terça-feira, 3 de maio de 2011

Soneto Verdade

 
A alma também envelhece
à medida que o tempo corre,
a  força diminui, o corpo morre,
só a memória não esquece!

Os dias contados tornam – se meses;
os meses traduzem – se em anos;
e  apercebemo – nos que somos humanos,
e erramos tantas vezes…

Embora haja quem diga ser pecado
amar intensamente e ser amado,
caso pudesse ,não corrigia minha imprudência…

Pois o amor teu, foi a luz do meu dia…
A razão de vida, a minha alegria…
O amor maior da minha existência!

domingo, 1 de maio de 2011

Pedaços de uma Mulher


Estas palavras que aqui deposito
são como as lanças que me agoniam,
que destroem o meu peito aflito,
me esfaqueiam,me esvaziam…

São palavras sentimentos que me esvoaçam
que eu temi tantas vezes exprimir,
por saber que ao dizê–las,já não me abraçam
os braços, que tantas vezes,loucamente,pude sentir.

E vou eu, como outras vezes no passado,
percorrer,entre lágrimas e tristeza,o corredor,
tentando recuperar meu coração despedaçado
por procurar e acreditar tanto no amor!

Embora devagar,passo a passo,
sentindo uma imensa vontade de ruir,
tentarei colher para o meu regaço
os pedaços de mim para me reconstruir.

Irei no amanhã olhar com prudente calma,
esconderei o meu olhar,a minha essência…
Não deixarei ninguém encontrar neles a minha alma
viverei guardando bem guardada  minha carência…

E sentada a escrever,tanto que rastejo…
Pois é assim que me sinto,no poço, no fundo…
Apagaste em mim o futuro,o desejo,
foi como se me expulsasses do mundo.

Deposito com dor e amargura abundante
este poema,que encerra na minha vida um capítulo,
como se eu fosse um livro preso numa estante
e tu deste livro fosses o título…

Sem dúvida,deixaste–te escrito… ferrado
nas páginas da minha vida,que não posso reescrever,
mudando a história do meu olhar,que sabias,já tão marcado,
criando mais em mim pedaços de uma Mulher!





quinta-feira, 28 de abril de 2011

Desgosto

Olho o horizonte, na tentativa
de conter uma lágrima furtiva
que teima em percorrer meu rosto…
Eu passo agora meus dias
ansiando regressar ás alegrias
mortas pelo sabor do desgosto.

Morro um pouco, cada dia,
e a luz da alegria
afasta - se cada vez mais;
faz – me então perceber,
que eu apenas posso ser
como o comum dos mortais...

E o sorriso que era fácil em minha boca,
é nela agora coisa rara, coisa pouca,
é como aurora boreal,
rara, a colorir meus lábios de mel,
pelo excesso de chuva no meu céu,
ser agora ritmado e mortal…

Sou agora uma dor enorme em mim…
Como se interminável… sem fim…
Que eu tento curar calada,
e para esconder é então que minto,
disfarçando a dor que sinto,
dizendo sorrindo que ... não dói nada…


domingo, 24 de abril de 2011

Raízes


Eu vim como quem veio reviver,
refazer ou tentar corrigir
caminhos, onde eu pudesse sorver
forças para tentar prosseguir.

Eu vim com a alma convalescente,
Magoada, tristonha, vazia.
Nos olhos a lágrima permanente,
o peito vazio de alegria…

Entrei no meu profundo para procurar,
raízes, amarras de mim,
e remexendo consegui encontrar
amarguras e traumas sem fim…

Por vezes pensava que na vida
teríamos de sonhar e perseguir ideais,
mas nem sempre nos deixam saída,
Estranham - nos ao não sermos iguais!

Jamais me viram chegar,
de onde tantas vezes parti,
pois sou ser desigual, de atormentar,
embora seja , não sou daqui…

Eu parto como chego, foi sempre assim,
com duvidas e pena da vida minha,
vendo que sou parte de um jardim,
onde eu sou a erva daninha.







sexta-feira, 22 de abril de 2011

Baía




Transformaste o dia em noite bela,
ofereceste – me o mar à janela,
levaste – me de amor ao arranha – céu.
Eu fui companheira, ouvinte, amante,
fui corpo, boca e sol radiante
a cada suspirar de desejo teu!

Eu trouxe no corpo um cheiro com sabor,
nas entranhas ainda o tremor,
no olhar as vozes em silêncio sorrindo.
Nas mãos trouxe, do teu corpo pedaços,
no peito a intensidade dos abraços,
na mente, tudo se repetindo…

Transformamos nossos corpos sem tabus,
numa intensa entrega, de calma nus,
provando carícias quentes em noite fria,
enquanto eu contemplei a imensidão do teu mar,
indagaste o melhor jeito de atracar
a espuma das tuas ondas em minha baía…

Atracado em mim, como se eu fosse teu norte,
envolveste – me toda,com teu abraço forte,
como um demónio que quer possuir
uma alma indefesa, amada e feliz…
… abriguei em mim quem tanto desejei e quis
e quem jamais quero ver partir!








Sem direcção


 
Eu vivo a contar os segundos
que cada dia me oferece,
ansiando olhar olhos profundos,
que meu olhar sedento, não esquece!

Eu vivo contando cada minuto,
diminuindo esta ausência ingrata,
disfarçando com sorrisos o luto
de uma distância que me mata.

Eu vivo dias numa hora,
como se a morte viesse
para me levar daqui  embora
e eternamente me quisesse.

Eu vivi anos procurando
a luz dos meus desejos sonhados,
me perdendo , caminhando, chorando,
entrando por caminhos errados.

Eu vivi minha vida entre sonhos e a imaginação,
desejei – os tão intensamente, que os julguei reais,
e agora que me encontro sem direcção,
afinal descubro que já não vivo mais.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Mensagem

 

Esta noite não dormi,
mas tive uma companhia na cama
que insistiu em deitar- se comigo…
Envolveu- me…
Abraçou -me…
Voltou a ser dono da minha vontade;
tomou conta de mim
e dos meus pensamentos…
Possuiu- me toda a noite,
sem reservas,
sem dó
e sem cuidado…
Ele sabe que tomou conta de mim…
Enquanto te escrevo esta mensagem,
ele dorme a meu lado,
mas não me deixa dormir,
nem sorrir,
nem viver…
Sabes quem ele é?!
É ele mesmo! 
O medo!
Sim, o medo. 
O medo de te perder,
de te não ver,
o medo de não te sentir e pertencer-te.
O medo de amar-te
e não ter-te…

BEIJO TEU

Não preciso ver Para (te) sentir Porque só ser Já é existir. E cada beijo teu É declaração É amor, é céu É realização. Não preciso ter Par...