quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Manjar



Feito de pequenas dentadas em cerejas
e ácido ananás adocicado,
é o sabor da tua boca, quando me beijas
e me adoças num abraço açucarado.

Pelos lábios, escorrendo, tornado doce
o meu coração, que ferve quente, de louco bate,
como se um chá de jasmim,eu fosse,
derreto - me em teu corpo, qual chocolate.

Em brasas já nossas carnes se entregam,
num manjar confeccionado em lume brando,
onde os ingredientes do amor, não negam
que o fogo deste amor vai aumentando…

E do nada onde nasceu é já magnificente,
feito de verdades e de entrega pura;
fervilha tornando os corações da gente
dois sóbrios esfaimados dessa loucura.

Degustado simplesmente, sem talher,
partilhamos o intenso sabor de corpos de coco,
enquanto ao ouvido sussurras baixinho: “ Mulher…
Tu em mim...deixas – me louco…"

Razão


Sol. Porquê?
Se a luz dos teus olhos
não me vê!
Sorrisos. Quantos?
Se meus lábios só se alegram
com teus beijos santos!
Alegria. Por quem?
Se a alegria da minha vida
hoje não vem!
Para quê arco-íris e cor?
Se não sinto a meu lado
a presença do teu amor!
Alimentos. Qual o interesse?
Só se ao menos a minha boca,
na tua bebesse!
Esperança? Esta sim!
De te ver hoje,
quando o dia chegar ao fim!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Cada dia



Cada dia que vivo contigo
no nosso recanto, no nosso abrigo,
trás – me a certeza do nosso amor;
A meiguice no olhar,
o toque suave no abraçar,
a intimidade nua de pudor!

Pode o dia nascer da bruma,
envolto em sol ou em espuma,
tudo é mágico e especial;
desde o pássaro que canta de alegria,
ao alimento que nos sacia
ou ao simples “bom dia” matinal…

Fazemos um festim da natureza,
onde as lagoas repousam com a certeza
da imensidão deste sentir,
que nos faz voltar ao doce envolver,
devolvendo a calma e a alegria de viver
e a riqueza de contemplar nossos lábios a sorrir.

Cada dia que vivo para ti
sentindo – te viver aqui,
dentro de mim aconchegado,
é conseguir ser mulher, em todo o seu esplendor,
e usufruir da vida do teu amor
que faz de ti o homem mais apaixonado!

domingo, 28 de agosto de 2011

Palácio

 
Aceito;
Quero te dizer que preciso de ti
Para viver;
É sonho,
é circo
em festa,
não por seres
o que resta.
Enquanto
sentido;
aberto;
É a força
de te querer,
perto…
Rouba,
leva,
que me esguio,
na sombra,
na calma,
no frio…
Hora batida,
badalada,
sinal;
Mesa posta,
vela derretida,
cristal.
Dedo pequeno,
sombra apagada,
susto constante;
Riso solto,
embrulho rasgado,
instante.
Coral florido,
peito rasgado,
crustáceo;
Amor definido,
louco… apaixonado…
Palácio…

sábado, 27 de agosto de 2011

A música dos nossos corpos


Fez-se luz no palco do nosso amor!
Tudo ao redor ganhou cor;
o coração estava pronto para as batidas.
Devagar foi surgindo …
docemente se repetindo,
enquanto tu me despias…

Das poucas peças que já trazia,
nenhuma delas, tu querias…
Desejavas todas as minhas teclas contemplar,
como se eu fosse um piano afinado
produzindo sons num ambiente criado,
por desejos a dançar!

Tecla a tecla … me  percorreste…
dedilhando cada poro meu agreste,
numa busca silenciosa,
onde eu fui despojada dos meus espinhos
pela foice dos teus carinhos,
sobrando só em mim pétalas de rosa.

Juntos se unindo, como em fusão,
tal como acordes de uma canção
criamos melodias de beijos e risadas…
Fizemos dos corpos instrumentos,
gritamos em sintonia os sentimentos
sem soltar as mãos apertadas.

