sexta-feira, 26 de julho de 2013

Sopra-me






Vem devagar,pé ante pé

como quem esperançoso acende uma fogueira

vem devagar trazer-me conforto e fé

aninha-te,agasalha-te à minha beira.

Sopra-me tranquilamente

como se fosse eu,um lume adormecido

que vai surgindo timidamente

ganhando vida… sentido…





Vem devagar,em silêncio,vem
envolve-me em lábios e pele macia
dentro de mim só tu(mais ninguém)
cada momento é magia…
Sopra-me calorosamente
aquecendo com delicadeza meu corpo são
que adormeço serenamente
nas linhas da vida da tua mão…

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Doce mar salgado



Colho o teu sabor de doce mar salgado

que te escorre pela pele do corpo queimado,

que o sol beijou, deixando tons de caramelo;

provo-te num beijo doce de verão,

faço disparar o teu coração

quando, carinhosamente, acaricio o teu cabelo.



A água salgada leva-nos até ao céu, de azul vestido

banha-nos o espírito que renascido

torna-se leve, puro, angelical;

provo-te num abraço molhado

e sinto o teu amor doce e salgado,

sedutor e colorido como um coral.



Somos consumidos repentinamente

por uma calma renovadora e quente

que deixa paz, harmonia e conforto.

Provas-me com o sorriso do olhar

quando, serenamente te vens atracar

nos meus braços, tornados teu porto.




quarta-feira, 17 de julho de 2013

Distância

Maior que qualquer estrada,
maior até que o mar,
é a tristeza do olhar que não vê nada,
da força dos braços sem abraçar…

A inércia arrasta o pensamento,
para as palavras, que os lábios jorraram,
enquanto o olhar em descobrimento
revê terras e encostas que corpos desbravaram!

Mas é maior o espaço
entre cada momento olhado,
onde chovem saudades da intensidade do abraço,
e da luta dos lábios no beijo molhado.

É o não alcançar… É a lonjura,
que aperta, como um garrote, o coração,
asfixiando–o … Inundando-o de amargura,
arrancando–o do peito sem compaixão.

Maior do que a dor da carência,
é a lembrança do toque,da fragrância;
é o gelo do querer e contemplar a ausência,
a ironia da proximidade na distância!

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Manhã nublada



 
A ilha levantou-se da cama ensonada
e correu para a varanda para ver o dia chegar,
mas o dia vestia um calmo céu, que sem falar,
contava que a manhã vinha nublada.

Tentei rasgar algumas nuvens entristecidas
pousadas no beiral da minha janela
incentivando suas partidas
para que deixassem a manhã mais bela.

E num sopro de vontade e querer
imaginei por entre nuvens ver
um clarão, como na noite, se avista um farol.

Querendo que meu rosto gelado
fosse aquecido e iluminado
por um cálido raio de sol.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Dias que eu morro



Tenho dias que eu morro,
que vou-me desfazendo por dentro
e em mim mudam formas,
e corro
para longe do meu lamento…

São dias que pretendo apagar,
esquecer,
que me fizeram sofrer,chorar…
Tenho dias que morro
que tento ressuscitar.

E em mim mudam formas e trejeitos
e meus olhos molhados e desfeitos
alagam o chão das minhas pegadas…

Tenho dias que morro(dolorosamente)
por dentro desvaneço
desapareço
em lágrimas geladas…

sábado, 6 de julho de 2013

Pés descalços





A terra enche-me de inspiração
emana-me força e poder
povoa o meu coração
de sentir puro e bem-querer.

Meus pés descalços levam-me adiante
eu sou natural, sou de barro, sou terra fecunda
pedra preciosa, em bruto, qual diamante,
e o cheiro fresco da terra me inunda…

A terra enche-me de inspiração
e dela absorvo a graça e a energia
para continuar minha missão
viver para amar, a cada dia!

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Espaço meu

  
Por dentro suplico por calma
por uma tranquila passagem
onde todo o conteúdo da minha alma
passe leve qual suave aragem.
Por dentro suplico por calma
na estrada da minha viagem!

Não me sei encontrar em tumultos
e perco-me em momentos vazios,
tornam-se meus movimentos esguios
deixando para trás ritos e cultos;
quero um tempo purificador
sem gritos,sem mentiras,nem sofrer
no qual eu possa sentir o gosto do amor
onde ele fale calmamente,para eu o perceber.

Por dentro suplico por sossego
para que minhas inquietações atraquem seguras.
No papel derramo-me,
junto-me em ideias futuras.
Por dentro suplico por arrego
não desejando mais horas escuras…
Não me sei encontrar no desconforto,
perco-me em lutas,que não minhas…
Procuro um espaço meu,um calmo porto
Traçado nestas palavras e nestas linhas.

Por dentro suplico por calma
e deixo distante o que me atormenta,
que hoje eu sei que a minha alma
é a minha maior riqueza,que me alimenta!

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Olhar escuro




Num olhar escuro encontrei o amor:

era um olhar vazio que desejava,

um olhar que já não sorria, pairava.

Num olhar escuro sedento de carinho

encontrei o meu norte , o meu caminho,

minha abrigada

e gelei de calor

renasci no amor

que me cobiçava.



Num olhar escuro que deambulava

encontrei o amor

que procurava

a ternura

a paixão

a real loucura.

Num olhar escuro vivi a noite apaixonante

soube o que era ser amante,

predilecta

procura incessante

alma inquieta.

Num olhar escuro vivi o dobro do que era.

Fui sol de verão em plena primavera

e fiz do frio do inverno o conforto morno;

caí suave e calma como folhas de outono

e adormeci

em beijos adocicados

que colhi…