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Varanda

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Da varanda vejo a lua, ouço o mar que está revolto, está tão vazia a minha rua só a enfeita meu cabelo solto. Da varanda saio em viagem, percorro longos trilhos onde passei e encontro realidades em minha passagem, dos corações que já amei. Da varanda não atinjo as paisagens que procuro e olhando o horizonte finjo acreditar que existe futuro. Da varanda contemplo a noite amena onde aromas da noite me recordam o que vivi. Aqui ficarei ansiosamente serena aguardando, como outrora, por ti…

Castelo desfeito

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Era nublada a manhã que nascia. Cantavam-me pássaros à janela. Mas em mim, minha alma, não via a alegria que sonhei e era bela! Apedrejada por pensamentos deprimidos, acordei, como se um terramoto me demolisse. Assustavam – me meus gritos contidos… Pena foi , não haver quem os ouvisse! Ergui-me em sobressalto do leito oco, esperançada que fosse um pesadelo afinal… Mas não! Eu fui percebendo pouco a pouco, que não era ilusão. Era Real! Havia se desmoronado o castelo que construí, Erguido com sonhos, meu amor e muito jeito. Lamento – me agora, em dor, pois percebi que a minha vida, esse castelo, está desfeito!

Gravado em mim

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Vejo um olhar e é o teu! Vejo o luar e sei – te meu! Vejo a chuva a cair e és o abrigo! Vejo um sorrir fico contigo! Vejo o sol brilhar e é teu calor! Vejo as ondas do mar é o teu amor! Vejo a melodia e é tua voz! Vejo alegria e somos a sós! Vejo a madrugada e é teu encanto! Vejo a geada e és quem amo tanto! Vejo uma flor e és jardim! Vejo – te amor gravado em mim!

Minha alma (tua)

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O dia que me olhaste Não olhaste meus olhos, Olhaste meu eu… O dia que te mostraste Não mostraste teu ser, Mostraste – me o céu… O dia que me tocaste Não tocaste minha pele, Tocaste minha essência… O dia que me faltaste Não aumentaste meu orgulho, Aumentaste minha carência… O dia que me beijaste Não beijaste minha boca, Beijaste meu sentimento… O dia que me abraçaste Não abraçaste meu peito, Abraçaste – me por dentro… O dia que sofreste Não sofreste sozinho, Sofreste e eu por ti… O dia que me perdeste Não perdeste o teu caminho, Perdeste tudo o que perdi… O dia que te declaraste Não declaraste teu desejo, Declaraste em mim a calma… O dia que me amaste Não amaste meu corpo, Amaste a minha alma…

Carta de despedida

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Estou de partida! Novamente; é minha vida! Levo nas mãos calejadas tantas águas passadas! Levo no meu peito, o orgulho desfeito! Nos ombros meus, o peso do adeus! Dentro da mala a voz que já não fala! De rumo ao berço quase desvaneço! Estou de partida; engolindo a lágrima da ferida! Levo o peso da solidão e a urna do coração! Levo   em mim tudo o que sei, levo os que amo e os que amei! Aos ombros grosseiros carregos os herdeiros! Dentro da mala uma dor que me estala! Sem norte nem rumo desfaço – me como fumo! Estou de partida voltando ainda mais corroída! Levo sonhos sem validade arruinados pela saudade! Levo nos olhos olhares, sorrisos, abraços, lugares! Sobre os ombros edificações e escombros! Dentro da mala ,vão partidos ossos, dor ,tristeza e os meus destroços! Extraviada parto em fracasso, levando o cheiro, o beijo, o abraço! Estou de partida, não vendo ninguém na saída! Levo algo que nunca...

Velhice

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Sou um livro quase escrito em papel de experiência. Sou um poço infinito entre a gratidão e a carência! Sou de vida , uma história, gravada em mar de lembrança. Sou mais valia, sou a memória, de novo, sou uma criança! Sou um todo neste mundo, que ainda tudo , não disse. Sou o inicio de um amor profundo, a lembrança da tua velhice! Sou ruga do tempo que passou, que permanece no presente. Sou o futuro que sonho… aqui estou! Vivo! Idoso! Mas gente!

Tolo!Tolo!Mil vezes tolo!

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Quando nasceste alguém te disse, que amar intensamente era tolice? Se o fizeram,foram bocas malfazejas, que não foram felizes e não querem que tu sejas! Quando partes com o coração dilacerado, de gritares que me amas, mas não dormes a meu lado, dói - te a alma , que revoltada, te morre em segredo... tudo fruto de uma caminhada feita de fraqueza e de medo! Quando nasceste, por acaso, vinhas fadado a viver  de aparências , tão infeliz e acorrentado? Se assim te deixas viver em perfeito dolo, é porque és tolo! Tolo! Mil vezes tolo!