Repetimos melodias só para nós;
isolados do mundo, num mundo nosso
inesquecível e singular…
Deixando nos nossos corpos a vontade
de que esta música tenha continuidade,
que jamais possa terminar…

E sentir o doce aplauso de lábios molhados
impregnados da tua boca em meus seios,
é como ouvir os sons do anoitecer;
o som da água, o adormecer dos prados
o brilho das estrelas, o coaxar das rãs no lago…
a música do nosso amor escrita em prazer!

Amargo sabor

 
Como eu queria ter morrido
fulminante naquele momento…
Levaria tudo que havia vivido,
terminava meu sofrimento.

Ah! Como eu queria ter morrido,
pouco antes do bater daquela porta…
Agora vivo, sabendo o que foi ter vivido
e viverei por ai tão morta…

Como eu queria ter morrido,
sem ouvir o partir do meu coração em estilhaços…
Tomara, eu nunca tivesse sentido
a força e o intenso aconchego dos teus braços.

Morrer… como eu queria,
sem provar o amargo sabor do adeus…
Partes triste minha alegria,
levas–me nos olhos, que deixas nos meus.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Momento


Parados em silêncio,
ouvindo a voz da natureza,
viajamos, voamos, amamos,
Atingimos a nossa certeza…

Num momento que eternizamos,
para juntar ao baú de outros nossos,
agarrados num abraço, que apertamos,
excitando cada grama do cálcio dos nossos ossos…

Fala – me repetidamente o eco da tua voz,
de quando estive toda presa e cercada do teu encanto!
Sou rica, pois tenho este sentimento, que é parte de nós
e a tua repetida confissão me dizendo : “Amo - te tanto!”

domingo, 21 de agosto de 2011

O tempo

O tempo é uma escola
que ensina e põe á prova,
que nos leva a viajar;
e somos nas suas mãos marionetes,
somos como simples canetas
que escrevem o nosso caminhar.

O tempo passa e deixa fotografias e lembranças,
leva - nos a infância, mas não as crianças
que ostentamos dentro de nós.
Corre forte e desenfreado sem travão,
sem  que possa ser parado então,
faz – nos perceber o passado dos avós.

O tempo, é tudo, o que temos
não sabemos quando pararemos,
nem em que tempo cessará.
Vale tudo na nossa existência
é precioso por excelência,
é o melhor que se dará.

O meu tempo, o tempo teu,
o de quem já viveu,
e o de quem irá nascer,
é a dádiva da vida de cada qual,
tempo que não pára, mas que afinal
nos mostra que o tempo é feito para viver!

sábado, 13 de agosto de 2011

Homens fracos



Todo aquele que me vai conhecendo
aprende a fórmula perfeita
para me saquear e me ver morrendo,
destruída, humilhada e desfeita…

Quero cessar este interno tremor,
onde os olhos do meu coração
sangram de tristeza e de dor
e gritam me derramando pelo chão.

Sou uma lata velha jogada fora,
que depois de consumido seu conteúdo,
se esquece e se ignora
tornando o ego de quem consome mais graúdo.

Regredi, em segundos, anos sem fim,
tendo que ignorar tudo cá dentro como nada,
vendo penosamente a miúda que existe em mim
sendo repetidamente impelida, cruelmente por uma escada…

Dói-me o pensamento de tanta mágoa e desilusão…
Foge-me a sorte como água poluída,
lamentavelmente todos decepcionaram meu coração,
homens fracos, que amei na minha vida!

Pensando alto

Eu queria ter nascido
amarga,
cínica,
calculista,
...insensível,
egoísta.
Eu queria ter nascido
vulgar,
cega,
surda,
desordeira,
sem amar,
sem sonhar,
batoteira.
Eu queria ter nascido
materialista,
vazia,
seca,
sem coração...
... não sofria...
Eu nem queria ter nascido...

