terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

História



A nossa história de amor tinha de ser diferente de todas as outras. 
A nossa tinha mesmo de ser original!
Não haveria um pegar na mão, 
um convite para tomar café ou um simples quero conhecer-te melhor.

Na nossa história, 
o mínimo que seria permitido fazer, seria, 
um arrepiante deslizar da mão pelo teu pescoço, 
provocando um arrepio até ao mais tímido poro…

Na nossa história, 
a cafeína era insuficiente 
perto de toda a adrenalina libertada pelo olhar 
que cruzamos no primeiro instante do segundo que nos vimos…


Na nossa história, 
conhecermo-nos melhor não chegava. 
Queríamos conhecer-nos todos: 
o exterior, 
o interior, 
os segredos, 
os medos, 
os desejos, 
as calmas, 
as inseguranças, 
as almas…


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Meu amigo


Esta carta que te escrevo
leva tudo o que sinto por ti:
a admiração,
a amizade,
o bem-querer
e o amor.

Ela é escrita com carinho,
com linhas de ternura
com muita dedicação
e muitas letras de doçura.

Escrevo para dizer-te
que és uma prenda que a vida me deu
que quanto mais te quero mais sei querer-te
e cada vez mais és meu amigo, só meu…

Amo-te com amizade
e esta amizade infinita e cheia de cor
é selada com verdade

nossa amizade é amor.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016


Mortes da vida



A vida é feita de mortes
 A nossa vida é feita de mortes. Das nossas mortes. 
De mortes alheias. Mortes estupidas, cruéis e feias…
Quando nascemos, morre-nos a possibilidade de vivermos para sempre. 
Quando alguém nos morre, morremos também. 
Morremos um pouco, morremos dolorosamente.
Cada vez mais, sinto que a morte nos espreita. 
Morremos quando damos mais valor a um lugar de destaque na sociedade, 
do que a um lugar aconchegante num coração. 
Morremos quando nos atropelamos para termos poder, morremos para ter,ter,ter…
Hoje sinto-me um pouco morta. 
Sinto-me assim porque vejo que ao meu redor, 
apesar do lamento e da dor, há gente que vive morta. 
Gente que simplesmente não entende, 
que viver, por viver, 
de nada importa…
Quantas lágrimas mais teremos de chorar,
 para estarmos preparados, para a despedida definitiva? 
Quantas?
Sei que, ainda que chorássemos todos os oceanos, 
jamais estaríamos preparados para morrer ou para ver morrer… 
Só sei isso…

Quando os outros morrem, morremos também. 
Porque vemos nas lágrimas alheias a nossa dor, 
o sofrimento de um pai, 
de um irmão, 
de um amigo, 
de uma mãe…
Olhamos para dentro de nós e dizemos egoistamente: 
passa-me ao lado morte. 
Não me toques. 
Não toques os meus…
Mas quando os outros morrem, morremos também… 
Cada pá de terra fria ou cada labareda ardente, 
que acontece, 
também nos arrefece, 
também nos carboniza…
Hoje sinto-me um pouco morta, por saber certa esta fatalidade, 
por saber que todos os que amo têm um prazo de validade, 
tal como eu…
Sinto- me um pouco morta de saudade, 
choro quem para mim já morreu…

Sinto frio e desconforto. 
Tenho medo e revolta. 
Sinto a maior ingratidão da vida… 
Hoje sinto-me um pouco morta…

E vivemos assim, 
tentando continuar a vida após as mortes que nos vão vivendo…
Tentando levar a vida adiante, 
para lá na frente sermos apenas um instante…
Um instante, em que tudo termina. 
Uma impossibilidade de não mais sentir, olhar, ver sorrir… 
Um instante, silencioso e dilacerante…

Hoje sinto-me um pouco morta… 
E ainda assim tento agarrar-me à vida. 
Rebusco forças que se encontram misturadas com as dores, 
as incertezas, 
os problemas e o prazo de validade incerto e secreto…

Quem disse que um jardim de flores é sempre belo?
Que beleza pode ter uma coroa de flores, 
quando as lágrimas de tristeza regam a nossa alma?

Hoje sinto-me um pouco morta… Ainda que viva…

A nossa vida é feita de mortes. 
Das nossas mortes. 
De mortes alheias. 
Mortes estupidas, cruéis e feias…

Quem disse que um jardim de flores é sempre belo?





O Amor...