quinta-feira, 29 de maio de 2014

Notívago




Quando as portas do pensamento

abrem-se às rajadas do vento

e permitem a fuga das sensações,

levam o meu notívago coração

fazendo dele um ladrão

salteador de emoções.



Passeia-se pela calada da noite… sorrateiramente

fingindo ser uma apressada estrela cadente,

rasgador de céus semeados de estrelas.

Cheira a noite como se fossem rosas,

escreve poemas complexos como se fossem prosas,

faz em mim tatuagens, sem eu sabê-las…



E vaguei-a… Com um passo apressado

como quem vem de um mundo sagrado,

perseguindo a magia da madrugada.

Pára e recomeça a sua busca

mas a noite escura não o ofusca,

pois ele é uma estrela iluminada.



Conversas com o coração




Não me deixes morrer…

Não tapes os ouvidos para não me ouvires…

Não desligues o GPS para não me seguires…

Não me deixes morrer…



Quem pode viver sem ar?

Quem pode viver sem sol?

Quem pode viver sem mar?

Quem? Quem navega sem farol?



Não me deixes morrer…

Desiste de desistires de mim…

Não me podes esquecer,

isto seria o meu fim…



Quem pode viver vazio?

Quem pode viver sem sorrir?

Que coração bate sombrio?

Quem consegue ficar sempre a partir?



Não me deixes morrer…

Não rasgues os nossos sonhos partilhados…

Não desprezes os meus olhos molhados…

Não me deixes morrer…





Quem é que se encontra se perdido?

Quem me encontrará sentada na areia?

Quem fará minha vida ter sentido?

Quem me ofertará noites de lua cheia?



Não me deixes morrer…

Não me deixes o corpo, a alma, o pensamento…

Não partas deixando tanto sentimento…

Não me deixes morrer…



Quem me levará certo nas indecisões?

Quem me segurará pela mão?

Quem? Quem? Quem me irá agitar as emoções?

Quem terá excitantes conversas com o (meu) coração?

terça-feira, 20 de maio de 2014

Palavras doces

 
Palavras doces adoçam o nosso viver
trazem à nossa vida animo e esperança
falam-nos de bem-estar e de bem-querer
levam-nos adiante com confiança.
Palavras de amor e com doçura
confortam a nossa alma , quando atormentada,
envolvem-nos em momentos de ternura,
enxugam do nosso rosto a lágrima salgada...
Palavras ditas com um sorriso ternurento,
ou proferidas no silêncio mais profundo
abraçam-nos naquele momento
em que sentimos que nos abandonou o mundo.
Palavras doces que adoçam quem as diz,
fazem a vida de quem dá ter mais valor,
porque quem oferta doçura é mais feliz
e quem é mais feliz, sabe a doçura do amor.

terça-feira, 13 de maio de 2014

A esta hora do dia

A esta hora do dia
apodera-se de mim uma nostalgia…
Aquela sensação de cansaço … melancolia….

É o sol que caminha e se afasta
e com ele me arrasta
para mais um fim de tarde…um fim de dia…

A esta hora quando o silêncio já se sente
é quando a minha alma calma (aparentemente)
se permite repousar;
dá voz à criatividade
que a assalta sem maldade
falando-lhe de poesia e do amar…

A esta hora repenso as minhas pegadas,
as minhas quedas inesperadas,
as minhas vitórias…
Recordo os meus infernos e os meus paraísos
engulo lágrimas salgadas e rasgados sorrisos,
escrevo as minhas histórias…

A esta hora sou apenas uma criança
ou uma folha que dança
quando o vento a tira para dançar.
Mas sou também uma rajada de vento
viajando em cada pensamento
repetindo a palavra amar…

A esta hora do dia
apodera-se de mim uma nostalgia…
Aquela sensação de cansaço … melancolia….
É o sol que caminha e se afasta
e com ele me arrasta
para mais um fim de tarde…um fim de dia…