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Lixo


Hoje fui a enterrar
ainda viva,
a soluçar...
E impávido
o coveiro,
pá a
de pesada terra,
sepultou – me,
como se eu fosse um detrito
num aterro.
Que dor,
ser como lixo despejado
num terreno árido e vazio…
Que cansaço,
que frio...
Que mágoa...
Que pena
ser mal amado,
e matar devagarinho
tanto amor e carinho
que docemente foi gerado… 

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Sem AMOR



Apetece-me propor ao mundo
um dia sem vestígios de amor,
só para ver como seria,
como o mundo reagia,
qual seria a sua real cor.
Nada de beijos ou carícias,
abraços ou sorrisos de amizade;
nenhuma melodia para que se dance;
queimar todos os livros de romance,
anular todos os colos de fraternidade.
Calar a voz da rádio e dos cantores;
calar os românticos e os poetas;
ceifar todas as rosas,todas as flores;
proibir todas as lágrimas e as dores;
trancar os corações apaixonados em gavetas.
Jamais permitir o amor entre homem e mulher,
entre mãe e filho,
filhas e pais,
avós e netos;
jamais amar os amigos
a natureza e os animais.
Apagar o brilho do sol e da lua a luz de prata;
explodir as estrelas e os cometas;
guardar toda a areia e esvaziar em todo o mundo o mar;
apagar todas as mensagens dos namorados;
pintar de negro todos os lábios encarnados;
proibir o uso da palavra amar!
Vendar os olhos de toda a gente, seria crucial,
pois o olhar é portão de entrada para sentimento tal;
calar as bocas e proibir palavras sentimentais,
retirar todas as fotos e recordações dos jornais,
e nos museus deixar apenas os bens de carácter material.
Revogar o dia dos amantes em Fevereiro;
trancar bem distantes apaixonantes cheiros;
queimar roupas interiores e óleos essenciais;
partir todos os quadros e amorosos vitrais;
obstruir os ouvidos para não serem desordeiros!
Encerrar estações de correio e despedir o carteiro,
pois desnecessária seria sua prestação,
visto não haverem mais cartas de amor, para distribuir;
acabavam as distâncias e as viagens de avião,
todos os transportes, poderíamos destruir…
Por último para que resultasse tal experiência
destruíamos todo o ser humano que sentisse carência
e assassinávamos todo aquele que sentisse pulsar
o seu coração pela força de amar,
algum dia durante o seu tempo de existência…
… Silêncio…
O mundo morreu…
Sem sentir.
Sem olhar .
Sem ouvir.
Sem cantar.
Sem sorrir.
Sem abraçar.
Sem partir
Ou ficar…
Que restou?
Uma dor
Sem amar
Sem amor…
Antevejo caídas pelo chão notas e moedas,
petróleo e casas,
fumo e destruição…
pássaros sem asas.
Nem triste, posso ficar…
proibido é chorar,
entristecer,
ouvir o coração bater.
Está escuro
Não há sol!
Nem lua,
nem música,
nem sorrisos,
nem palavras…
Ninguém…
Matamos tudo!
Matamos o amor,
que fazia girar o mundo!
Matamos o amor
que nos alegrava,
que nos pulsava
no interior…
Será que devemos continuar a praticar
esta coisa,este engano
de vivermos sem o AMOR?!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Não tem

