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Frio

Fechei-me no quarto e saí. 
Deixei entrar em mim o silêncio. 
Fiz de conta que morri... 
Perfumei-me de incenso...
Em mim voavam dores, 
que persistindo,me desconfortavam, 
e no escuro morriam cores 
como as palavras que se calavam...
Sorvi a calma do vazio
e cheia de dores aconcheguei-me...
Enrosquei-me(fugindo ao frio)
e a mim mesma acompanhei-me...
Era noite,era escuro...
Incerta,esperava o sol nascer,
como incerto estava o futuro
que poderia nunca vir a acontecer...
Fechei-me no quarto e parti
numa viagem só de ida
certa do dia que nasci
mas na incerteza de quando acabará  a vida...
Cheia de dores ... Lamentos...
Tremo(de tão angustiada),
embalam-me meus inquietos pensamentos, 
levam-me arrastada...

Feiticeira do amor

Foi com a luz do meu olhar
que te enfeiticei
fiz da tua resignação
uma revolução
te apaixonei!


Foi com o cheiro do meu corpo torneado
que te enfeiticei,
fiz do teu querer
uma festa(nossa)de prazer
fiz-te rei!


Foi com a melodia da minha voz
que te enfeiticei
falei-te com a voz da razão
acalmei o teu coração
te embalei!


Foi com a força do amor
que te enfeiticei
saboreaste a felicidade
conheceste o amor de verdade
quando te amei!

Aqueles dias

Aqueles dias que esperei por ti estava incompleta, reduzida porque és o melhor que já senti em todos os dias da minha vida…
Aquelas noites que te esperei à porta ansiando a tua chegada fizeram-me renascer de uma vivencia morta iluminando a minha madrugada…
Aqueles momentos que fui o destino teu deram-me alento e energia ver-te chegar e colher um beijo meu encheu o meu ser de alegria…
Aqueles abraços ansiosos que me entregaste foram fortuna e tesouro e cada vez que me amaste tornei-me valiosa como ouro…



Temi viver

Eu hei-de aprender a viver vazia
tal como temi viver, a cada dia
sem abraços, sem carinhos, sem nada
num mundo, longe, sem gosto
lambendo as lágrimas do meu desgosto
chorando a cada cair de madrugada…
Eu hei-de aprender a esquecer meus sonhos
a matar, no meu rosto, sorrisos risonhos
a expulsar de mim as mágoas pintadas de dor…
Hei-de ser só resquícios de razão
que hão-de sufocar a grandeza do meu coração
calando em mim qualquer pedaço de amor…
Eu hei-de aprender a não mais ser
evitando as lembranças e a vontade de querer
ser alguém genuíno e amado…
Hei-de viver desejando que a morte
me leve, e com sorte
um dia serei apenas passado…

O teu sentir

Chamam-te, poeta, de louco, porque dizes em tão pouco o que muito ser não é capaz, despejas a alma num papel e ao teu sentir és fiel, vive intensamente teu coração fugaz.
Trazes na boca o coração e enches as letras de emoção, pintas em palavras o teu mundo; choras e ris com o que sentes e jamais negas e mentes o teu sentir mais profundo…

Ousadia

Um dia tomou conta de ti a ousadia.
Trouxe-te até mim pousaste no meu jardim…
Um dia tomou conta de ti a ousadia.
Acordaste na minha mente repetidamente…
Um dia tomou conta de ti a ousadia.
Ergueste bem alto a vontade do meu sonhar e deste-me as estrelas salgadas de mar…
Um dia tomou conta de ti a ousadia.
Ousaste caminhar, viver ousaste me querer…
Um dia tomou conta de ti a ousadia.
Agora és o meu dia mais ousado querido, necessário… desejado…

Espinhos

Cada lágrima que escorreu pelo meu rosto
escureceu a luz do sol-posto
matou em mim um pouco do meu amor;
desabrigaram o meu bem-querer
nasceram em meu olhar por eu sofrer
salgaram o doce gosto com dor…
Rolaram caladas
doentes,geladas
desesperadamente silenciosas,
transformaram o meu íntimo mais profundo
no lugar mais inóspito deste mundo
engoli a seco espinhos de rosas…
Nasceram por me sentirem falecer
e enquanto me molhavam deixei de querer
existir,sentir,respirar…
Rolaram caladas
doentes,geladas
a soluçar…
Lágrimas de tristeza aliviam o sofrimento
mas são como ácido,que por dentro,
destrói tudo à sua passagem…
E desejamos não existir
deixar de querer sentir
Finarmo-nos como uma aragem…