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Amor nos olhos

Pensamento em movimento

Aqui fechada nesta sala bolorenta onde nem o ar sai nem o sol entra estou fechada (com a minha inspiração) sem ânimo nem motivação.
Aqui quieta com o pensamento em movimento estou inquieta estou lá fora na vontade de ir embora.
Sei ser só mais alguém que caminha por necessidade vendo passar a idade enquanto outros, sem desdém, mostram-nos a liberdade à distância fazendo desta apenas uma lembrança.
Aqui fechada com o pensamento em movimento. Estou inquieta estou lá fora na vontade de ir embora.

Noites vazias

Serão vazias frias chorosas sem “pecado” nem calor nem cheiro a rosas.
Serei vazia fria inacessível negra infeliz insensível
E as noites longas sem madrugada sem varanda sem alimento vazias… Sem chá nem pão serão lamento solidão.
Serão vazias frias chorosas sem “pecado” nem calor nem cheiro a rosas.
Serei sem ser viverei só por viver. Partirei tentando não lembrar ficando sem ficar sem mais ser mulher só chefia dor calada agonias dias escuros noites vazias…



Malvadez

Chuva ácida veneno crueldade insensatez corrói entranhas o espírito filha da insanidade seu nome:malvadez.
Mata vontades alegrias verdades. Rio de dor imundície mata o amor.
Esvazia deturpa agonia. Entristece degrada enfurece…

A palavra

Apalavra não ouve mas fala mata e cala seduz e enternece voa,desassossega, permanece… A palavra alerta e acalma enraivece e ampara a nossa alma. A palavra abriga e briga aconchega e chega sem partir. A palavra é transporte lança cortante e até morte mas é sorriso e sabe colorir.

Desbravei

Perdi-me,alegremente,na neblina do teu corpo
e deixei,que a pouca visibilidade do olhar fosse guiada pelo avançar arrepiante das minhas mãos,
fazendo dos meus dedos,pés,para caminhar suavemente pela tua pele.


Perdi-me,conscientemente, nas montanhas do teu corpo
e deixei,que os terrenos acidentados,vestissem-me de aromas de sementes e frutos,
fazendo do meu ventre algar e estalactite tutelada.


Perdi-me e, docemente, desbravei o teu corpo
e deixei, que a cada semear de beijo e a cada abraço de pele, aumentasse a minha força e meu sentir,
fazendo do meu espírito moradia de sentimentos e quietude.


Perdi-me como quem regressa ao conforto do lar(o teu corpo)
e deixei-me adormecer no despertar suave dos teus olhos de terra,
fazendo do teu abraço o travesseiro repousante, para os meus pensamentos e dos batimentos cardíacos solfejados no interior do teu peito, música relaxante.



Só tenho amor

Sou uma pobre qualquer Sou uma pobre mulher
Só tenho amor para dar Vivo a realidade a sonhar
Cheguei à conclusão que nada tenho Só um amor grande(do meu tamanho)
Eu apregoei,amor, apregoei Pois sem ele,nada sei
Quebrei barreiras e obstáculos Deixem-me prender em tentáculos
Sou uma pobre qualquer Sou uma pobre mulher
Eu abandonei carências Escolhi outras vivências
Deixei que o amor falasse mais alto,profundo Fiz do amor o maior bem deste mundo
Escrevi cartas, textos, poesia E fiz do amor a luz do meu dia
Reli nas entrelinhas dos olhos(teus)tuas aflições Sequelas e solidões
Povoei teu corpo e tua mente E deixei vir à tona o que teu coração sente…
Sou uma pobre qualquer Sou uma pobre mulher
Nada tenho para dar Só sei amar, só amar…
Eu apregoei,amor,apregoei Pois sem ele,nada sei.