Cheguei a casa E em cima da mesa não havia nada… Despi o casaco, larguei a mala Libertei os sapatos E agarrei apressadamente o avental Que me esperava para mais uma viagem…
Sem forças debrucei-me sobre o fogão Que me incendiou os pensamentos Nas inflamáveis lágrimas que abafo dentro de mim, Porque sou feia quando choro, Porque sou fraca quando choro, Porque não posso chorar…
Tentei, sempre, alimentar a alegria dos mais novos Fui contando piadas E fazendo perguntas Ganhando um pouco de forças na fraqueza que me circunda… Enquanto lavava alimentos Vinham à tona da minha água meus sentimentos E a cada corte frio numa cebola Os meus olhos gananciosos, aproveitavam estes momentos para
chorarem E derramarem as dores que os agoniam Para contarem em silêncio o que os esvaziam…
Os aromas invadiam a cozinha E a mim, aquele frio (disfarçado);
E entre tanta coisa que lá tinha Eu encontrava-me tão perdida de sozinha… Mas, meu olhar… calado…
Juntei tudo numa panela Mágoas, tristeza… Limão… Fiz rapidamente A refeição Que aliment…