quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Distimia


Uma dor sem rosto
uma tristeza constante
que levava o calor de agosto
deixando a luz da  noite distante…

Era uma dor fria, cascata de choro
um desistir persistente
uma ave de mau agoiro
um organismo doente…

Fazia as asas arrastarem-se pelo chão,
voar era algo impensável
os músculos perderam a capacidade de ação;
tudo era detestável…

Só lágrimas e gemidos
só escuro e dor
jardim mortos e destruídos
ansiedade, insegurança e pavor…

Era triste e denso
o nascer de cada dia,
um sofrimento imenso:
distimia…


quarta-feira, 27 de julho de 2016

FOI MESMO NO SOFÁ


Foi mesmo no sofá
que te desarmei…
Atirei-me para os teus braços
e suspirei.
Não tive forma de me conter
e apressei-me para te derreter…
Foi mesmo no sofá
que te prendi,
ocupei o teu colo
e renasci…
Lá tive tempo de aguardar
por melhores condições,
abracei-te
e despi-te de ilusões.


Foi mesmo no sofá
que tornei real
o meu fetiche de simples mortal…
Saltei para o teu colo
como quem mergulha para se banhar,
prendi me aos teus lábios
para te beijar
e encontrei na tua pele
o Sol e o mar
e ondas frescas de abraços imparáveis,
e salpicos escaldantes de palavras inigualáveis …
Lá tive tempo de medir a temperatura
atirei-me do mais alto penhasco da minha loucura
e aterrada no teu aconchego
tornei-me lava,
desfiz-me de ser rochedo.
Perdi a conta das vezes que repetimos os beijos
e perdi a conta dos desmaios…
foram tantas as repetições
tantos os ensaios,
concretizações…
Foi verão
com ondas de calor
e foi arrepiante nevão
com estrelas de amor…


Foi mesmo no sofá
que adormeci no teu abraço
e sonhei que viajava pelo espaço…


Foi mesmo no sofá
Que os nossos corpos se aninharam
como se fossem uma concha quando se fecha para repousar;
que sorte é esta que nos traçaram
viver um sonho
sabendo que afinal não estamos a sonhar…

segunda-feira, 25 de julho de 2016

O amor faz amor


O amor faz-nos bem
E quando encontramos alguém
Que sonha com a nossa realidade
A vida sorri
E a alegria contagia
Cresce em nós a vontade
De viver
De crescer
De sonhar
Tem magia…
O amor nos liberta
Povoa a nossa alma, quando deserta
Semeia em nós a capacidade de amar!
O amor faz-nos bem
E até o orvalho da manhã
Sabe-nos a panquecas com mel
As lutas são apenas desafios
E as tempestades, tornam-se suaves frios
É fácil amar e ao amor ser fiel.
O amor faz amor
Cura as feridas
Anula a dor
Traz vida aos nossos dias
O amor dividido
Reciproco e sentido
É tudo o que tem valor.
Quando amamos somos do bem
E até o orvalho da manhã
Nos alenta o viver
Quem ama de verdade
Não abriga em si maldade
Ama
É amado
Cresce
E deixa crescer.
O amor faz-nos bem
Quando amamos
Fazemos amor  (nascer) também
E amar é um refrigério.
O amor é energia
Pássaro com asas de poesia
Ninho de aconchego e mistério…



segunda-feira, 18 de julho de 2016

Lábios salgados




Trouxe o mar na boca
para aos poucos o provar
o sol veio na roupa
que despi à beira mar.
Trouxe-te no pensamento
e a cada respirar
degustei o momento
que o mar me veio salgar…
Trouxe o mar na boca, trouxe  sal
que a minha pele temperou,
trouxe o teu sorriso especial
que a minha memória captou.
Trouxe-te, como quem traz uma preciosidade
e guardei-te com os valores mais desejados;
trouxe o mar da felicidade
com ondas refrescantes dos teus lábios salgados.

