quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Reflexos




Não construamos mais castelos
Por mais que imponentes e belos
São pedras frias
Vazias…
Façamos apenas das cabanas
Das grutas nas rochas
Das savanas
O lar acolhedor dos nossos dias.

Não pintemos a vida tentando disfarçar
Lágrimas que nos insistem em afogar
Mostremos o rosto, ao mundo, tal como se sente
Se feliz, feliz então,
Se doído, doído então
É que para nós mesmos jamais se mente…

Chega de enganos e falsidades
Enfrentemos sem medos as realidades
Gritemos o que nos vai na alma, no interior…
É que seremos na nossa vida
A verdade da nossa alma reflectida
Sejamos então reflexos de amor!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Desertos



Esta coisa de não sabermos quem somos
Torna-nos loucos conquistadores
Por vivermos uma busca incessante
Percorrendo caminhos de conquista
De encontros e de amores…

Esta coisa de andarmos por aí (à deriva)
Guiados por bússolas e relógios solares
Faz de nós seres incompletos,
desencontrados  e inquietos, 
astronautas , cientistas, infindos mares.

Esta coisa incerta que temos de certo
Leva-nos a campos abertos
Mostra-nos céus que jamais voaremos;
Pois não somos o que temos,
Não somos mais por enriquecermos
Quanto mais ricos, mais desertos…

Esta coisa de nascer para morrer
E vivermos tão mortos enquanto vivos
Faz a alma padecer
Chorar de desgosto e desprazer
Enche-nos de momentos negativos…

Esta coisa de não sabermos quem somos
Torna-nos loucos conquistadores
Mata-nos a incerteza e o desalento
Por sabermos que morremos (a qualquer momento)
Somos livros abertos cheios de dores.

Partir



 

Dizer adeus é morrer sorrindo
É partir em busca de quem vai…
Dizer adeus é sorrir partindo
É uma lágrima salgada que cai…

Dizer adeus é também amar
Libertando o pássaro que quer partir
Devolvendo-lhe as asas para voar
Soltando amarras… deixando-o ir…

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

o papel



Cheguei!
Por fim,cheguei!

Sempre senti tua presença
Em tudo o que toquei,
Olhei,
vivi.
Cada dia que acordei
Senti tua força, tua energia,
Tua mão me guiando,
Oferecendo-me um novo dia.

Cheguei!

Tive de descer tão profundamente
Para ver com os olhos
Quem sempre acreditei…
Cheguei desfeita,
Cansada,
Vazia…
Mas,hoje vejo
Quem há muito me via.

Meus olhos estão sangrentos,
Doloridos,
Aguados…
Meus olhos
Gritam abrigo,
Descanso…
São barcos encalhados,
Raios de sol apagados…


Cheguei!

Venho pedir-te paz
Verdades
Esperança
Amizades.
Venho tentar perceber
Onde comecei;
O que é a vida?
Quando termina este meu sofrer…
Venho rogar misericórdia
Tentar entrar no paraíso
Destruir discórdia
Imputar ao mundo juízo,
Solidariedade
E calma…
Para que eu possa repousar
Para que viva serena minha alma
E o mundo possa, de novo, amar…

Cheguei!

Estou dentro de mim!
Procurando as respostas
Respondendo às perguntas
Descobrindo os caminhos
Tentando encontrar um fim
O início
A verdade…

Cheguei!
Parti!
Tantas vezes
Para longe de ti!
Por medo?
Por ignorância?
Pelas dúvidas?
Por ganância?

Cheguei!
Chegaste!

Não quero saber
Se és um Deus
Uma luz
Um destino
Um fim…


Meus olhos estão sangrentos,
Doloridos,
Aguados…
Meus olhos
Gritam abrigo,
Descanso…
São barcos encalhados,
Raios de sol apagados…

… cheguei!

Ressuscita-me!