terça-feira, 30 de setembro de 2014

Alerta meteorológico


 
Períodos de céu imenso

em tons de azul intenso

e possibilidades de aragem nos cabelos à solta.

Estima-se que o mar estará bombástico

decorado por uma barreira de coral fantástico

e habitado por animais que viajam à sua volta.



Estado do tempo propício a abraços

para energizar as relações e os seus laços

com precipitação de beijos molhados.

Aconselha-se a toda a população

que sinta mais com o coração

e que vivam mais enamorados.



Estima-se que a temperatura

estará ideal para apreciar a estrutura

da pele daquela pessoa que tanto ama.

Se o estado do tempo piorar

desligue o telemóvel e não vá trabalhar,

abrace-se ao seu amor e fique na cama!

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Universo (in) verso



Lá fora há sol
e céu azul
e pássaros
e flores
e árvores vestidas de verde!
Lá fora crianças correm
crianças riem
outras que morrem
sem sol,
nem céu azul
nem pássaros
só árvores queimadas.

Lá fora cheira a relva
cheira a flores
cheira a terra
e crianças correm  
gritam
brincam
fazem breves escoriações.
Lá fora, neva no olhar
ouvem-se crianças a chorar
cheira a sangue
a carne queimada
vive-se a guerra
sagrada...
Partem-se corações…

Lá fora há dois mundos
de seres (des) humanos
imundos
gananciosos
asquerosos
outros doces
profundos
lutadores,
taciturnos …

Lá fora andamos ao sabor da sorte
à mercê da morte
ou da bondade.
Lá fora há um universo
inverso
disperso
há solidariedade
mediocridade
mentiras
verdades
maldade…
Tudo misturado
irreal
disfarçado…

Há uma mistura de interesses
sede de poder
ambição
loucura
tortura
destruição…
Sofrer…

Lá fora há medo,
fome
homens engravatados
chiques
bem trajados,
há um mundo vazio
crianças com frio
mutiladas
há mulheres
poderosas
caridosas
bem maquilhadas
vazias
frias
feras arquitetadas.

Lá fora há comida…
estragada,
em excesso…
Lá fora há um universo
inverso
vergonhoso…
Há armas de última geração
que matam tudo ao premir d’um botão,
sem que cá dentro
haja sentimento
ou um arrepiar do coração…

Lá fora há sol
a céu azul
e pássaros
e árvores vestidas de verde!
Lá fora crianças correm
crianças riem
outras que morrem
sem sol,
nem céu azul
nem pássaros
nem flores,
só árvores queimadas
e dores…

Lá fora há sepulturas
doenças sem curas
valas comuns cheias
há homens engravatados
mulheres maquilhadas
de almas feias.
Há vingança
dor
morta criança
desamor…

Lá fora vivem seres
que não são o que são
fingidos
despidos de valores
doentes
maus
indecentes
impostores.

Lá fora brincam as nossas crianças
geradas
amadas
alimentadas
entregues a um mundo
imundo,
a um universo inverso
cego e doente
onde gente mata gente
e nada por dentro se agita,
nada sente…

Lá fora há uma criança que grita…
Outras correm…
Outras morrem…


sábado, 27 de setembro de 2014

Poema a dois




 
Nesta noite

de agosto sereno

vejo estrelas no teu olhar

e o Sol, que dorme,

perto de ti, é pequeno

comparado à grandeza do teu brilhar.

O vento dança entre os caniçais

e na janela do nosso quarto

cantam grilos afinados.

Fazemos amor, entre abraços especiais,

enquanto eu chego e parto,

rogo que não partas nunca mais.

És o meu poema inspirador

o meu dia e a minha noite escura

és a paz que vem depois…

És o meu grande amor

a minha mais sóbria loucura…

Somos um poema a dois.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Anoiteceste-me!



Anoiteceste-me!

Semeaste a Lua em mim

pintaste o meu céu de estrelas

perfumaste as flores coloridas do meu jardim.



Anoiteceste-me!

Regaste os meus olhos com beijos

abraçaste-me com a alma

levaste-me ao paraíso dos desejos.



Anoiteceste-me!

Pintaste a praia de prata

e salgaste o mar de encanto

e melodias quentes em serenata.



Anoiteceste-me!

Impregnaste-me de sonhos e verdade

e amaste-me intensamente

pelos caminhos da liberdade.



Anoiteceste-me!

Encheste de luxo o meu ser.

Amar-te  e possuir-te

é sonhar-te, é viver-te!



Anoiteceste-me!

Enluaraste-me!

Prendeste-me!

Amaste-me!



Anoiteceste-me!

Bebeste a seiva do meu ser

abraçaste-me com laços de amor

fizeste-me amanhecer…






Um olhar



Nunca ninguém irá saber
quantas coisas conseguimos dizer
simplesmente trocando um olhar.
Porque falamos com expressão
só com a voz do coração
na secreta linguagem de amar...

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Estações






Quando as minhas folhas caem eu faço, com elas, poesia.

Com a luz da Lua faço da noite o meu dia

e com o silêncio das lagoas, quadros abençoados.

Colho da chuva a frescura,

da brisa do outono a ternura,

dos raios de sol, beijos molhados.



Eu faço das minhas lágrimas oxigénio e fertilidade

vejo-as como prova da minha sensibilidade

e renovo-me a cada corte, a cada estação.

Porque deixo sempre semeada, na terra, a raiz

que me alimenta e faz feliz

e faz brotar amor no meu coração.



Sou inverno, primavera,

gota de água, abelha

ninho, ave, flor.

Sou seiva, folha caída

oceano, terra prometida,

sou outono, verão de amor…



Quando as minhas folhas caem eu faço, com elas, poesia…