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Beijada pelo sol

Hoje desafiei o sol que brilhava no céu, convidei - o a beijar – me a pele clara de inverno, penetrou – me inteira, como quando és meu e te entregas nos meus braços, num apertar eterno!
Depois de chegar radiante, o sol do meu dia, caminhando cuidadoso em minha direcção, inundou – me o olhar de sal e alegria, aqueceu - me o sangue; ressuscitou - me o coração…
… e beijou – me diante do mar e da multidão deixando no meu rosto o rasto de amor, mostrando que sou eu a dona do seu coração, que sou eu quem lhe causa excitação e fervor…
Sentou - se calmamente a meu lado, como se fosse um cavalheiro das histórias encantadas, e me olhando firmemente com seu olhar parado, Apertou - me meigamente as minhas mãos, nas suas depositadas.

Jamais foi meu

Eu tenho guardado em mim o segredo dos projectos da minha vida atribulada, onde muitos dias eu sou arvoredo noutros solo árido sem nada.
Eu tenho lutado em batalhas interiores, escondida em sorrisos e gestos carinhosos, de onde regresso cheia de feridas e de dores vendo partir seres vazios vitoriosos.
Eu tenho tentado arrancar de mim os desejos; apagar as lembranças e a vontade, suspender do mau paladar o gosto dos beijos, negando muitas vezes não ver a verdade…
Eu tenho tentado não ver, me iludindo, sabendo muito bem deste filme qual o fim! Cada dia que chegas é como se tivesses partindo pois jamais serei tanto para ti quanto foste p’ra mim.
Eu tenho contado a mim mesma mentiras no escuro, pois a estrada que me mostraste, terminará em breve, onde eu serei um passado sem futuro lavando meu rosto triste com derretida neve…
Eu tenho calada, gritado como lamento (sem direcção meu olhar já se perdeu). Tento aniquilar o que me corrói por dentro Que pensava possuir mas que jamais foi meu.

Matei um amor

Hoje matei um amor que se abrigava em mim, sufoquei a sua dor, matei - me , foi meu fim…
Hoje matei uma esperança, minha candeia, minha chama; sepultei – a calma e mansa e bem funda na lama…
Hoje matei um habitante que povoava minhas entranhas; seu velório foi constante… Caíam gotas estranhas…
Hoje matei um sorriso, esfaqueei-o sem piedade, tornei meu rosto liso sem alegria , sem vaidade…
Hoje metei – me (ser bruto), sacudi meus membros, libertei - me ! Vivo no escuro, num luto, Tirei – te de mim… matei – me…

Quente vermelho

Queria tanto dar dentadinhas na lua

como faço nas bochechas da cara tua;

queria tanto sentir o aroma de cada flor

como faço com o cheiro do teu amor;

queria tanto nas costas de uma águia voar

como faço quando flutuo ao te amar;

queria tanto ser uma chama infinita

como sou quando teu corpo me grita;

queria tanto ser o mar da tua vida

povoado por baleias...

Queria mesmo, era na verdade,

ser o quente vermelho sangue percorrendo tuas veias!

Não posso...

Eu não posso sentir nada;

eu não posso tão pouco gritar,

deixar falar esta voz que me grita cá dentro;

eu não posso dizer nem medir o tamanho deste sentimento,

deste querer, desta necessidade;

não posso apregoar esta minha verdade cheia de vida e vontade;

eu não posso ser nada,

tenho de sufocar- me,

ficar quieta e calada;

eu não tenho o direito de perguntar nem esperar respostas;

só posso guardar para mim este amor grandioso e forte,

cheio de bem-querer e alegria,

que nasceu em mim por magia;

eu não o posso apagar nem esquecer por mais que tente;

posso apenas ficar ausente e só,

tentando mostrar não mais existir e querer,

mentindo -me dolorosamente e sem dó,

mentindo convictamente que consigo te esquecer,

mesmo que por dentro, em mim,

vivas constantemente a renascer!

Velho sonho

Ai se eu pudesse correr p’los campos das artérias, tornada sangue quente e galopante, regando flores, nos olhos das primaveras, dos seres que morrem vivos a cada instante; para tornar lágrimas, que de veneno, são feitas em sementes germinando em fértil terra, sepultando ruim ganância, que rega com enganos os corações gélidos destes humanos, que matam o amor e renascem com a guerra!
Ai se eu pudesse, abraçar todo aquele que se nega entender que a vida sua é pedra viva e valiosa, e ao caminhar a desfolha e a degrada; fazer sentir que todos somos detentores da luz da lua, iluminados, qual rara rosa em florida sacada!
Ai se eu pudesse, degustar um verso e beber poesia, devagar e leve o seu sabor;

Incerto

Assombram - nos  dúvidas e incertezas neste caminho que vamos diariamente trilhando; enfrentamos desafios, uns com fabulosas destrezas, outros porém, vamos falhando.
Mas sabemos que erramos, após termos tentado, pois, só assim sabemos o errado do certo distinguir; só sendo válida, como experiência, o que é experimentado e caso, seja errado, saberemos como não repetir!
É estranho mas é incerto então saber se realmente o amanhã irá existir; se o sol voltará a nascer; se no jardim, alguma flor irá florir!
Teremos um ombro onde repousar? Ou o amor que se declara é um erro mortal? Quem nos poderá auxiliar? Tudo é incerto afinal…
Caminhemos firmes e adiante, uns certos do incerto, outros com a incerteza do que é certo, deixando o amor tão distante, afastando, o que se desejava que ficasse tão perto…
Se um dia o amor, rodeado de culpa e saudade, vier certo de querer me encontrar, hei - de estar ,certamente olhando, como sempre o vai vem das estrelas nas ondas do mar!
Tudo é incerto afinal… O início… O destino… O final…