domingo, 30 de junho de 2013

Terra molhada




Num punhado de terra

Nasce uma raiz que se agarra à vida

E quando a luz do dia encerra

A lua chega destemida.

E o cheiro a terra molhada

Faz regressar ao pensamento

A madrugada

O firmamento…

Num punhado de chão

Faço a minha moradia

Semeio o meu coração

Que germina em alegria.

E o cheiro a terra molhada

Faz regressar ao pensamento

A madrugada

O firmamento…

E,os meus olhos,em sementes

Vão regando as flores delicadas

Regam a relva com estrelas reluzentes

Pintam borboletas raras e sagradas.

E o cheiro a terra molhada

Faz regressar ao pensamento

A madrugada

O firmamento…

Água limpa



Regaste-me com paz,
lavaste minha mente;
eu tornei-me tão capaz,
tão fugaz,
diferente…
Purificaste meu espírito inteiro
e abriste meus olhos para o azul.
Passei a ver joias e um luzeiro
brilhante em terras do sul.
Regaste-me calmamente
renovando em mim a vida que me mora
e renovada sou uma semente
uma silva,uma amora.
Sou uma ribeira de água limpa e pura
desenhando as rochas do meu viver
com cores de ternura
verdade,sonhos e magia no ser.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Amor nos olhos




Uma boca, não me pintem,
não me pintem mãos
e nem nariz;
não me semeiem flores pelo corpo
e nem me inundem,com águas,a boca,
que eu sei ser tão feliz
com coisa pouca.
Basta-me a luz cintilante,
que dá,aos meus dias,cor,
luz dos olhos intensos
que me olham rasos de amor!

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Pensamento em movimento

Aqui fechada
nesta sala bolorenta
onde nem o ar sai nem o sol entra
estou fechada
(com a minha inspiração)
sem ânimo nem motivação.

Aqui quieta
com o pensamento
em movimento
estou inquieta
estou lá fora
na vontade de ir embora.

Sei ser só mais alguém
que caminha por necessidade
vendo passar a idade
enquanto outros, sem desdém,
mostram-nos a liberdade à distância
fazendo desta apenas uma lembrança.

Aqui fechada
com o pensamento
em movimento.
Estou inquieta
estou lá fora
na vontade de ir embora.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Noites vazias

 
Serão vazias
frias
chorosas
sem “pecado”
nem calor
nem cheiro a rosas.

Serei vazia
fria
inacessível
negra
infeliz
insensível

E as noites
longas
sem madrugada
sem varanda
sem alimento
vazias…
Sem chá
nem pão
serão lamento
solidão.

Serão vazias
frias
chorosas
sem “pecado”
nem calor
nem cheiro a rosas.

Serei sem ser
viverei
só por viver.
Partirei
tentando não lembrar
ficando sem ficar
sem mais ser mulher
só chefia
dor calada
agonias
dias escuros
noites vazias…




 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Malvadez



 
Chuva ácida
veneno
crueldade
insensatez
corrói entranhas
o espírito
filha da insanidade
seu nome:malvadez.

Mata vontades
alegrias
verdades.
Rio de dor
imundície
mata o amor.

Esvazia
deturpa
agonia.
Entristece
degrada
enfurece…


terça-feira, 4 de junho de 2013

A palavra


A  palavra não ouve mas fala
mata e cala
seduz e enternece
voa,desassossega,
permanece…
A palavra
alerta e acalma
enraivece e ampara
a nossa alma.
A palavra abriga
e briga
aconchega
e chega sem partir.
A palavra é transporte
lança cortante
e até morte
mas é sorriso
e sabe colorir.