segunda-feira, 7 de março de 2016

Eu fui a única culpada


Tudo foi culpa minha.
Eu fui a única culpada. 

Fui em quem provocou o seu despertar para a vida e para felicidade. 
Fui eu, 
com esta minha mania tola 
de temperar a vida com colheradas e colheradas de amor e sorrisos, 
que causei tanta vontade de mudança e de reviravolta. 
Sim, fui eu.
O meu acordar era feliz e ousado. 
O meu anoitecer era inovador e aventureiro. 
Eu criava regras e fazia com que as cumprissem. 
Eu investia em brincadeiras e provocava gargalhadas. 
Eu assumia a minha vontade, 
proclamava os meus sonhos e não escondia os meus medos, 
as minhas verdades e as minhas dúvidas. 
Sou a única culpada de tudo. 
Assumo. 
Chorei muitas noites e sorri muitos dias. 
Falei sempre o que pensava, mas acima de tudo sempre falei o que sentia. 
Usei sempre da verdade, mesmo quando tive a mentira à minha disposição. 
Eu fui sempre a única culpada. 
Culpada por ter nascido assim e viver o que nasci, 
culpada por querer e assumir o que queria, 
culpada por saber que,
 embora nem todos estivessem preparados para viver coisas verdadeiras, 
ter apenas promovido coisas reais. 

Eu fui a única culpada. 

Porque eu não procurei culpados para os meus erros 
nem culpados para os meus fracassos. 
A culpa foi minha por acreditar. 
Foi minha por me deixar enganar. 
Foi minha por voltar a amar!

Tudo foi culpa minha. 

E sempre será. 
Porque sou eu a dona da minha vida, 
sou eu a “dona deste meu nariz”, 
sou a responsável pelas minhas dores. 
Dores que só vão doer até eu querer. 
Dores que só eu terei de as terminar. 
Dores que só me acompanharão até onde eu quiser…

Eu fui a única culpada. 

Eu fui a única fracassada. 
Ninguém tem culpa de nada.

E quando o meu mundo se desmorona, 

eu sou sempre a única culpada, 
porque eu escolhi caminhos errados, 
porque eu apostei em cavalos parados, 
porque eu plantei árvores secas e sem vontade de crescer.

Felicidades a todos aqueles outros culpados 

que infelizmente não sabem sequer o que é ser!
Felicidades a todos aqueles outros culpados 

que não se mexem com medo do que os outros vão dizer. 
Faço votos de que consigam gerir em si 
a incapacidade de assumirem a sua culpa de fracasso 
e como resultado vivam a saborear o triste sabor da experiência do perder!

Ainda assim, foi tudo culpa minha…