto a magia do sentimento e a graça de saber amar.
Quando dormes em mim eu acordo a sorrir,
por saber que vejo o amor no teu olhar.
Quando dormes em mim eu fico desperta
por entre a tua mão que me aperta o ventre;
fico te olhando dormir e digo baixinho:
“ Amo – te tanto…”

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Quero


Quero que sejas os braços para onde corro;
Quero que sejas a mão que me segura sem temer;
Quero que sejas meu abrigo e meu socorro;
Quero que sejas o olhar, onde eu possa renascer!

Quero ser a tua noite e o teu amanhecer;
Quero ser a tua companhia, o teu luar;
Quero ser a tua alegria, o teu prazer;
Quero ser o teu amor, imenso como o mar!

Quero sentir – te chegar sorrindo,
Quero sentir a tua entrega e a tua vontade;
Quero sentir o teu amor florindo;
Quero sentir que sou a tua verdade!

Quero – te como és… menino;
Quero – te mostrar que na vida existimos
para cumprir o nosso destino
e seguir sempre o que sentimos!

Quero te mais e mais… sem desistir;
Quero – te sempre como às coisas mais reais;
Quero – te viver, quero – te possuir…
Quero – te! Cada vez, te quero mais!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O tempo que passou


O tempo passou por nós.
Deixou sorrisos e lágrimas na voz
e brincou de se esconder.
Trouxe vida às nossas vidas,
luz nos sorrisos e dor nas partidas,
o  tempo renasceu - me e deixou - me morrer…

Hoje acaba este tempo que eu regava
cuidadosamente e sem hesitação,
e não percebi que me afogava
na maldade da tua intenção.

Hoje queria que o tempo parasse para mim;
e que devagar viesse, mostrando seu porte,
a senhora que à vida dita fim
a quem todos chamam de morte…

O tempo não volta nem se apaga…
… e todo aquele que jamais conseguiu,
deixou – se perder a meio da saga,
baixou os braços… desistiu…

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Atormentado

Quando tentas fugir de mim,
foges de ti…
Eu ouço o teu silêncio;
eu sinto o teu chamado,
porque eu vivo a tua dor
de víveres atormentado.
Quando tentas te esconder,
tiras vida à tua vida;
cortas laços, soltas mãos e emoções,
e eu ouço teu grito interior,
vejo– te sufocar cruelmente esse amor
que mora em nossos corações…
Quando tentas partir, querendo ficar,
ao teu passar, vais matando sentimentos,
constróis vazias estradas e penosos trilhos.
esqueces que atitudes nos fazem avançar,
e que de escolhas a vida é feita, não de lamentos...
Os amores perdemos! Nunca nossos filhos!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Sou inteira


Eu não quero meia lua,
nem meio sorriso,
nem meio dia,
nem meio de tudo o que preciso.

Eu não quero meia alegria,
nem meio momento,
nem meia noite,
nem meio sentimento.

Eu não quero meia estrada,
nem meio chão,
nem meia caminhada,
nem meio coração.

Eu não quero  meia vontade,
nem meia ceia,
nem meia verdade.
Quero tudo, pois não sou meia!

sábado, 3 de dezembro de 2011

Estou só

Estou só!
Cabeça baixa,
ombros descaídos,
como se o mundo me esmagasse.
Estou só!
Queria apenas
que o mar que olho
me engolisse e me levasse.
Estou só!
Tão só, que não vejo
nem raios de sol,
nem chuvas de prata.
Estou só!
Engolida por esta dor
que me rebenta o interior
e me mata.
Estou só!
Meu Deus!
Que se existes leva - me contigo,
porque sou já nada,
sou posta de parte, abandonada,
e respirar, já não consigo…
Porque o ar que me inunda
traz–me lembranças e palavras,
que me deixam imunda
como às fossas mais rasas…
Estou  Só!
Estou guardando a partir de agora,
as palavras escritas outrora,
novamente na gaveta do esquecimento,
onde a elas juntarei
o amor que alimentei
e me matou de sofrimento…
Estou só… desiludida,
com vontade de parar,
e só pelas vidas que dei a esta vida
não deixarei esta dor me matar!