quinta-feira, 28 de abril de 2011

Desgosto

Olho o horizonte, na tentativa
de conter uma lágrima furtiva
que teima em percorrer meu rosto…
Eu passo agora meus dias
ansiando regressar ás alegrias
mortas pelo sabor do desgosto.

Morro um pouco, cada dia,
e a luz da alegria
afasta - se cada vez mais;
faz – me então perceber,
que eu apenas posso ser
como o comum dos mortais...

E o sorriso que era fácil em minha boca,
é nela agora coisa rara, coisa pouca,
é como aurora boreal,
rara, a colorir meus lábios de mel,
pelo excesso de chuva no meu céu,
ser agora ritmado e mortal…

Sou agora uma dor enorme em mim…
Como se interminável… sem fim…
Que eu tento curar calada,
e para esconder é então que minto,
disfarçando a dor que sinto,
dizendo sorrindo que ... não dói nada…


domingo, 24 de abril de 2011

Raízes


Eu vim como quem veio reviver,
refazer ou tentar corrigir
caminhos, onde eu pudesse sorver
forças para tentar prosseguir.

Eu vim com a alma convalescente,
Magoada, tristonha, vazia.
Nos olhos a lágrima permanente,
o peito vazio de alegria…

Entrei no meu profundo para procurar,
raízes, amarras de mim,
e remexendo consegui encontrar
amarguras e traumas sem fim…

Por vezes pensava que na vida
teríamos de sonhar e perseguir ideais,
mas nem sempre nos deixam saída,
Estranham - nos ao não sermos iguais!

Jamais me viram chegar,
de onde tantas vezes parti,
pois sou ser desigual, de atormentar,
embora seja , não sou daqui…

Eu parto como chego, foi sempre assim,
com duvidas e pena da vida minha,
vendo que sou parte de um jardim,
onde eu sou a erva daninha.







sexta-feira, 22 de abril de 2011

Baía




Transformaste o dia em noite bela,
ofereceste – me o mar à janela,
levaste – me de amor ao arranha – céu.
Eu fui companheira, ouvinte, amante,
fui corpo, boca e sol radiante
a cada suspirar de desejo teu!

Eu trouxe no corpo um cheiro com sabor,
nas entranhas ainda o tremor,
no olhar as vozes em silêncio sorrindo.
Nas mãos trouxe, do teu corpo pedaços,
no peito a intensidade dos abraços,
na mente, tudo se repetindo…

Transformamos nossos corpos sem tabus,
numa intensa entrega, de calma nus,
provando carícias quentes em noite fria,
enquanto eu contemplei a imensidão do teu mar,
indagaste o melhor jeito de atracar
a espuma das tuas ondas em minha baía…

Atracado em mim, como se eu fosse teu norte,
envolveste – me toda,com teu abraço forte,
como um demónio que quer possuir
uma alma indefesa, amada e feliz…
… abriguei em mim quem tanto desejei e quis
e quem jamais quero ver partir!








Sem direcção


 
Eu vivo a contar os segundos
que cada dia me oferece,
ansiando olhar olhos profundos,
que meu olhar sedento, não esquece!

Eu vivo contando cada minuto,
diminuindo esta ausência ingrata,
disfarçando com sorrisos o luto
de uma distância que me mata.

Eu vivo dias numa hora,
como se a morte viesse
para me levar daqui  embora
e eternamente me quisesse.

Eu vivi anos procurando
a luz dos meus desejos sonhados,
me perdendo , caminhando, chorando,
entrando por caminhos errados.

Eu vivi minha vida entre sonhos e a imaginação,
desejei – os tão intensamente, que os julguei reais,
e agora que me encontro sem direcção,
afinal descubro que já não vivo mais.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Mensagem

 

Esta noite não dormi,
mas tive uma companhia na cama
que insistiu em deitar- se comigo…
Envolveu- me…
Abraçou -me…
Voltou a ser dono da minha vontade;
tomou conta de mim
e dos meus pensamentos…
Possuiu- me toda a noite,
sem reservas,
sem dó
e sem cuidado…
Ele sabe que tomou conta de mim…
Enquanto te escrevo esta mensagem,
ele dorme a meu lado,
mas não me deixa dormir,
nem sorrir,
nem viver…
Sabes quem ele é?!
É ele mesmo! 
O medo!
Sim, o medo. 
O medo de te perder,
de te não ver,
o medo de não te sentir e pertencer-te.
O medo de amar-te
e não ter-te…

terça-feira, 19 de abril de 2011

Vento


Hoje fui a enterrar
ainda viva,
a soluçar...
E impávido
o coveiro,
pá a
de pesada terra,
sepultou – me,
como se eu fosse um detrito
num aterro.
Que dor,
ser como lixo despejado
num terreno árido e vazio…
Que cansaço,
que frio...
Que mágoa...
Que pena
ser mal amado,
e matar devagarinho
tanto amor e carinho
que docemente foi gerado… 

sábado, 16 de abril de 2011

Escrever desejos


Sentei – me no café, a escrever

palavras que sonhava em te dizer,

coisas misteriosas, coisas banais,

conversas para prolongar o encontro que temos,

recordações dos momentos que vivemos,

Frases e expressões especiais.




A cada viagem reflectida

descubro que é bem mais complicada a vida,

não é nada, do que nos contam os nossos pais,

as amarguras, por eles contadas,

vêm com flores, vêm camufladas,

não lhes escutamos os ais.



Eu vivo a reciclar um mundo só meu,

que criei bem perto do céu

aonde me visita só quem eu permito,

uma gruta longínqua e secreta,

enfeitada com a luz do sol directa

e um dourado paredão, bonito.



Sentei – me no café, e por momentos

deixei – me levar por sentimentos…

Rodearam – me tantas ideias mirabolantes…

Eu, igual, já não mais serei

nem tão pouco pensar como antes, pensarei,

nunca mais serei a de antes.



Todo o ser que se deixa tocar

por uma palavra, por um abraço, por um olhar

jamais volta ao tamanho original.

Pois na sua mente, no seu corpo, no inconsciente

tudo funcionará de forma diferente,

ninguém jamais ficará igual!



Da vidraça olhei gente, olhei pontes,

vi carros, animais, vi montes,

o olhar atingiu tudo o que senti.

Encontrei chuva, nevoeiro, humidade

vi a agitação de uma cidade,

apenas não olhei para ti.


Sentei – me no café sozinha,

com minha solidão como vizinha

e os pensamentos me colorindo.

Desejando com toda a força, sem parar,

o abrir da porta e o ver entrar

O amor, o homem… chegando… sorrindo…

BEIJO TEU

Não preciso ver Para (te) sentir Porque só ser Já é existir. E cada beijo teu É declaração É amor, é céu É realização. Não preciso ter Par...