terça-feira, 30 de outubro de 2012

Recantos do teu corpo


A natureza não seria perfeita
se não existisse o teu odor,
é que toda a natureza é refeita
com a magia do teu amor.

Os pássaros nidificam no teu regaço…
As ondas do mar dos teus olhos luzidios
dançam na areia da maciez do teu abraço,
aquecem – me nos dias mais frios.

As florestas cantam silêncios
calmantes que nos alforriam,
e o ar povoa-se de incensos
das nuvens que nos molham e saciam.

E eu sou livre, qual borboleta colorida
voando delicada, vestida de encantos,
alegrando o céu da tua vida
beijando, do teu corpo, teus recantos.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Desilusão




 
É lança cortante
que dilacera os sentimentos
e mata lentamente
a recordação de bons momentos.
É como água envenenada
que nos conspurca o interior
e às tantas não sobra mais nada
só os fantasmas do amor…
É como luz que se vai apagando
deixando o coração sombrio
e o amor parte deambulando,
semeia-nos por dentro um frio… 

Pois quem vive nos desencantando
arranca-nos a alma, deixa um vazio…


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Quais as razões?



Quais foram elas?
Em quais me poderei amparar?
Seria pelas flores colocadas nas janelas?
Ou pelo primeiro pensamento ao acordar?

Terá sido pelos cheiros?
Pela constante presença do mar?
Ou foi o encanto dos olhos guerreiros?
Quem sabe se a dança dos lábios ao beijar?

Quais foram elas?
Seria por tua voz gritando na minha rua?
Ou pelas chamadas às janelas
para ver-te iluminado pela lua?

Como posso eu saber?
Se foi a maciez da pele ou a força do abraçar?
Terão sido talvez as palavras de bem-querer?
Ou a capacidade de aninhar?

Procuro… quais as razões?
O meu coração não me diz…
Apenas me agitas as emoções…
Fazes-me feliz…

Guardo momentos, onde esgaravato
sensações que me arrepiam ainda…
Eu voo ao recordar teu tacto
Ouço-te chamando-me de linda!

terça-feira, 16 de outubro de 2012

As manhãs



 


As manhãs são porto de esperança
onde desembarcam afectos e carinhos
alforriados dos campos da lembrança
e repartidos pelos abraços carregados de mimos.
Pela manhã somos sorrisos de criança
e robustez necessária para percorrer caminhos.


As manhãs têm um encanto misterioso
quando deixas teu corpo sobrevoar o meu
e acordas como o sol radioso
aquecendo, da minha boca ,o céu…
e fazes do nosso quarto um jardim harmonioso
e do meu corpo um coliseu.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Comia-te



Comia-te às dentadas pequenas
como quem morde com as unhas a alegria.
Comia-te leve, como se te cobrissem penas,
repetidamente, todos os dias!

Comia-te os lábios até dormir
e acordar na tua língua deitada.
Comia-te até sentir
que p’ra ser feliz não preciso de mais nada.

Comia-te ao milímetro, vagarosamente
usando tua energia para renascer.
Comia-te por dentro, por fora, calmamente
sempre sem te magoar ou romper…

Comia-te com os olhos esfaimados
levando-te ao prato dos lençóis da minha cama.
Comia-te até ficarmos saciados
sussurrando que é assim quando se ama…

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Devagar





Devagar… sobes-me descendo-me
e eu, solta agarrada aos teus braços,
sou como a noite amanhecendo,
sou qual cotovia voando o céu com passos!

Devagar… no dedilhar da tua mão
melodias meu corpo incendiado
e em tua lava sou vulcão,
sou a saliva do teu beijo molhado…

Devagar… teu sangue fervente
incendeia-te a pele, e arrepiado,
o amor jorra do teu dentro,
saboreio teu mel viciante e iluminado…

Devagar… no percurso da nossa pressa
somos algodão doce e melaço
e devagar repetimos… tudo recomeça,
somos novamente o desejo num abraço!





terça-feira, 9 de outubro de 2012

Nova vida


Quando acaba um sentimento
que um dia gritou alto nosso interior,
devemos assumir sem lamento
que o que foi, já não é mais amor!

Quando nada mais une dois seres
suficientemente forte e real
devemos saber dizer adeus
e partir em busca de alguém especial!

É preciso saber como se pára
e deixar seguir quem não quer ficar
pois amor-próprio é jóia rara,
a qual sempre devemos guardar.

E um dia tudo será mais sossegado
ficarão apenas, as sombras da ferida
e só libertando quem não quer mais estar ao nosso lado
poderemos deixar entrar dentro de nós nova vida!


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Esquecemos



 
Ouço as crianças chegarem
e sinto que a minha infância passou,
de um modo tão repentino
que nem minha pessoa notou.

Ouço as suas gargalhadas
e os rostos vazios de preocupações,
e vejo neles as vidas talhadas
com sonhos e ilusões.

É que quando somos crianças
crescer é a nossa urgência
e ao crescermos matam-nos as esperanças,
levam-nos a nossa inocência

Depois de adultos esquecemos,
muitas vezes, as nossas raízes
e que apenas nascemos
para amarmos e sermos felizes!

Sofres tolo coração




 

Sofres tolo coração
por achares que existem, como tu, muitos mais.
Sangras e choras na tua solidão
por gritares tuas necessidades: amor e paz!

Quem não te sabe decifrar,
te magoa e faz sofrer
não nasceu para amar,
não é digno de te viver!

Chora tolo coração
e segues noites acordado,
derramando pelo chão
lágrimas, reflectindo teu magoado.

És mais ferida do que músculo,
és mais pensamento que firmeza
e tornas-te tristonho crepúsculo
matando o amor com dor e tristeza…

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Nadine



Hoje que me sopram teus ventos
e tuas chuvas me inundam por dentro,
eu sou como uma folha de outono caída 
arrastada pelas ondas ferozes dos meus pensamentos.
Sou sem sol e sem luz,
devastada pela tempestade que regressa a casa…
Sinto as valetas me levando
como se fosse eu um pássaro ferido na asa.
A cada rajada vejo meu jardim
perder a graça das flores e dos arbustos
e a cada sopro teu, chove mais em mim,
e eu desperto com assobios tornados sustos.
E de quantas tempestades é feita a vida?
Por quantos ventos somos arrebatados?
Somos tão pequenos. Sou uma folha caída
ao sabor do capricho dos tornados...

Quando os teus olhos falaram com os meus


Quando os teus olhos falaram com os meus
disseram coisas gravadas nos teus,
da tua vida e das tuas dores,
contaram amarguras da vida
falaram da necessária despedida
e do nascimento de amores.

Quando teus olhos abriram a sua voz
viram um caminho construído por nós
talhado de paz e confiança,
desejaram sair do abismo
saltaram para o colo do companheirismo,
encheram-se de esperança.

Quando os teus olhos gritaram liberdade
rasgaram amarras que anulavam tua felicidade
e intensamente quiseram vida com cor;
abraçaram minha carência e minha solidão,
encheram de sentimento meu coração,
desafiaram-me para o amor.

Quando os teus olhos voltaram a amar
sem medo do caminho e de lutar
o brilho intensificou-se em ti
e agarraram-me de modo tão forte
que mesmo nos dias de pouca sorte
os meus olhos continuam aqui…

Quando os teus olhos falaram com os meus
ouvi um grito de um deus
pedindo auxílio e abrigo
e andamos juntos sem parar
semeando flores com o olhar
tu comigo e eu contigo.