terça-feira, 5 de julho de 2016

O encaixe do abraço perfeito


Aproxime-se
mais
mais
até não dar mais…
Abra os braços
estique
estique,
enrole ao redor
envolva
prenda
e fique...
E com jeito
aproxime-se do peito
que vai abraçar
com ímpeto
mas com delicadeza;
aperte entre os braços
aperte
anulando os cansaços
as tristezas
as fraquezas
os espaços…
Entregue-se demoradamente
envolva-se intensamente
torne as suas imperfeições
o encaixe perfeito
e acolha junto ao seu peito
o ser que vive dentro do seu coração
com delicadeza
com firmeza
com emoção…
Aproxime-se
mais
mais
até que leves sussurros animais
se soltem do interior…
Com jeito
sinta bater no seu peito
o coração de quem abraça
e permita-se sentir
viver
permitir
transferindo a energia que passa,
que renova
quem é abraçado
e quem abraça,
fazendo deste encaixe imperfeito
o tesouro eleito
dos tesouros do mundo.
Aproxime-se
e deixe-se silenciar
deixe-se abraçar
até que toda a imperfeição se encaixe
e faça desta diferença união
encontro
abraço
exaltação
regaço
embale profundo…

segunda-feira, 7 de março de 2016

Eu fui a única culpada


Tudo foi culpa minha.
Eu fui a única culpada. 

Fui em quem provocou o seu despertar para a vida e para felicidade. 
Fui eu, 
com esta minha mania tola 
de temperar a vida com colheradas e colheradas de amor e sorrisos, 
que causei tanta vontade de mudança e de reviravolta. 
Sim, fui eu.
O meu acordar era feliz e ousado. 
O meu anoitecer era inovador e aventureiro. 
Eu criava regras e fazia com que as cumprissem. 
Eu investia em brincadeiras e provocava gargalhadas. 
Eu assumia a minha vontade, 
proclamava os meus sonhos e não escondia os meus medos, 
as minhas verdades e as minhas dúvidas. 
Sou a única culpada de tudo. 
Assumo. 
Chorei muitas noites e sorri muitos dias. 
Falei sempre o que pensava, mas acima de tudo sempre falei o que sentia. 
Usei sempre da verdade, mesmo quando tive a mentira à minha disposição. 
Eu fui sempre a única culpada. 
Culpada por ter nascido assim e viver o que nasci, 
culpada por querer e assumir o que queria, 
culpada por saber que,
 embora nem todos estivessem preparados para viver coisas verdadeiras, 
ter apenas promovido coisas reais. 

Eu fui a única culpada. 

Porque eu não procurei culpados para os meus erros 
nem culpados para os meus fracassos. 
A culpa foi minha por acreditar. 
Foi minha por me deixar enganar. 
Foi minha por voltar a amar!

Tudo foi culpa minha. 

E sempre será. 
Porque sou eu a dona da minha vida, 
sou eu a “dona deste meu nariz”, 
sou a responsável pelas minhas dores. 
Dores que só vão doer até eu querer. 
Dores que só eu terei de as terminar. 
Dores que só me acompanharão até onde eu quiser…

Eu fui a única culpada. 

Eu fui a única fracassada. 
Ninguém tem culpa de nada.

E quando o meu mundo se desmorona, 

eu sou sempre a única culpada, 
porque eu escolhi caminhos errados, 
porque eu apostei em cavalos parados, 
porque eu plantei árvores secas e sem vontade de crescer.

Felicidades a todos aqueles outros culpados 

que infelizmente não sabem sequer o que é ser!
Felicidades a todos aqueles outros culpados 

que não se mexem com medo do que os outros vão dizer. 
Faço votos de que consigam gerir em si 
a incapacidade de assumirem a sua culpa de fracasso 
e como resultado vivam a saborear o triste sabor da experiência do perder!

Ainda assim, foi tudo culpa minha…

BEIJO TEU

Não preciso ver Para (te) sentir Porque só ser Já é existir. E cada beijo teu É declaração É amor, é céu É realização. Não preciso ter Par...