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Mensagens

Lágrimas ao sol

Esperei que ele nascesse e inundasse o meu jardim, coberto por ervas daninhas e fósseis de mim. Despontou lá bem alto inundando de calor toda a cidade; esquentou o negro asfalto que me ladrilha ferozmente a sensibilidade. esperei que este nascer me trouxesse um naco de esperança, pois é que vivo de tanto morrer, e meu coração ferido já se cansa… E á medida que me aquecia a pele desnuda, crescia em mim uma dor funda que me agredia gratuitamente, ferindo ainda mais minha ferida apagando em mim qualquer réstia de vida esfaqueando - me toda … por dentro. Esperei um pouco mais , sempre tentando, um mágico sentir , um renascer, uma forma de referência, um farol. Não surgiu! Não me ouviu … e eu esperando, enquanto desgarradas iam rolando minhas lágrimas brilhando ao Sol.


Guerra interior

Foi declarada guerra no meu interior;
combato agora os segundos,
os minutos,
as horas,
que farão dias,
semanas,
meses, que farão anos,
contra esse amor!
Não quero lutar! Quero – te amar!

Como?

Como podemos parar, o motor dentro do peito? Desenfreado teima em palpitar embora tantas vezes desfeito…
Como podemos calar sua voz que nos chama? Constantemente nos leva a recordar alguém a quem se ama…
Como podemos matar o amor que teima em viver? A vida ensina-nos a amar mas não nos ensina a esquecer!

Sempre

Sonhaste com a hora da minha chegada, Com o olhar que nos prendia; Sonhaste com o ruído da porta de entrada, Com o contemplar da tua alegria.
Sonhaste com o abraço assassino de saudades, Com a intensa respiração de desejo; Sonhaste com todas as nossas vontades, Expressas nas salivas dos nossos beijos.
Sonhaste com o meu aroma corporal, Que te tira do sério e te fascina, Sonhaste com a sobremesa carnal Confeccionada com teu pénis em minha vagina…
Sonhaste possuir - me  como antes, Com a mesma força e o mesmo amor; Sonhaste que ainda éramos amantes, Desnudos, entregues, sem pudor!
Sonhaste com meus gritos de prazer, Onde viajas loucamente e hibernas; Sonhaste que ainda me podes ter Fazendo escorrer teu sémen em minhas pernas…
Sonhaste com a paz depois dos corpos em luta, Deitados nus, abraçados num olhar; Sonhaste com a voz que teu coração escuta, A voz da mulher, que sabes tão bem amar!
Sonhaste ter - me mais uma vez em teu abraço, Para comprovares se o amor que sentias era real, Sonhaste comigo a provar o suor…

Deixa a vida viver

Deixa a noite te envolver; Deixa a vida ganhar cor; Sente a força do mar percorrer Todas as formas de fazer amor.
Deixa a estrela cadente voar. Entrega-lhe o teu sonho em pedido; Deseja intensamente o forte abraçar, Do distante desconhecido…
Deixa cada onda agitada Penetrar – te como anéis de Saturno, Sacia tua vida em pequenos nada, Transforma – te em faminto nocturno.
Deixa a vida viver… bem viva. Grita ao mar; prende – te à areia; Empenha toda a tua saliva, Como se agarrasses toda a luz da lua cheia.
Deixa a tristeza partir destruída, Deixa a alegria te destilar em alambique; Degusta intensamente o sabor da vida Como às iguarias de um piquenique.

A praia

A praia traz – me mãos dadas Traz - me sorrisos Abraços Pegadas. Traz – me olhares Luar Traz – me promessas O mar… Traz – me momentos Desejos Juramentos Os beijos. A praia traz – me a madrugada O horizonte distante A caminhada O amante! A praia traz – me areia A música da voz A alma cheia Nós… A praia traz – me o vento A lágrima salgada O sentimento A face gelada. A praia traz – me o frio As lembranças O rodopio Das nossas danças. A praia traz – me o cheiro O toque das peles macias O amor verdadeiro As alegrias. A praia traz – me quem se foi… A dor Como dói Tudo… sem ti, amor… A praia traz – me teu rosto O bater do coração O sol-posto A minha solidão…

Madrugada

Regressei a casa de pés no chão, sentindo nos pés o frio da madrugada, trazendo tudo da minha vida,no coração gelado pela força da brisa da geada.
Entrei devagar no palácio sombrio, abri – lhe a porta como quem não quer entrar, arrastando a dor que me gelava,como o frio dos pólos do ter de partir querendo ficar.
Caminhei em silêncio em cada passo, deixando pegadas de passados e de sorrisos. Despi do corpo a roupa em compasso mantendo apenas a pele e os cabelos lisos.
Subi a escada ,quase sem respirar pois me impregnava o cansaço e a dor, da tristeza e da força do amar e a constância das forças do rio do teu suor.
Abri lentamente a janela do meu espaço... Uma brisa revoltada agrediu me com o cortinado, e brevemente transportou – me para dentro do abraço que inesquecivelmente repousou a meu lado.
Instantaneamente saltaram aguçadas lágrimas de desgosto, fazendo lembrar as palavras do olhar e dos corpos,o envolver, caíram vertiginosamente mordendo as maçãs do meu rosto como se fossem lobos ferozes e sem nada pa…