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Joias de basalto



Nas veias correm gotas negras de basalto
que aquecem mares versáteis e abonados
e no céu imponente vislumbramos o Pico alto
que embeleza os céus azulados.

Somos filhos de vulcão
aninhados em crateras e caldeiras,
e é perfumado, por currais de vinha, o nosso coração
e regados, de maracujá e ananás, os linhos ricos das bordadeiras.

Nossos olhos são lagoas, fogo e furnas
e do chão brotam Flores que tornam Graciosa a passagem
enquanto talhamos nas montanhas nossas casas e nossas urnas,
chegamos e partimos nos braços da maresia e da aragem.

Voa um Corvo que anuncia a nove vozes ímpares
a beleza destas terras, com seu cântico
e sobrevoa quedas de água e mares
trazendo notícias das belezas do Atlântico.

Dentro do peito guardamos as tradições e a fé
recebidas de herança, que transmitimos para o futuro,
a força de um espírito Santo e de uma Santa Sé
bordando trajes santos de ouro escuro.

Nossos braços são um Faial que enlaçam visitantes
num abraço apertado, assassino de saudades ;
somos passado, arquitectura, patrimónios deslumbrantes,
povo de simples requinte colorindo as cidades.

E nunca falta uma mão solidária e pão no alforge
para acolher quem parte chegando às nossas ilhas;
abraçamos os filhos como o mar abraça fajãs em S. Jorge,
viajamos no dorso de cachalotes …tantas milhas…

A poesia vive em nós e fazemos da tristeza um festejo
Que adoça a boca com goles de chá, que nos grita liberdade,
e ao abrigo dos encantos do teatro declamamos um gracejo
louvando aos céus graças da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade.

Contemplamos a graça dos raios dum sol de Santa Maria
que nos leva a viajar ao algar mais profundo
fazendo-nos encher de orgulho e alegria
por sermos pedraria viva, da mais bela joia do mundo.

As pedras da calçada das nossas ruas, vivas estão
e reproduzem o som das galochas na eira, das carroças e do moinho
e no rugir adormecido de cada vulcão
somos todos, lava sólida, em copos de vinho.

Adormecer ao som de cagarros dançarinos das encostas do mar
e sob a proteção do Arcanjo São Miguel,ver o dia chegar tão novo,
faz crescer a vontade de ver na terra germinar
o alimento que sacia a fome do nosso povo.

Hortências decoram caminhos, quais tapetes em dia de procissão,
fazendo das ilhas quadros das quais todos nós somos pintores,
que dependuramos delicadamente no coração
de todo aquele que quiser descobrir Açores!






                                       




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