O dia nasce
e acordo nele..
O corpo desperta,
e estou nele…
A voz que ouve
me pertence,
as linhas do corpo que deseja
minhas são;
os carinhos que sente
são os da minha mão.
A pele de cetim
pertence - me a mim…
Da boca, que tenho,
nascem meus beijos,
desperto nele
todos os desejos.
A música soa
e é a nossa…
Embora distante
sou a sua amante.
Pode disfarçar o que sente,
mas sou eu que o vivo por dentro.
Mesmo que deitado, na cama ,com uma louca
chamará como antes por meu nome, a sua boca.
Os sonhos sonhados
são comigo partilhados,
bem como as dores
as dificuldades, os passados.
Serei sempre a procura do olhar
Em cada rua que passar,
quando o telefone tocar,
ou ouvir um carro acelerar…
Estarei na sua mente
cada vez que um poema for declamado,
cada momento de nevoeiro,
em cada grão de areia, em cada lua cheia,
em cada onda do mar…
Mesmo que com os olhos não veja
sou a mulher que deseja.
Cada vez que vir um ventre a gerar
será no meu que irá pensar;
Permanecerei no pensamento
cada dia, cada momento
lembrará o dia que me sonhou fecundar.
Sou a intensa luz no escuro,
sou toda dele mesmo que ausente,
serei eternamente no futuro
o seu passado mais presente.
Podemos prender as pessoas como animais
mas a liberdade do pensamento jamais,
é que não se ama quem se quer
ama -se quem amamos sem querer!
Um dia
no prolongamento das nossas vidas paralelas
Saberemos que no infinito encontrarão – se elas.
O ser humano muitas vezes,
quer o que não tem
acorrentando outro ser 
que infeliz , deixa de ser alguém...

sábado, 6 de agosto de 2011

Tão só


Estou aqui tão só
rodeada de areia e mar,
no céu a lua tem dó
pois sabe – me por dentro a chorar…

Estou sentada na areia,
a olhar a imensidão do vazio,
e a minha dor, mais dor ateia,
queima – me nas labaredas deste frio.

Vim reviver sozinha
abraços e beijos e olhares,
e cada lágrima minha
aumenta – me a tristeza dos mares…

Estou aqui e não estou,
pois ando por ai em demandas,
pois deixei de ser o que sou
por não andar onde tu andas…

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Oferta




A meia-noite esperei-a, podendo então
sintonizar as badaladas, às batidas do coração,
e marcar eternamente este momento;
acolhi-te meigamente no meu abraço,
repousando em paz, como do cansaço
do trabalho de parto, no nascimento.

Trazia comigo a mais bela oferta,
não vinha embrulhada, trazia-a já aberta,
por não caber, jamais em nenhum papel de cor;
delicadamente colhi com a minha a tua mão,
que devagar depositei sobre meu peito, no coração
te dizendo,o que trazia para te dar:o meu amor!

Entraste em mim através dos meus olhos que choravam,
pois viam eles que os teus também me amavam
e entre tantas partidas e chegadas, tudo se renova;
aninhaste – me no teu abraço forte, como um leão,
percorrendo meu corpo todo , qual furacão
Amaste - me intensamente, do teu amor me dando prova!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Lágrimas ao sol


Esperei que ele nascesse
e inundasse o meu jardim,
coberto por ervas daninhas
e fósseis de mim.
Despontou lá bem alto
inundando de calor toda a cidade;
esquentou o negro asfalto
que me ladrilha
ferozmente
a sensibilidade.
esperei que este nascer
me trouxesse um naco de esperança,
pois é que vivo de tanto morrer,
e meu coração ferido já se cansa…
E á medida que me aquecia a pele desnuda,
crescia em mim uma dor funda
que me agredia gratuitamente,
ferindo ainda mais minha ferida
apagando em mim qualquer réstia de vida
esfaqueando - me toda … por dentro.
Esperei um pouco mais , sempre tentando,
um mágico sentir , um renascer,
uma forma de referência, um farol.
Não surgiu! Não me ouviu … e eu esperando,
enquanto desgarradas iam rolando
minhas lágrimas brilhando ao Sol.



quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Guerra interior






Foi declarada guerra no meu interior;
combato agora os segundos,
os minutos,
as horas,
que farão dias,
semanas,
meses, que farão anos,
contra esse amor!
Não quero lutar!
Quero – te amar!
 
  

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Como?



Como podemos parar,
o motor dentro do peito?
Desenfreado teima em palpitar
embora tantas vezes desfeito…

Como podemos calar
sua voz que nos chama?
Constantemente nos leva a recordar
alguém a quem se ama…

Como podemos matar
o amor que teima em viver?
A vida ensina-nos a amar
mas não nos ensina a esquecer!