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Matei um amor

Hoje matei um amor que se abrigava em mim, sufoquei a sua dor, matei - me , foi meu fim…
Hoje matei uma esperança, minha candeia, minha chama; sepultei – a calma e mansa e bem funda na lama…
Hoje matei um habitante que povoava minhas entranhas; seu velório foi constante… Caíam gotas estranhas…
Hoje matei um sorriso, esfaqueei-o sem piedade, tornei meu rosto liso sem alegria , sem vaidade…
Hoje metei – me (ser bruto), sacudi meus membros, libertei - me ! Vivo no escuro, num luto, Tirei – te de mim… matei – me…

Quente vermelho

Queria tanto dar dentadinhas na lua

como faço nas bochechas da cara tua;

queria tanto sentir o aroma de cada flor

como faço com o cheiro do teu amor;

queria tanto nas costas de uma águia voar

como faço quando flutuo ao te amar;

queria tanto ser uma chama infinita

como sou quando teu corpo me grita;

queria tanto ser o mar da tua vida

povoado por baleias...

Queria mesmo, era na verdade,

ser o quente vermelho sangue percorrendo tuas veias!

Não posso...

Eu não posso sentir nada;

eu não posso tão pouco gritar,

deixar falar esta voz que me grita cá dentro;

eu não posso dizer nem medir o tamanho deste sentimento,

deste querer, desta necessidade;

não posso apregoar esta minha verdade cheia de vida e vontade;

eu não posso ser nada,

tenho de sufocar- me,

ficar quieta e calada;

eu não tenho o direito de perguntar nem esperar respostas;

só posso guardar para mim este amor grandioso e forte,

cheio de bem-querer e alegria,

que nasceu em mim por magia;

eu não o posso apagar nem esquecer por mais que tente;

posso apenas ficar ausente e só,

tentando mostrar não mais existir e querer,

mentindo -me dolorosamente e sem dó,

mentindo convictamente que consigo te esquecer,

mesmo que por dentro, em mim,

vivas constantemente a renascer!

Velho sonho

Ai se eu pudesse correr p’los campos das artérias, tornada sangue quente e galopante, regando flores, nos olhos das primaveras, dos seres que morrem vivos a cada instante; para tornar lágrimas, que de veneno, são feitas em sementes germinando em fértil terra, sepultando ruim ganância, que rega com enganos os corações gélidos destes humanos, que matam o amor e renascem com a guerra!
Ai se eu pudesse, abraçar todo aquele que se nega entender que a vida sua é pedra viva e valiosa, e ao caminhar a desfolha e a degrada; fazer sentir que todos somos detentores da luz da lua, iluminados, qual rara rosa em florida sacada!
Ai se eu pudesse, degustar um verso e beber poesia, devagar e leve o seu sabor;

Incerto

Assombram - nos  dúvidas e incertezas neste caminho que vamos diariamente trilhando; enfrentamos desafios, uns com fabulosas destrezas, outros porém, vamos falhando.
Mas sabemos que erramos, após termos tentado, pois, só assim sabemos o errado do certo distinguir; só sendo válida, como experiência, o que é experimentado e caso, seja errado, saberemos como não repetir!
É estranho mas é incerto então saber se realmente o amanhã irá existir; se o sol voltará a nascer; se no jardim, alguma flor irá florir!
Teremos um ombro onde repousar? Ou o amor que se declara é um erro mortal? Quem nos poderá auxiliar? Tudo é incerto afinal…
Caminhemos firmes e adiante, uns certos do incerto, outros com a incerteza do que é certo, deixando o amor tão distante, afastando, o que se desejava que ficasse tão perto…
Se um dia o amor, rodeado de culpa e saudade, vier certo de querer me encontrar, hei - de estar ,certamente olhando, como sempre o vai vem das estrelas nas ondas do mar!
Tudo é incerto afinal… O início… O destino… O final…

Manjar

Feito de pequenas dentadas em cerejas e ácido ananás adocicado, é o sabor da tua boca, quando me beijas e me adoças num abraço açucarado.
Pelos lábios, escorrendo, tornado doce o meu coração, que ferve quente, de louco bate, como se um chá de jasmim,eu fosse, derreto - me em teu corpo, qual chocolate.
Em brasas já nossas carnes se entregam, num manjar confeccionado em lume brando, onde os ingredientes do amor, não negam que o fogo deste amor vai aumentando…
E do nada onde nasceu é já magnificente, feito de verdades e de entrega pura; fervilha tornando os corações da gente dois sóbrios esfaimados dessa loucura.
Degustado simplesmente, sem talher, partilhamos o intenso sabor de corpos de coco, enquanto ao ouvido sussurras baixinho: “ Mulher… Tu em mim...deixas – me louco…"

Razão

Sol. Porquê? Se a luz dos teus olhos não me vê! Sorrisos. Quantos? Se meus lábios só se alegram com teus beijos santos! Alegria. Por quem? Se a alegria da minha vida hoje não vem! Para quê arco-íris e cor? Se não sinto a meu lado a presença do teu amor! Alimentos. Qual o interesse? Só se ao menos a minha boca, na tua bebesse! Esperança? Esta sim! De te ver hoje, quando o dia chegar ao fim!