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Negrito

Olhar profundamente um olhar que se ama é quase voltar a nascer em berço de lava quente, é como se o mar nos engolisse como a uma chama e incendiasse de água fresca a alma da gente!
E depois de sugados e arrastados por tal robustez tudo ao redor se torna natureza e fascinação, e a pele é como pluma leve impregnada de maciez que se entrega nos quentes braços da lava de um vulcão.
Explodem sorrisos que enfeitam os céus, de sol, infestados, banhados por ondas azuis e espumas dançantes que trepam com firmeza, o negro do basalto, tão bonito.
Sorriem olhos… Há mar e braços, que misturados, se abraçam forte e, certos de amarem como antes, deixam marcadas, com amor, rochas do Negrito.

Cupido

Acordar dentro do teu abraço é como mergulhar na água mais pura.
Acordar envolta nos teus beijos, é sentir a vida a pulsar cheia de vontade.
Acordar a cada manhã e sentir a tua mão que me segura
é dormir e perceber que não és sonho és realidade.

Durmo serena,pois sei que és meu doce e firme aconchego.
Durmo olhando a luz do teu olhar brilhante e sedutor.
Durmo abraçada aos teus braços que são meu ninho de sossego
e acordo presa ao teu colo carregado de beijos e amor.

E cada noite que repousamos lado a lado
quando me dizes que me amas, ao ouvido,
eu sinto-te viver dentro de mim, meu namorado,
Bênção perfeita que me ofereceu o deus cupido.

Remos pesados

Eu remei na vida minha, remei sem jamais largar os remos pesados, calejada pelas rochas chorei inundando meus olhos de mar, tão salgados…
Tão salgados e cheios de amargor queimaram meus sonhos, meus intentos e fui berço de lágrimas e de dor onda de castigos e lamentos…
Lamentos que feriram tão profundo… ferindo minha força e coragem de lutar. hoje é o dia que disse ao mundo vou partir. Expulsa-me sem hesitar…
Eu remei em tempestades descampadas fiz dos ventos a força das velas minhas mas, é difícil chegar ao porto em jangadas que ao passar matam garças e andorinhas.

Impotente

Acabei por ver um vazio no olhar e uma dor na alma calada, e já quase sem forças para lutar fiquei sem ar… parada…
Parei o sorriso,a alegria,a entrega… fiquei suspensa,sem rumo,sem lar… e o choro calado me rega, sem que eu possa ao menos chorar…
Impotente… estou impotente… muda, estática e corroída… Não queria nada de mais,não sou exigente, queria apenas viver de amor,a minha vida!
Fui enviada para longe do meu abrigo… … o cais ruiu,e eu sem salvação ferida pelas mágoas,sinto o perigo de ter de matar meu coração…

Nos teus braços

Acolhida como uma flor enraizada no teu colo, eu sou tua mulher,teu amor. Tu és meu céu e meu solo.
Nos teus braços a noite inteira sou jardim e céu estrelado, sou canteiro de flores,sou floreira, pelo teu doce amor,campo regado.
E no frio doce da madrugada buscas-me!Apertas-me com mansidão e colhes-me novamente.E eu,por ti abraçada renasço tantas vezes quantas bate teu coração.

Cais da noite

Chegaram trazendo a noite vestida, nos olhos,albergavam silêncios e risadas. Abriram a porta das portas da vida, fecharam baús de vidas passadas!
De encanto embebidos,da noite fizeram palácio de cristal,erguido no cume dos abraçose das palavras que disseram, envoltos em amor,banhados em lume!
Devagar na corrida dos olhos galhofeiros, foram colo de lembranças e alegrias joviais; saciaram suas vidas comos corpos dos cheiros como brisa que perfuma, das ondas do mar, a espuma, quando estas beijam o cais!

Candeia

Acordaram em mim emoções adormecidas,
floriram na minha alma novas vontades,
vi - me ao espelho e senti - me renascer das cinzas,
... renovei a voz que grita minhas verdades!

Fui de novo candeia, iluminando o rumo meu
regaço de cetim envolvendo sonhos e desejos;
acordaram em mim raios de sol e pedaços de céu,
estrelados pelo mel do calor dos teus beijos.