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Mensagens

Metade de mim…

Já sem a luz das velas aromáticas, apenas com o eco das palavras ditas, regressaram ao meu lar vazio, as lágrimas azedas, constantes … malditas…
Juntei – lhes sabão e fiz espuma e com elas lavei, por tino, as louças, e através da janela só havia uma bruma Que rindo, cruel, me levava as forças…
Guardei no armário do meu peito os talheres, junto aos momentos vividos, e regressei às imagens do teu deleite entre as iguarias e os abraços servidos.
E a cada passo, nesta viagem , mais me desfazia, mais ficava degradada, pois eu fui animal selvagem, presa perseguida em bárbara caçada.
Fui todo o dia lume e calor; dei – me inteira do inicio ao fim; investi todos os meus ingredientes de amor, mas fiquei apenas mais despida … metade de mim…
O dia avisou – me que a noite partia… As horas haviam passado caladas… Regressei quieta para a cama vazia ouvindo partir, teus passos nas escadas…
Pela janela, vejo o dia nascer, morrendo por não estares por perto… e adormeço de tristeza… e sem querer ser o teu oásis e tu o meu deser…

Meu corpo

Meu corpo está ainda como o deixaste ,

despido de tecidos mas coberto das mãos tuas;

deitado na nossa cama onde me amaste,

ardendo de prazer, queimando as peles nuas.


Meu corpo é teu terreno húmido e fecundo

onde semeias o teu corpo suavemente,

deixando tuas sementes no meu eu mais fundo

que germinam em mim, ninho seguro e quente…



Meu corpo é teu divã relaxante

depois do auge da entrega carnal e do prazer,

onde ficamos entregues a cada instante

abraçados sem força que nos possa desprender!


Meu corpo é teu refúgio, é teu abrigo,

parte de mim, tua pertença, tua mina,

onde entras para fazer amor … comigo

e seres feliz como ninguém te imagina…


Meu corpo completa o teu corpo, que sedento

procura em meus olhos a firmeza

de te esperar e querer a cada momento

amenizando tuas dúvidas e momentos de tristeza .


Meu corpo é só de mim um pedaço,

todo o resto que tu amas é alma e coração,

e toda eu ouço o teu grito no teu abraço

me pedindo : “ Não me deixes! Não..."

Gélidas gotas

Chove agora tanto em mim
que me sinto encharcada,
são gélidas gotas de tristeza
de vazio carregadas;
sinto- me só numa rua,
onde não encontro a saída
e sou de novo menina forte e com garra
abandonada nesta vida...

Espelho

Em frente ao espelho rasgas sonhos ; Olhas palavras de mel e beijos de lume; Desmaquilhas os olhos risonhos; Quebras promessas e paladares de ciúme.
Despes das vestes a vontade, dos cabelos desprendes a magia e regas todo o teu ser com saudade, afogas em lágrimas sangrentas, tua agonia.
Vês que foste viagem e aventura, fonte de luxúria, parque de diversões, cavalo de apostas e loucura, depósito de mentiras e ilusões.
Assumes ter sido carne saciando prazer, desfeita em sumo de uma qualquer fruta ; Olhas o espelho, que te mostra teu doer por não seres amada como mulher mas como puta. 

Lembranças

Nas almofadas e nos lençóis da minha cama, ainda posso encontrar teu doce cheiro, que se passeia por entre as gotas de suor do teu corpo em chama e os fios do meu cabelo que tua mão penteia…
Ainda ouço as risadas e as alegres picardias que provocamos para ver sorrir e atiçar ; ouço nas horas de solidão as alegrias e a força dos olhos entregues a se abraçar.
Leva - me longe meu pensamento infinito; busca – te nas memórias que a vida escreveu, e só, sufocada pela dor do meu grito, sou a lembrança de alguém que me teve e me perdeu.

O sabor da pele

Doce como o açúcar torrado, quente leite-creme adocicado é a pele do corpo que me abraça. Vicia no gosto, satisfaz a fome enquanto devagar me consome, embriaga - me como cachaça…
Tem sabor das flores de Agosto; é inesquecível a cor do gosto; prende - me na boca, p’ra que eu me revele, sacia meu incontrolável apetite, numa viagem de língua sem limite navegando em meus lábios o sabor da sua pele.

Amor contigo

Sem fórmula; sem definido padrão deixamos correr o amor no coração. Inundados por olhares e ternuras fomos levados por tão sãs loucuras…
Entre braços, pernas e bocas vivemos cenas impensáveis e loucas; misturamos sem fim nossas limitações, fizemos um de nossos dois corações,
Que batem sintonizados , desenfreados, numa única respiração; dizendo baixo ao ouvido qual o sentido qual a direcção; Que longe do teu regaço eu sou poeira no espaço correndo gelada , do perigo, e grito alto sem constrangimento que tu és meu alimento e preciso amor contigo.