quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Negrito

Olhar profundamente um olhar que se ama
é quase voltar a nascer em berço de lava quente,
é como se o mar nos engolisse como a uma chama
e incendiasse de água fresca a alma da gente!

E depois de sugados e arrastados por tal robustez
tudo ao redor se torna natureza e fascinação,
e a pele é como pluma leve impregnada de maciez
que se entrega nos quentes braços da lava de um vulcão.

Explodem sorrisos que enfeitam os céus, de sol, infestados,
banhados por ondas azuis e espumas dançantes
que trepam com firmeza, o negro do basalto, tão bonito.

Sorriem olhos… Há mar e braços, que misturados,
se abraçam forte e, certos de amarem como antes,
deixam marcadas, com amor, rochas do Negrito.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Cupido


Acordar dentro do teu abraço é como mergulhar na água mais pura.
Acordar envolta nos teus beijos, é sentir a vida a pulsar cheia de vontade.
Acordar a cada manhã e sentir a tua mão que me segura
é dormir e perceber que não és sonho és realidade.

Durmo serena,pois sei que és meu doce e firme aconchego.
Durmo olhando a luz do teu olhar brilhante e sedutor.
Durmo abraçada aos teus braços que são meu ninho de sossego
e acordo presa ao teu colo carregado de beijos e amor.

E cada noite que repousamos lado a lado
quando me dizes que me amas, ao ouvido,
eu sinto-te viver dentro de mim, meu namorado,
Bênção perfeita que me ofereceu o deus cupido.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Remos pesados

 
Eu remei na vida minha, remei
sem jamais largar os remos pesados,
calejada pelas rochas chorei
inundando meus olhos de mar, tão salgados…

Tão salgados e cheios de amargor
queimaram meus sonhos, meus intentos
e fui berço de lágrimas e de dor
onda de castigos e lamentos…

Lamentos que feriram tão profundo…
ferindo minha força e coragem de lutar.
hoje é o dia que disse ao mundo
vou partir. Expulsa-me sem hesitar…

Eu remei em tempestades descampadas
fiz dos ventos a força das velas minhas
mas, é difícil chegar ao porto em jangadas
que ao passar matam garças e andorinhas.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Impotente

 
Acabei por ver um vazio no olhar
e uma dor na alma calada,
e já quase sem forças para lutar
fiquei sem ar… parada…

Parei o sorriso,a alegria,a entrega…
fiquei suspensa,sem rumo,sem lar…
e o choro calado me rega,
sem que eu possa ao menos chorar…

Impotente… estou impotente…
muda, estática e corroída…
Não queria nada de mais,não sou exigente,
queria apenas viver de amor,a minha vida!

Fui enviada para longe do meu abrigo…
… o cais ruiu,e eu sem salvação
ferida pelas mágoas,sinto o perigo
de ter de matar meu coração…